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Destaque Quitandas e a volta aos tempos românticos Thiago Schwartz


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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

O preço que se paga

Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

Num escritório em Florianópolis (SC) alguém dá a ordem de impressão para as faturas do mês. Um outro a recebe e aperta um botão. O sinal do computador prontamente é enviado à impressora, que se move e marca no papel caracteres e gráficos em preto, azul e vermelho.

Tudo isso graças à energia elétrica que alimenta os aparelhos cinzas naquelas salas, extraída muito provavelmente das usinas térmicas a carvão do litoral sul catarinense – ou talvez de alguma pequena hidrelétrica, limpa, mas que causou impacto relevante à região em que está. E ainda tem o papel, que motivou a derrubada de algumas árvores.

E com tudo impresso, uma folha em especial será dobrada, posta num envelope, e seguirá até o seu destinatário – cerca de 130 km dali. Consumindo combustível fóssil, poluindo o ar, e contribuindo negativamente para o pesado e arriscado trânsito da, em obras, BR-101 Sul.

A correspondência então chegou: uma fatura da operadora de telefonia TIM. Ao abrir a carta o destinatário lê seu conteúdo e ri, espantado. O valor: R$0,06. “Não paga nem o papel da conta”, afirma. Quem dirá o processo todo!?

Nos últimos anos as empresas têm criado cada vez mais uma imagem de “empresa amiga do meio ambiente” ou qualquer coisa parecida. A questão ambiental está em alta. Ao mesmo tempo, ignoram tudo isso por seis centavos. Vale a pena?


Imagem da fatura que chegou a um cliente TIM, da cidade Laguna (SC).

Isso não acontece apenas com a TIM. Acredito que os bancos de dados das empresas não estejam programados para levar em consideração cálculos individuais e sim o total “a receber”. Enfim, máquinas não pensam no meio ambiente – sequer pensam nas pessoas, como aquelas gravações de menu. Pessoas pensam no meio ambiente. Pessoas pensam em pessoas.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Custo de vida, desemprego e gente apegada ao poder

Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

E a Tunísia viu que podia reclamar dos altos preços dos alimentos, do desemprego e corrupção. O povo foi às ruas e destituiu seu presidente – que abandonou o país rumo à Arábia Saudita. A discussão política ainda segue, ofuscada pelo capítulo egípcio.

E se o povo de Túnis pode, por que não no Cairo? O Egito, inspirado na atitude da Tunísia, exige a renúncia de seu presidente, Hosni Mubarak, de 82 anos – há 30 no cargo. O presidente, aos poucos, parece ceder à pressão popular – já diz que não será mais candidato nas próximas eleições. Sem números oficiais, a ONU diz que o número de mortos pode chegar a 300.

A revolta tunisiana serviu de exemplo em todo mundo árabe. No mesmo caminho estão Jordânia, Síria, Iêmen, Marrocos, entre outros. No Iêmen, o presidente desistiu de se candidatar à reeleição novamente. O rei da Jordânia nomeou um novo primeiro-ministro após protestos contra a política econômica adotada.

A população parece ter visto que pode mudar. Imagine quando os chineses, venezuelanos, cubanos, iranianos, dentre tantos outros, começarem a exigir algumas mudanças sinceras... aí sim haverá revolução popular – se nenhum líder quiser para si a revolução.

Entre presidentes e ditadores
Uma dúvida que surge em situações como essa é imposta pela mídia. Eles são sempre noticiados como presidentes, mas basta ter um protesto que viram ditadores. Por quê?

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A crise que não deixa a Argentina

Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

Crise econômica, política e agora uma crise social. A República Argentina tem vivido uma constante mudança de humor nos últimos anos. Recentemente o Governo de Cristina Kirchner tem enfrentado críticas sobre a liberdade de imprensa e confrontou veículos de comunicação. Numa Argentina pós-crise econômica, com câmbio desvalorizado, os reclames surgem cada vez mais nas ruas.

Com grande parte da população na região de Buenos Aires, a pobreza e o desemprego aparecem nas praças e nos parques. Protestos constantes invadem o centro. Plaza de Mayo é o alvo da maioria deles. Alguns tornam-se acampamentos: “Mil dias conscientizando o povo de que há uma história que se segue negando”, diz uma das faixas em nome de herdeiros da guerra das Malvinas.


