Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
É lugar entre os empresários a reclamação pela falta de mão-de-obra para os serviços mais simples. Culpam sobre tudo a política paternalista exercida nos oito anos de Governo Lula e enxergam mudanças nos anos vindouros de sua sucessora.
Esquecem, no entanto que a dificuldade de encontrar uma mão-de-obra que se submeta a condições de trabalho degradante e a salários incompatíveis com o nível de vida que o país possa oferecer, pode significar amadurecimento e crescimento econômico e não uma tendência dos menos favorecidos financeiramente ao ócio.
Este crescimento deve levar o Brasil a uma situação curiosa, já vivida pela Europa (que enviou emigrantes para os novos continentes no final do século 19): inverter a balança exportação/importação de mão-de-obra.
Não espero por muito tempo para ver circulando entre nós, hermanos oriundos de países latinos mais pobres. E é aí que o Brasil pode ensinar o mundo mais uma vez, ao permitir o convívio com harmonia, liberdade e igualdade entre todos.
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segunda-feira, março 28, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
O preço que se paga
Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Num escritório em Florianópolis (SC) alguém dá a ordem de impressão para as faturas do mês. Um outro a recebe e aperta um botão. O sinal do computador prontamente é enviado à impressora, que se move e marca no papel caracteres e gráficos em preto, azul e vermelho.
Tudo isso graças à energia elétrica que alimenta os aparelhos cinzas naquelas salas, extraída muito provavelmente das usinas térmicas a carvão do litoral sul catarinense – ou talvez de alguma pequena hidrelétrica, limpa, mas que causou impacto relevante à região em que está. E ainda tem o papel, que motivou a derrubada de algumas árvores.
E com tudo impresso, uma folha em especial será dobrada, posta num envelope, e seguirá até o seu destinatário – cerca de 130 km dali. Consumindo combustível fóssil, poluindo o ar, e contribuindo negativamente para o pesado e arriscado trânsito da, em obras, BR-101 Sul.
A correspondência então chegou: uma fatura da operadora de telefonia TIM. Ao abrir a carta o destinatário lê seu conteúdo e ri, espantado. O valor: R$0,06. “Não paga nem o papel da conta”, afirma. Quem dirá o processo todo!?
Nos últimos anos as empresas têm criado cada vez mais uma imagem de “empresa amiga do meio ambiente” ou qualquer coisa parecida. A questão ambiental está em alta. Ao mesmo tempo, ignoram tudo isso por seis centavos. Vale a pena?

Imagem da fatura que chegou a um cliente TIM, da cidade Laguna (SC).
Isso não acontece apenas com a TIM. Acredito que os bancos de dados das empresas não estejam programados para levar em consideração cálculos individuais e sim o total “a receber”. Enfim, máquinas não pensam no meio ambiente – sequer pensam nas pessoas, como aquelas gravações de menu. Pessoas pensam no meio ambiente. Pessoas pensam em pessoas.
Num escritório em Florianópolis (SC) alguém dá a ordem de impressão para as faturas do mês. Um outro a recebe e aperta um botão. O sinal do computador prontamente é enviado à impressora, que se move e marca no papel caracteres e gráficos em preto, azul e vermelho.
Tudo isso graças à energia elétrica que alimenta os aparelhos cinzas naquelas salas, extraída muito provavelmente das usinas térmicas a carvão do litoral sul catarinense – ou talvez de alguma pequena hidrelétrica, limpa, mas que causou impacto relevante à região em que está. E ainda tem o papel, que motivou a derrubada de algumas árvores.
E com tudo impresso, uma folha em especial será dobrada, posta num envelope, e seguirá até o seu destinatário – cerca de 130 km dali. Consumindo combustível fóssil, poluindo o ar, e contribuindo negativamente para o pesado e arriscado trânsito da, em obras, BR-101 Sul.
A correspondência então chegou: uma fatura da operadora de telefonia TIM. Ao abrir a carta o destinatário lê seu conteúdo e ri, espantado. O valor: R$0,06. “Não paga nem o papel da conta”, afirma. Quem dirá o processo todo!?