Protesto por trabalho e moradia, seguindo para a Plaza de Mayo. (Foto: Anderson Paes)

Mas foi com a decisão de retomar áreas invadidas por sem-terra que a crise social se agravou. Uma delas no Parque Indoamericano, dentro da Vila Soldati, reduto de imigrantes – a maioria bolivianos. A polícia então tentou cumprir a ordem de despejo no Parque, onde estavam cerca de 5.000 pessoas – conflito que deixou mortos e feridos. Para piorar ainda mais a situação, o chefe de governo da capital Mauricio Macri culpou a imigração ilegal pela desordem, com certo teor de xenofobia segundo a imprensa local.

Para o jornal Página 12, as palavras de Macri levaram ao conflito entre as vilas: os argentinos da Vila Lugano e os imigrantes da Soldati entraram em confronto – deixando mais feridos e promovendo mais atos de xenofobia. O jornal definiu como a “batalha entre pobres e ainda mais pobres”. As vilas são “equivalentes às favelas brasileiras”, diz o motorista Jorge Ramos.

A fala do mandatário portenho também fez com que a embaixadora da Bolívia na Argentina, Leonor Arauco, pedisse uma retratação pública do governante.

No fim da tarde de ontem (14) um acordo entre os governos de Buenos Aires e da Argentina era firmado para estabelecer regras para um processo de assentamento, financiado por ambos.


Outro problema

Lixo espalhado começa a tomar a frente de unidade do McDonald's. (Foto: Anderson Paes)

No centro da cidade o lixo faz parte do problema. Catadores de papel, alguns deles agora moradores de rua, reviram e espalham o lixo pela calçada em busca de recicláveis. A estudante catarinense Diulliany Rosa, que vive em Buenos Aires, conta que as praças também foram cercadas durante a noite, para impedir que os moradores de rua permaneçam por lá. “Agora eles estão na rua, literalmente, e as praças ficam fechadas à noite”, relata a brasileira.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Ouvindo atrás das portas

Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel

Quem aqui não alcovitou segredos, que dispare a primeira bomba atômica! Tanta histeria assim só porque documentos vazados pelo Wikileaks trouxeram à tona verdades que poucos teriam coragem de dizer em público?

Curioso é que quando ultrapassados ditadores gagás do século 21 falam suas bobagens, ninguém os leva a sério.

Seria o momento ideal para os citados olharem para os próprios rabos, tentarem reparar condutas e lembrarem sempre que ao tentar consertar uma gafe, invariavelmente, a emenda sai pior que o soneto.

No mais, que o ser humano sossegue o facho e deixe o fim do mundo para o final de 2012 mesmo.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Um outro 'Inimigo do Estado'

Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

No último domingo (28) o site Wikileaks revelou informações confidenciais trocadas entre embaixadas e o governo dos Estados Unidos. O que deixou muita gente mal na foto e gerou um clima constrangedor para outros – principalmente para os americanos.

O Irã se viu cercado de gente que finge não querer uma intervenção militar ou invasão, quando na verdade muitos pedem por isso.

A China, até então grande aliado da Coreia do Norte, cogita a união da península coreana com ventos que sopram do Sul.

Do Brasil falam de um jogo duplo, de um jeitinho diante do terrorismo para não prejudicar a imagem do país – eis o interesse nacional? Até de uma chamada "paranoia" que envolve Amazônia e ONGs.

Mas o caso todo vai além da diplomacia e da "fofoca internacional", como alguns já dizem que se tornou.

O responsável pelo Wikileaks, Julian Assange, é agora procurado pela Interpol por um suposto crime cometido na Suécia. O site tem sido atacado constantemente e ora até fica offline. Há até quem peça o assassinato de Assange.

No fim parece que estão a escrever o roteiro de um filme, ironicamente americano, com toques de "Inimigo do Estado" (1998). Com tantos segredos por vazar, todos são capazes de tudo – o que também pode vir à luz futuramente. Como alguém disse certa vez: segredo entre três, só com os outros dois mortos.

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"Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz" (Bertrand Russell)

Das revelações do Wikileaks até hoje, uma das que mais chamaram a atenção foi o vídeo onde jornalistas são assassinados por militares na guerra do Iraque.

domingo, agosto 22, 2010

O motorista iraquiano

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

No meu último dia em Londres, a caminho do aeroporto de Heathrow, o motorista que me leva até lá é um iraquiano que foge ao estereótipo pré-fabricado no ocidente. Um sujeito com seus 40 e poucos anos, olhos claros, cabelos brancos. Um sotaque aparente, simpatia e indignação.