Nos últimos anos as empresas têm criado cada vez mais uma imagem de “empresa amiga do meio ambiente” ou qualquer coisa parecida. A questão ambiental está em alta. Ao mesmo tempo, ignoram tudo isso por seis centavos. Vale a pena?

Imagem da fatura que chegou a um cliente TIM, da cidade Laguna (SC).
Isso não acontece apenas com a TIM. Acredito que os bancos de dados das empresas não estejam programados para levar em consideração cálculos individuais e sim o total “a receber”. Enfim, máquinas não pensam no meio ambiente – sequer pensam nas pessoas, como aquelas gravações de menu. Pessoas pensam no meio ambiente. Pessoas pensam em pessoas.
terça-feira, março 23, 2010
Muita lata para pouco níquel
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Em 2008, um catador de latinhas de alumínio, precisava juntar 70 unidades para arrecadar algo em torno de R$ 4. Hoje, com 90 latas, ele não lucrará mais do que R$ 2.
À desvalorização do material por eles recolhidos, soma-se a concorrência dos moradores de rua, dos proprietários dos estabelecimentos que guardam as latas para obterem um lucro – embora pequeno – extra.
Outro ponto culminante é o fato de que as fabricantes das latas de alumínio reduziram o peso do material diminuindo a espessura da lâmina de alumínio para aumentar a produção.
Alguns catadores chegam a andar 21 quilômetros por dia e conseguem voltar para a casa com apenas R$ 20 no bolso. Um saco cheio de latinhas pode render até R$ 3 e muitos deles preferem guardar para vender um volume maior.
Enquanto o material não perde ainda mais o valor de mercado e as latinhas representarem uma fonte de sobrevivência para muitas famílias, as ruas brasileiras seguirão livres do lixo produzido após grandes eventos em locais públicos.
Além do temor social que a desvalorização das latinhas de alumínio pode trazer, o caos ambiental e higiênico nas grandes cidades também pode se tornar lastimável.
Seguindo a queda apresentada nos primeiros parágrafos, em dois anos poucos se aventurarão neste árduo ofício.
_____
Com dados do Diário Gaúcho de 09/03/2010
Em 2008, um catador de latinhas de alumínio, precisava juntar 70 unidades para arrecadar algo em torno de R$ 4. Hoje, com 90 latas, ele não lucrará mais do que R$ 2.
À desvalorização do material por eles recolhidos, soma-se a concorrência dos moradores de rua, dos proprietários dos estabelecimentos que guardam as latas para obterem um lucro – embora pequeno – extra.
Outro ponto culminante é o fato de que as fabricantes das latas de alumínio reduziram o peso do material diminuindo a espessura da lâmina de alumínio para aumentar a produção.
Alguns catadores chegam a andar 21 quilômetros por dia e conseguem voltar para a casa com apenas R$ 20 no bolso. Um saco cheio de latinhas pode render até R$ 3 e muitos deles preferem guardar para vender um volume maior.
Enquanto o material não perde ainda mais o valor de mercado e as latinhas representarem uma fonte de sobrevivência para muitas famílias, as ruas brasileiras seguirão livres do lixo produzido após grandes eventos em locais públicos.
Além do temor social que a desvalorização das latinhas de alumínio pode trazer, o caos ambiental e higiênico nas grandes cidades também pode se tornar lastimável.
Seguindo a queda apresentada nos primeiros parágrafos, em dois anos poucos se aventurarão neste árduo ofício.
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Com dados do Diário Gaúcho de 09/03/2010
terça-feira, outubro 13, 2009
SC tem muito a ganhar com a Copa e as Olimpíadas
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
A maioria dos catarinenses ainda não se conforma com o fato de Florianópolis ter ficado de fora da Copa do Mundo de 2014 e, a escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 parece ter reaberto as feridas mal cicatrizadas dos barrigas-verdes. Não podemos, no entanto, fechar os olhos para os lucros que Santa Catarina ainda pode obter com os dois maiores eventos do planeta.