Bom, isso só descobri no caminho para o aeroporto. Sabe-se lá porquê me perguntou sobre a Holanda, pensando que eu fosse de lá. Quando eu disse que era brasileiro e novas perguntas vieram. Tínhamos algo em comum agora. “Temos um povo acolhedor em comum. Os latinos e as pessoas do Oriente Médio são mais felizes e acolhedoras, não são?”, perguntou ele, sorrindo. Concordei e comentei que conheci alguns árabes no tempo que vivi no Canadá, sempre fazendo piadas. Ele completou: “É, a gente tem que superar com o humor”. Algo que reconheci bem brasileiro.

Em seguida questionou se as coisas eram caras, se comparássemos Brasil e Inglaterra. Talvez pelo peso da minha mala, que só anda pesada porque cansei de carregar duas e coloquei a pequena dentro da maior. Bem, ele não conhece nossa carga tributária.

Mas o assunto foi interrompido por uma questão de trabalho:
— Terminal 5, certo?
— Sim, cinco.

Passado uns minutos, enquanto eu olhava pela janela as casas sem grades, ele tocou no assunto da guerra e na esperança que ainda tem. Comentei que os americanos estão deixando o Iraque. Ele disse que sim e continuou: “Mas essa guerra, essa coisa toda que acontece na minha terra, é por dinheiro. Ninguém se importa se somos muçulmanos, cristãos ou qualquer outra coisa. Disseram que havia armas por lá e não havia nada. Só desculpa. Só querem saber do dinheiro. E essa gente é tão gananciosa que no fim alguma razão têm uns loucos como Chávez e Ahmadinejad. É bem capaz de outra guerra começar. Gananciosos!”, exclamou, mostrando-se indignado.

O Terminal 5 estava próximo. O clima londrino com umas nuvens escuras viraram pergunta: “Você gostou do clima de Londres?”, questionou. Concordei e disse que me sentia bem naqueles 19 graus – depois de quase um ano vivendo no frio já não enfrento mais o calor do mesmo jeito.

“É aqui. Você já esteve aqui antes?”, perguntou enquanto parava o carro. Paguei a viagem e ele me ajudou com a mala. Agradeceu a corrida e a conversa.

E hoje penso que o iraquiano de Londres gostava de conversar e talvez, mais que isso, tivesse necessidade de ser ouvido. A população em geral não tem tanto espaço assim para comentar o que pensa e muitos não sabem como, onde ou a quem dizer. Ainda mais para alguém que vem de um país em conflito, coberto de preconceito pelo mundo ocidental e inconscientemente vigiado.

quarta-feira, março 03, 2010

Consciência coletiva ou algo do gênero

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

O mundo que conheci do lado de cá dos trópicos parece ter um espécie de consciência coletiva – apesar de que quase todos aqui são estrangeiros. Harmonia e coletividade. Coisas funcionando porque são bens comuns, bens de todos. Diferente de um certo egoísmo e indiferença ao sul do equador acerca de certas coisas públicas.

Não que aqui seja o nosso ideal de futuro, também existem erros, também há corrupção. Talvez políticos sejam iguais em todo o mundo – menos na Ásia, onde eles renunciam ou se matam quando são flagrados. Mas o povo é diferente – e alguns brasileiros também formam o povo daqui.

Então, os brasileiros, quando num lugar em ordem, entram na mesma freqüência e agem como aquela sociedade funciona? E por que não no Brasil? Há um jeitinho pra tudo!

Nossas leis que falham. Por que os brasileiros respeitam as leis em outros países? Por medo; porque elas funcionam. Não há respeito com o que rege o Brasil. Aliás, algo rege o Brasil?

Não tô buscando os defeitos do país onde nasci – e que às vezes até posso me orgulhar –, nem pretendo mostrar as qualidades daqui. Não busco a comparação. Busco alternativas para que possamos mudar nosso pedaço do mundo, nosso povo. É possível.

Um dia tento listar de que modo... por enquanto tenho mais perguntas que respostas.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Para alguém que vai

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

Publicado em 30/08/2009

De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.

Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.

E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.

O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.

Até a volta!

quarta-feira, dezembro 09, 2009

O Brasil aos olhos do mundo

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

O velho país do futuro, da obra do austríaco Stefan Zweig, parece estar deslanchando naquele mesmo estilo do livro: ao seu tempo. Apesar de alguns contra-tempos enfrentados na política externa – como o caso de Honduras e Haiti –, quando o assunto é o próprio Brasil num cenário global, um dos maiores mercados do mundo, a história muda. Jornais de vários países contam os feitos brasileiros e apostam suas fichas na "esperança em verde-amarelo".