Com a economia pujante, forte e sólida, Santa Catarina é uma marca consolidada em todo o território nacional. Os produtos, serviços e tecnologia aqui desenvolvidos e ofertados para as demais unidades federativas da nação, enchem os olhos dos compradores.
O Pan-Americano na capital fluminense em 2007 já deu provas do poderio estadual nos negócios envolvendo a construção dos centros esportivos. O Estado sulino vendeu desde impermeabilizantes para as piscinas, cadeiras para os ginásios e estádios, até copos e pratos descartáveis.
Quando as obras para a Copa do Mundo iniciarem, nossas rodovias e portos assistirão a um verdadeiro desfile de produtos para as cidades-sedes (ganham as transportadoras, os postos de combustíveis, as borracharias, as oficinas mecânicas, etc). Produzimos aqui, com excelência e qualidade de primeiro mundo praticamente tudo o que vai ser necessário: cerâmica, canos, metais, tintas, plásticos e, entre outros, alimento.
Nosso Estado tem os maiores índices de educação do país, o povo é extremamente acolhedor, as paisagens são ímpares. Cabe a divulgação e o convite para que os estrangeiros nos visitem. Estaremos, afinal de contas, entre duas sedes da Copa e, certamente, muito torcedor vai cruzar nosso estado por terra.
Santa Catarina vai ganhar muito com a Copa e as Olimpíadas. Basta descruzar os braços e seguir o trabalho. O caminho está certo e o futuro é promissor.
A maioria dos catarinenses ainda não se conforma com o fato de Florianópolis ter ficado de fora da Copa do Mundo de 2014 e, a escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 parece ter reaberto as feridas mal cicatrizadas dos barrigas-verdes. Não podemos, no entanto, fechar os olhos para os lucros que Santa Catarina ainda pode obter com os dois maiores eventos do planeta.
Com a economia pujante, forte e sólida, Santa Catarina é uma marca consolidada em todo o território nacional. Os produtos, serviços e tecnologia aqui desenvolvidos e ofertados para as demais unidades federativas da nação, enchem os olhos dos compradores.
O Pan-Americano na capital fluminense em 2007 já deu provas do poderio estadual nos negócios envolvendo a construção dos centros esportivos. O Estado sulino vendeu desde impermeabilizantes para as piscinas, cadeiras para os ginásios e estádios, até copos e pratos descartáveis.
Quando as obras para a Copa do Mundo iniciarem, nossas rodovias e portos assistirão a um verdadeiro desfile de produtos para as cidades-sedes (ganham as transportadoras, os postos de combustíveis, as borracharias, as oficinas mecânicas, etc). Produzimos aqui, com excelência e qualidade de primeiro mundo praticamente tudo o que vai ser necessário: cerâmica, canos, metais, tintas, plásticos e, entre outros, alimento.
Nosso Estado tem os maiores índices de educação do país, o povo é extremamente acolhedor, as paisagens são ímpares. Cabe a divulgação e o convite para que os estrangeiros nos visitem. Estaremos, afinal de contas, entre duas sedes da Copa e, certamente, muito torcedor vai cruzar nosso estado por terra.
Santa Catarina vai ganhar muito com a Copa e as Olimpíadas. Basta descruzar os braços e seguir o trabalho. O caminho está certo e o futuro é promissor.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Ouro negro: o petróleo do pré-sal
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Se você está ligado no noticiário já deve ter ouvido falar no pré-sal, que tem alguma coisa a ver com petróleo e gás, e que tem alguma coisa que está fazendo com que isto seja assunto de discussão no Congresso e no país inteiro. Quer saber o que é essa coisa? Dinheiro.
O petróleo que é encontrado depois do pré-sal tem as qualidades preservadas. O pré-sal é uma camada que fica há mais de 7 mil metros de profundidade, abaixo do mar, se estendendo por 800 quilômetros do litoral brasileiro. Essa extensão vai desde o Espírito Santo até Santa Catarina. Faz parte três bacias sedimentares: Santos, Campos e Espírito Santo.