O espanhol El País mostra frequentemente casos brasileiros, o papel do país diante de outros atores internacionais, a economia que tem se segurado bem e, claro, contos da floresta – e não só para inglês (ou espanhol) ver. O nome do Brasil, tem sido uma forte marca no exterior. Nesse “fim” de crise, o país tem aparecido também no britânico The Economist e no francês Le Monde.

E foi no mesmo Le Monde que o atual governo se viu prestigiado e a oposição contrariada. Naquela historia da “marolinha” sobre a tsunami da crise, o jornal francês concordou com Lula. Na mesma hora surgiram comentários de que o cliente sempre tem razão – sobre a compra brasileira de caças de combate do país de Napoleão.

Mas o Brasil está tão bem assim? Para o governo está ainda melhor. Lula fecha o ano com mais de 80% de aprovação popular e com uma arma contra a oposição. Tudo pronto para a corrida eleitoral que também estará nas capas dos jornais do mundo todo.

E para o povo, como as coisas estão? Disso quase nada se lê no noticiário internacional. Mas se quem ama o feio bonito lhe parece, o simpático e adorável Brasil está perfeito aos olhos do mundo – pelo menos nos jornais.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

O fim pode ser um bom começo

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

O ano termina em 27 dias. Um ano que trouxe à tona datas marcantes em números redondos – uma interessante coincidência da História no fim de cada década: eventos que mudaram o mundo. E 2009 certamente já entrou para a lista de fatos marcantes com eventos como a grave crise econômica, gripe suína, morte de Michael Jackson, a descoberta de água na Lua e a posse de Obama.

Neste mesmo ano, prestes a terminar, lembraram dos 40 anos da chegada do homem à Lua e do disco Abbey Road, dos Beatles; 50 anos de carreira de Roberto Carlos, 20 da morte de Raul Seixas; o centenário dos clubes de futebol Internacional (RS) e Coritiba (PR); 110 do Vitória (BA), do Milan (ITA) e do Barcelona (ESP); 20 do São Caetano (SP) – precisamente neste dia 4 de dezembro.

São 50 anos também do início da Guerra do Vietnã; outros 30 da criação do Estado do Mato Grosso do Sul; 40 da criação dos Correios; 40 do Jornal Nacional (Rede Globo); e 40 do primeiro e-mail. São 120 anos da Proclamação da República no Brasil; 60 anos da criação da OTAN; 70 anos do primeiro poço de petróleo no Brasil; 70 do fim da Guerra Civil Espanhola e 70 do início da Segunda Guerra Mundial; e 80 anos do nascimento de Martin Luther King; 90 anos da primeira transmissão de rádio no Brasil; 120 anos do nascimento de Adolf Hitler e também de Charles Chaplin.

Há 120 anos também era inaugurada a torre Eiffel e fundada a cidade de Campo Grande (MS). Há 130 nascia Albert Einstein e Carlos Chagas; e há 140: Gandhi. Há 160 anos nascia Paul Cézanne. Outros 200 anos do nascimento de Abraham Lincoln e Charles Darwin. São 220 anos da Revolução Francesa e das primeiras eleições nacionais dos Estados Unidos; 710 da criação do Império Otomano – que durou até 1923.

E há 80 anos, também passávamos por uma grande crise econômica que deu dor de cabeça em muita gente – ainda bem que há 110 anos inventaram a aspirina. E tantas coisas mais...

terça-feira, novembro 03, 2009

De liberdade e esperança

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

Todo tipo de idealismo parece ter morrido. O que temos hoje são resquícios de tudo e de nada, distorções e mutações de todos os gêneros; e de todas as formas de governo conhecidas, não houve uma que não tenha tomado gosto pelo poder e usado isto em benefício próprio. Do ideal comunista vimos surgir o autoritarismo – da igualdade pela mão de ferro –, e do capitalista o consumismo – do quanto mais, melhor e para o bolso de poucos.

De toda forma, parte do mundo está migrando do consumismo – que ainda predomina – para um liberalismo real. Não aquele liberalismo econômico padronizado dos clássicos de economia, mas um que também possibilita a liberdade de pensamento. Um liberalismo mais social. A humanidade parece ter adquirido nestes últimos anos uma certa consciência de que a informação e a capacidade de pensar traz benefícios não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Pois é verdade que produzimos mais informações nos últimos 50 anos do que em vários outros séculos de História.