Outros campos de petróleo já foram encontrados no pré-sal, o principal é o de Tupi. A diferença é que a nova descoberta indica que existe muito mais petróleo naquela área. A Petrobras acredita que Tupi tenha entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, mas os novos cálculos indicaram que essa capacidade pode ficar entre 12 e 30 bilhões de barris.
“Moro num país tropical, abençoado...”
Agora veja, o Brasil produz pouco mais de 13 bilhões de barris por ano (dados da ANP – Agência Nacional de Petróleo). Com a exploração das novas reservas poderia até dobrar a produção de óleo e gás. Ficaríamos entre os 10 países mais produtores do mundo. É uma sorte grande!
Acontece que a Petrobrás ainda não tem certeza dessa capacidade. E isso não permite que se saiba ao certo quando vamos poder começar a extrair e quanto dinheiro iremos lucrar. Iremos, ou irão. Ainda não se decidiu como será a exploração.
Como existem diversas possibilidades de lucro, e a grana que vai rolar é bem alta, a área do pré-sal não vai ser leiloada antes da definição da nova Lei do Petróleo. O governo tem falado em investir os lucros na educação, como forma de reverter o benefício para os mais pobres. Para a exploração, fala-se em criar uma nova empresa estatal – a Petrosal. E esta, então, contrataria outras empresas petrolíferas para dividir os custos, já que este tipo de negócio é muito caro.
E toda essa indefinição só causa discussão, porque cada estado quer receber o chamado royalty, que são os direitos sobre a posse. Se há petróleo no seu terreno, você tem direito de receber uma porcentagem do lucro, porque o que existe abaixo da terra é, por lei, da união.
Mas muita água, ou muito petróleo, ainda vai rolar até o fim dessa história.
Se você está ligado no noticiário já deve ter ouvido falar no pré-sal, que tem alguma coisa a ver com petróleo e gás, e que tem alguma coisa que está fazendo com que isto seja assunto de discussão no Congresso e no país inteiro. Quer saber o que é essa coisa? Dinheiro.
O petróleo que é encontrado depois do pré-sal tem as qualidades preservadas. O pré-sal é uma camada que fica há mais de 7 mil metros de profundidade, abaixo do mar, se estendendo por 800 quilômetros do litoral brasileiro. Essa extensão vai desde o Espírito Santo até Santa Catarina. Faz parte três bacias sedimentares: Santos, Campos e Espírito Santo.
Outros campos de petróleo já foram encontrados no pré-sal, o principal é o de Tupi. A diferença é que a nova descoberta indica que existe muito mais petróleo naquela área. A Petrobras acredita que Tupi tenha entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, mas os novos cálculos indicaram que essa capacidade pode ficar entre 12 e 30 bilhões de barris.
“Moro num país tropical, abençoado...”
Agora veja, o Brasil produz pouco mais de 13 bilhões de barris por ano (dados da ANP – Agência Nacional de Petróleo). Com a exploração das novas reservas poderia até dobrar a produção de óleo e gás. Ficaríamos entre os 10 países mais produtores do mundo. É uma sorte grande!
Acontece que a Petrobrás ainda não tem certeza dessa capacidade. E isso não permite que se saiba ao certo quando vamos poder começar a extrair e quanto dinheiro iremos lucrar. Iremos, ou irão. Ainda não se decidiu como será a exploração.
Como existem diversas possibilidades de lucro, e a grana que vai rolar é bem alta, a área do pré-sal não vai ser leiloada antes da definição da nova Lei do Petróleo. O governo tem falado em investir os lucros na educação, como forma de reverter o benefício para os mais pobres. Para a exploração, fala-se em criar uma nova empresa estatal – a Petrosal. E esta, então, contrataria outras empresas petrolíferas para dividir os custos, já que este tipo de negócio é muito caro.