É claro que, em muitos lugares, muita gente ainda está longe disso. Além das limitações promovidas pela influência dos idealismos do passado – fatores econômicos, por exemplo –, há ainda os limitadores sociais – questões como o analfabetismo e a fome. Mas também se vê, em algumas regiões, o povo a escapar de dogmas – gerais, não somente os da fé –, e que a ciência tem possibilitado novas ideias – por mérito do acesso à informação. Ideias que podem mudar ainda mais o mundo.

Temos muito ainda para refletir e desenvolver, mas a saída desta mais recente crise econômica mostra que o mundo se reergueu com novas ideias, como novos anti-corpos. A crise ainda provou que o liberalismo atual não era lá muito liberal e que o Estado ainda é parte importante deste sistema. Mas agora, com as coisas voltando aos eixos, pode-se planejar uma nova estratégia para a economia – para que os erros não se repitam. E o papel do Estado não deve voltar a ser o proposto pelo capitalismo ou comunismo – como alguns acusaram o governo de Barack Obama, pós-crise –, nem por outros tantos ...ismos.

Resta a esperança de que se faça um Estado-Livre, planejado para que sua população tenha tempo de receber uma formação adequada e livre. O que só teremos depois de uma consciente disputa eleitoral e da pressão popular por resultados das ações dos eleitos. Bem, como disse: liberdade e esperança – ainda sonhos.

terça-feira, setembro 22, 2009

Honduras: pegaram o presidente de pijamas

*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino

Uma confusão danada em Honduras. Você já deve ter visto alguma coisa na TV ou na Internet sobre isso, mas não é muito fácil de entender. Agora imagine lá, onde os meios de comunicação estão sob censura e a população nem sabia que tinha acontecido um golpe de estado. Só quem soube da novidade foi a pequena parcela da população que tem Internet e TV a cabo.

Honduras é um país muito pobre, com um dos piores índices de desenvolvimento econômico na América Latina. A economia é baseada na agricultura, de onde vem a maior parte da receita do país, gerada pelo trabalho de 4,8 milhões de pessoas.

O golpe aconteceu no domingo do dia 28 de junho deste ano. No dia 30 aconteceria um referendo proposto pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, para saber se a população concordava em ter uma Assembléia Constituinte para fazer uma revisão na constituição do país. Mas existiam comentários de que isso era uma tentativa ilegal de derrubar uma lei que define que o mandato presidencial é de quatro anos, sem direito a reeleição. A Justiça, o Congresso e o Ministério Público decidiram que o referendo era inconstitucional.

Tanto a população a favor e a contra ao presidente começaram a fazer manifestações nas ruas da capital Tegucigalpa.

Confusão de objetivos

Zelaya diz que queria abrir caminho para uma constituição que favorecesse os pobres, (70% do país), e que o referendo era apenas para saber o que povo pensa. Por ser aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, existe o medo que ele queira instalar o mesmo populismo socialista no país da América Central.

Sua oposição diz que na verdade, o presidente queria impor uma nova constituição que permita a reeleição. E que ele só foi preso, porque descumpriu uma ordem judicial.

Como o presidente foi deposto

Imagine acordar com ao som de tiros. Depois você é tirado da cama por militares mascarados e levado, ainda de pijamas para o aeroporto da capital. Você nem sabe para onde está indo e ainda tiram seu celular! Foi isso que aconteceu com Zelaya, presidente deposto.

Na tarde daquele dia 28 o congresso de Honduras fez uma sessão de emergência e votou a saída do presidente. Também leram uma suposta carta de renúncia, a qual Manuel Zelaya nega ter escrito. O presidente do congresso, Roberto Micheletti, assumiu a presidência interina de Honduras. Algumas horas depois de uma briga feia entre os cidadãos a favor de Zelaya e a polícia, Micheletti deu uma entrevista a Rádio Nacional dizendo que "não houve golpe de Estado e nem nada parecido".

Ele quer que os outros países acreditem que a sua chegada ao poder está de acordo com a constituição. O problema é que todos os países da América são contra o golpe militar e querem que Zelaya volte ao governo. Sobre isso, o presidente deposto disse que "um governo roubado, que surge pela força, não pode ser aceito, não irá ser aceito por nenhum outro país".

Mas a Justiça e o Congresso de Honduras afirmam que o governo interino vai continuar até as eleições gerais, em novembro.

Solução?

Da fronteira com a Nicarágua, ao sul de Honduras, Zelaya pediu o apoio do povo e principalmente de soldados e oficiais de alto escalão, para que eles se rebelem contra a cúpula militar. "Há muita gente sofrendo dentro de meu país. Resistimos firmemente 28 dias e não tem havido um minuto de descanso até que os usurpadores saiam", disse o presidente deposto.

Oscar Árias, presidente da Costa Rica, propôs medidas para acabar com a crise política, porém um dos pontos do projeto é a volta de Zelaya ao poder, e esta é uma questão indiscutível para o Exército e para Micheletti. Eles não vão deixar o governo.

O que piora a situação: os países que antes eram aliados agora começam a cortar auxílios a Honduras, que por ser muito pobre, precisa deles, principalmente em meio a crise econômica mundial.

Últimas informações

Manuel Zelaya conseguiu retornar ao país e está abrigado na embaixada brasileira. O presidente deposto diz que seu lema agora é “pátria, restituição ou morte”.

Nesta manhã a embaixada já estava sem energia elétrica e água. Houve conflito entre o exército do governo interino e manifestantes pró-Zelaya nos arredores da sede diplomática do Brasil.

A situação agora também é delicada para a diplomacia brasileira.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Uma revolução no seu bolso

*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino

Você já deve ter percebido que a tecnologia está tomando conta da nossa vida e a gente não está nem percebendo. Se falta energia uma hora é uma agonia, não dá pra ver TV, tomar banho, acender as luzes, muito menos usar o computador. Mas tem um aparelhinho chamado celular que continua funcionado, porque ele usa bateria (o problema é se ele ficar sem bateria, porque vai precisar carregá-lo na tomada).

E com o celular você pode assistir TV, acessar a Internet, e até usar o MSN. Sem contar com a câmera, que pode até ter flash, os joguinhos e as músicas em MP3, vídeos e tudo o mais. E como dizem por aí, dá até pra telefonar! Se você estiver com um celular num lugar sem luz, já tem bastante coisa pra fazer.

Li que os inscritos no Enem que informaram o número do seu celular irão receber o número de inscrição por mensagem de texto, ou SMS. O Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) está analisando a possibilidade de enviar o número e o local de prova por e-mail. Mesmo assim, todas essas informações ainda serão enviadas pelo correio, até 25 de setembro.

E quem não receber pode ainda acessar o site do Enem com a sua senha e CPF, pra conferir tudo certinho lá. A ideia é mesmo enviar a informação por todos os meios possíveis. Não tem desculpa pra perder a prova. Informação é o que não falta.

Apenas um celular

E, por falar em informação, estamos na era dela. Hoje podemos saber o que está acontecendo do outro lado do mundo por uma informação enviada em 140 caracteres, pelo Twitter. Foi isso que permitiu que o mundo todo soubesse o que estava acontecendo no Irã, no dia 13 de junho.

Depois da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad milhares de pessoas foram pras ruas protestar contra o resultado da votação. Foi considerada a maior onda de protestos desde a Revolução Islâmica em 1979. Para cobrir as eleições, 650 jornalistas estrangeiros estavam em Teerã, a capital. Mas ninguém estava transmitindo porque todas as credenciais da imprensa foram canceladas.

Acontece que a população, sabendo que no mundo que vivemos se dá muito valor à imagem, começou a tirar fotos, fazer vídeos pro Youtube e postar tudo na rede através dos celulares. E tudo isso ia crescendo no Twitter dos iranianos. A hashtag, ou marca nas mensagens pra identificar o assunto, #iranelection (eleições do Irã) tomou conta dos microblogs.

Parando pra pensar, o governo iraniano só poderia bloquear as manifestações para o mundo se cortasse as redes de telefonia. Mas a preocupação era com a mídia tradicional, principalmente a televisão. A informação hoje já ultrapassa todas as barreiras. Se dizem que quem detém a informação, detém o poder, os manifestantes foram além das suas fronteiras, pra mostrar o seu poder pro governo.