E toda essa indefinição só causa discussão, porque cada estado quer receber o chamado royalty, que são os direitos sobre a posse. Se há petróleo no seu terreno, você tem direito de receber uma porcentagem do lucro, porque o que existe abaixo da terra é, por lei, da união.
Mas muita água, ou muito petróleo, ainda vai rolar até o fim dessa história.
quarta-feira, setembro 16, 2009
Crise econômica e novas doenças
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Entre 1981 e 1983 o mundo passou por uma forte crise econômica. Na América Latina falava-se em moratória e o México puxava a fila em um de seus períodos mais graves. A crise do início da década de 80 também chegou ao Brasil, o assunto por aqui era a dívida externa impossível de se pagar e a inflação – a renda per capita despencou.
Naquele ano de 1983 um vírus originário dos símios foi identificado por franceses e portugueses, estava desvendado o causador da síndrome da imunodeficiência adquirida – a AIDS, na sigla em inglês. O sistema imunológico humano não soube combater o invasor e a esperança para os que contraem a doença ficou nas mãos dos laboratórios e seus coquetéis de alto preço. A crise passou e a AIDS alcançou o mundo todo, silenciosamente. Matou todo tipo de pessoa, independente de sexo, raça ou classe social.
Os anos 80 passaram, o muro de Berlim caiu, a Guerra Fria acabou e lá estávamos em 1995 quando uma nova crise ameaçou se formar e desestabilizar o sistema econômico. No Brasil, esta quase-crise fez com que alguns bancos fossem vendidos e outros fechassem – Nacional, Bamerindus, Econômico, por exemplo. No ano seguinte, uma doença rara e mortalmente rápida reapareceu na África central: o ebola. Dessa vez a crise não aconteceu de fato e passou, como o vírus, de forma bastante rápida. Mas não sem antes espalhar o medo pelo mundo.
Entre 1997 e 1999 breves doses de novas crises, mas foi possível chegar com certa tranquilidade ao novo milênio. Veio o medo do Bug do ano 2000, queda nas bolsas; em 2001 o atentado do dia 11 de setembro e um mundo preocupado com a segurança, no mesmo ano os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e dois anos depois o Iraque também estava explosivo – o que resultou no alto preço do petróleo. Nos anos seguintes a Ásia balançou, a crise voltou a atingir América Latina, a Rússia e chegou à Europa. Foi nessa época que a gripe das aves foi identificada em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou o mundo para o risco de uma nova pandemia, gastou-se milhões com remédios e vacinas. Possivelmente o dinheiro que circulou devido ao medo do terrorismo e da “nova” gripe tenha contribuído para reanimar o mercado internacional nesse começo de século. A tempestade passou, veio a calmaria.
E tudo ia bem até o ano de 2008, quando uma nova crise chegou. Todos os jornais do mundo noticiaram o infeliz momento da economia global – cada vez mais integrada e virtual. Bancos quebraram, empresas pediram ajuda aos governos, as maiores economias do mundo entraram em recessão. Dessa vez, os países em desenvolvimento sentiram menos o impacto da crise e continuaram a vida a seu modo. Foi quando, no México, uma nova doença foi identificada: a gripe suína – mais tarde chamada de Influenza A, H1N1. Logo o medo da pandemia estava na cara das pessoas, nas capas dos jornais, nos anúncios da TV. O vírus alcançou as maiores cidades do mundo em pouco tempo, mas se adaptou mesmo foi ao inverno gelado dos países do hemisfério sul – milhares de casos registrados na Argentina e no Chile.
A gripe, apesar de ter tirado a vida de muita gente, gerou dinheiro e emprego – como todas as outras doenças e guerras que conhecemos. Os governos dos países atingidos ou não, pelo vírus, passaram a comprar grandes doses de medicamentos e acessórios para uma possível “prevenção”. O dinheiro do mundo voltou a circular. O comércio exterior não parou como ameaçava meses antes. Mais uns meses e alguns países saíram da recessão. E a melhor notícia: a vacina está quase pronta para o uso, em tempo de impedir que a gripe alcance os países do hemisfério norte durante o inverno que está por vir.