Quando Martin Cooper inventou o celular em 1973, nem imaginava que ele pudesse ser tão importante na manifestação do pensamento de um povo. Um pequeno aparelho se transformou em uma ferramenta que mantém sua função original, que é transmitir uma informação pra alguém. Mas hoje essa comunicação não se limita a apenas um telefonema. O mundo pode te ouvir, ver, ler e ainda responder. Você tem uma arma na mão e nem sabia, né? Nem eu.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Crise econômica e novas doenças

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

Entre 1981 e 1983 o mundo passou por uma forte crise econômica. Na América Latina falava-se em moratória e o México puxava a fila em um de seus períodos mais graves. A crise do início da década de 80 também chegou ao Brasil, o assunto por aqui era a dívida externa impossível de se pagar e a inflação – a renda per capita despencou.

Naquele ano de 1983 um vírus originário dos símios foi identificado por franceses e portugueses, estava desvendado o causador da síndrome da imunodeficiência adquirida – a AIDS, na sigla em inglês. O sistema imunológico humano não soube combater o invasor e a esperança para os que contraem a doença ficou nas mãos dos laboratórios e seus coquetéis de alto preço. A crise passou e a AIDS alcançou o mundo todo, silenciosamente. Matou todo tipo de pessoa, independente de sexo, raça ou classe social.

Os anos 80 passaram, o muro de Berlim caiu, a Guerra Fria acabou e lá estávamos em 1995 quando uma nova crise ameaçou se formar e desestabilizar o sistema econômico. No Brasil, esta quase-crise fez com que alguns bancos fossem vendidos e outros fechassem – Nacional, Bamerindus, Econômico, por exemplo. No ano seguinte, uma doença rara e mortalmente rápida reapareceu na África central: o ebola. Dessa vez a crise não aconteceu de fato e passou, como o vírus, de forma bastante rápida. Mas não sem antes espalhar o medo pelo mundo.

Entre 1997 e 1999 breves doses de novas crises, mas foi possível chegar com certa tranquilidade ao novo milênio. Veio o medo do Bug do ano 2000, queda nas bolsas; em 2001 o atentado do dia 11 de setembro e um mundo preocupado com a segurança, no mesmo ano os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e dois anos depois o Iraque também estava explosivo – o que resultou no alto preço do petróleo. Nos anos seguintes a Ásia balançou, a crise voltou a atingir América Latina, a Rússia e chegou à Europa. Foi nessa época que a gripe das aves foi identificada em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou o mundo para o risco de uma nova pandemia, gastou-se milhões com remédios e vacinas. Possivelmente o dinheiro que circulou devido ao medo do terrorismo e da “nova” gripe tenha contribuído para reanimar o mercado internacional nesse começo de século. A tempestade passou, veio a calmaria.

E tudo ia bem até o ano de 2008, quando uma nova crise chegou. Todos os jornais do mundo noticiaram o infeliz momento da economia global – cada vez mais integrada e virtual. Bancos quebraram, empresas pediram ajuda aos governos, as maiores economias do mundo entraram em recessão. Dessa vez, os países em desenvolvimento sentiram menos o impacto da crise e continuaram a vida a seu modo. Foi quando, no México, uma nova doença foi identificada: a gripe suína – mais tarde chamada de Influenza A, H1N1. Logo o medo da pandemia estava na cara das pessoas, nas capas dos jornais, nos anúncios da TV. O vírus alcançou as maiores cidades do mundo em pouco tempo, mas se adaptou mesmo foi ao inverno gelado dos países do hemisfério sul – milhares de casos registrados na Argentina e no Chile.

A gripe, apesar de ter tirado a vida de muita gente, gerou dinheiro e emprego – como todas as outras doenças e guerras que conhecemos. Os governos dos países atingidos ou não, pelo vírus, passaram a comprar grandes doses de medicamentos e acessórios para uma possível “prevenção”. O dinheiro do mundo voltou a circular. O comércio exterior não parou como ameaçava meses antes. Mais uns meses e alguns países saíram da recessão. E a melhor notícia: a vacina está quase pronta para o uso, em tempo de impedir que a gripe alcance os países do hemisfério norte durante o inverno que está por vir.

Mais uma vez a crise dá sinal de que logo vai passar – já é possível ver no noticiário que algumas economias mundiais saíram do vermelho –, e o número de casos de gripe tem diminuído por aqui.

Revendo o passado, ligando os pontos, pode-se pensar numa relação entre economia e saúde – não é de hoje que esses dois assuntos andam juntos. A gripe espanhola, por exemplo, foi identificada logo após a Primeira Guerra Mundial por volta de 1918. A gripe aviária, na Ásia, já havia aparecido nos anos 60 – durante a disputa Estados Unidos x União Soviética e as guerras no Vietnã e na península da Coreia. O ebola também já havia afetado alguns povos da África no ano de 1976.

Talvez nossa História seja mesmo cíclica – com umas poucas mutações.

domingo, agosto 30, 2009

Para alguém que vai

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.

Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.

E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.

O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.

Até a volta!

quinta-feira, agosto 06, 2009

América Latina e outro continente a sua escolha

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

Nos dias de chuva ou quando todos tinham vontade, alguns amigos se reuniam e continuavam uma partida de War, que começaram havia um certo tempo. Resolveram deixar os objetivos das cartas de lado e tentar dominar o mundo – mesmo sabendo que o jogo se tornaria quase interminável. Mas estavam de férias, então continuaram.

No sorteio das cartas ele havia tirado “América Latina e outro continente a sua escolha”, mas com a decisão de conquistar o mundo todo, fez pouco caso e jogou. Num lance de dados, tio Sam começa a avançar para o sul do Caribe. Era a parte que faltava para sua estratégia, pois não há mais perigo de reação do velho Kremlin – agora roncando – com suas poucas peças na Ásia.

A Europa, depois de anos lutando contra os dados que eram jogados por lá, se rebelou e acumulou peças, conquistou parte da África e hoje vive sem grandes objetivos nesse tabuleiro. Quase o mundo todo já foi vencido, pelas armas ou pelos ideais e culturas. Até a China se deixou invadir.

De vez em quando ainda se ouve reações de pequenos exércitos querendo lançar seus dados contra o sempre atento e hiperativo tio Sam. Batem na mesa e jogam sem saber que logo perderão suas últimas pedras coloridas.

A entrada do exército do Norte no território sul americano, ao que tudo indica – depois de algumas rodadas –, será pelos Andes. Ali perto, um último combatente ameaça contra-atacar. Huguito, como é chamado pelos amigos da mesa – com seu sorriso sarcástico estampado na cara –, vive reclamando das novas regras do jogo e ainda pensa em liderar a América do Sul. Os demais jogadores parecem aceitar a vitória e querem apenas cuidar do que têm, travando pequenas batalhas regionais – para que os jogadores mais exaltados não queiram acabar com o tabuleiro e recomeçar a partida.

Quando o clima começa a esquentar, a mãe de Europa, Terra, traz um lanche e suco para acalmar os jogadores. Ainda assim, de vez em quando, discutem. Foi o que aconteceu com um velho amigo chamado Hussein, que brigou com todo mundo e quase partiu para a agressão – acabou mandado embora pelos outros colegas, antes que a coisa piorasse. Depois de momentos assim, os amigos deixam o tabuleiro de lado e vão brincar com seus foguetes de água, nadar, contar piadas, jogar bola – chamam de Olimpíadas.

Dia desses, Terra chegou em casa dizendo que tinha pouca coisa para oferecer e que estava em crise. Os jogadores ficaram desanimados e resolveram ajudá-la nas tarefas do lar. “Depois a gente termina, vamos brincar”, chamou um dos mais novos jogadores, Luís.

Luís não parecia muito preocupado. “É só um jogo!”, repetia – tentando controlar seus amigos, os irmãos Álvaro e Huguito, que haviam discutido dias antes quando um quis atacar o território do outro. Álvaro, que controlava os Andes e perdeu nos dados para o tio Sam, chamou Luís para uma conversa – estava preocupado com as reações nervosas do irmão.

Sorridente e não compreendendo bem o espanhol do colega andino, Luís tratou de acalmar a todos contando que havia encontrado algo interessante em seu quintal. Tio Sam disfarçou, como se deixasse o assunto com Álvaro esfriar, e foi logo conversar com Luís. Ofereceu uns brinquedos em troca do novo achado e estão até agora conversando.

Qualquer dia eles voltam para o tabuleiro.
 

CONTATO
Colaboradores Ana Carla Teixeira, Anderson Paes, Camila Rufine, Carlos Karan, Deyse Zarichta, Eduardo Daniel, Emanuela Silva, Emanuelle Querino,
Emmanuel Carvalho, Fabiano Bordignon, Fabrício Espíndola, Francine de Mattos, Gabriel Guedes, Germaá Oliveira, Guilherme Marcon, Isabel Cunha, Kellen Baesso, Manuela Prá, Patrícia Martins, Thiago Antunes, Thiago Schwartz, Tiago Tavares, Valter Ziantoni,Van Luchiari, Vanessa Feltrin, Vitor S. Castelo Branco, Viviany Pfleger

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