Mais uma vez a crise dá sinal de que logo vai passar – já é possível ver no noticiário que algumas economias mundiais saíram do vermelho –, e o número de casos de gripe tem diminuído por aqui.
Revendo o passado, ligando os pontos, pode-se pensar numa relação entre economia e saúde – não é de hoje que esses dois assuntos andam juntos. A gripe espanhola, por exemplo, foi identificada logo após a Primeira Guerra Mundial por volta de 1918. A gripe aviária, na Ásia, já havia aparecido nos anos 60 – durante a disputa Estados Unidos x União Soviética e as guerras no Vietnã e na península da Coreia. O ebola também já havia afetado alguns povos da África no ano de 1976.
Talvez nossa História seja mesmo cíclica – com umas poucas mutações.
Entre 1981 e 1983 o mundo passou por uma forte crise econômica. Na América Latina falava-se em moratória e o México puxava a fila em um de seus períodos mais graves. A crise do início da década de 80 também chegou ao Brasil, o assunto por aqui era a dívida externa impossível de se pagar e a inflação – a renda per capita despencou.
Naquele ano de 1983 um vírus originário dos símios foi identificado por franceses e portugueses, estava desvendado o causador da síndrome da imunodeficiência adquirida – a AIDS, na sigla em inglês. O sistema imunológico humano não soube combater o invasor e a esperança para os que contraem a doença ficou nas mãos dos laboratórios e seus coquetéis de alto preço. A crise passou e a AIDS alcançou o mundo todo, silenciosamente. Matou todo tipo de pessoa, independente de sexo, raça ou classe social.
Os anos 80 passaram, o muro de Berlim caiu, a Guerra Fria acabou e lá estávamos em 1995 quando uma nova crise ameaçou se formar e desestabilizar o sistema econômico. No Brasil, esta quase-crise fez com que alguns bancos fossem vendidos e outros fechassem – Nacional, Bamerindus, Econômico, por exemplo. No ano seguinte, uma doença rara e mortalmente rápida reapareceu na África central: o ebola. Dessa vez a crise não aconteceu de fato e passou, como o vírus, de forma bastante rápida. Mas não sem antes espalhar o medo pelo mundo.
Entre 1997 e 1999 breves doses de novas crises, mas foi possível chegar com certa tranquilidade ao novo milênio. Veio o medo do Bug do ano 2000, queda nas bolsas; em 2001 o atentado do dia 11 de setembro e um mundo preocupado com a segurança, no mesmo ano os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e dois anos depois o Iraque também estava explosivo – o que resultou no alto preço do petróleo. Nos anos seguintes a Ásia balançou, a crise voltou a atingir América Latina, a Rússia e chegou à Europa. Foi nessa época que a gripe das aves foi identificada em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou o mundo para o risco de uma nova pandemia, gastou-se milhões com remédios e vacinas. Possivelmente o dinheiro que circulou devido ao medo do terrorismo e da “nova” gripe tenha contribuído para reanimar o mercado internacional nesse começo de século. A tempestade passou, veio a calmaria.
E tudo ia bem até o ano de 2008, quando uma nova crise chegou. Todos os jornais do mundo noticiaram o infeliz momento da economia global – cada vez mais integrada e virtual. Bancos quebraram, empresas pediram ajuda aos governos, as maiores economias do mundo entraram em recessão. Dessa vez, os países em desenvolvimento sentiram menos o impacto da crise e continuaram a vida a seu modo. Foi quando, no México, uma nova doença foi identificada: a gripe suína – mais tarde chamada de Influenza A, H1N1. Logo o medo da pandemia estava na cara das pessoas, nas capas dos jornais, nos anúncios da TV. O vírus alcançou as maiores cidades do mundo em pouco tempo, mas se adaptou mesmo foi ao inverno gelado dos países do hemisfério sul – milhares de casos registrados na Argentina e no Chile.
A gripe, apesar de ter tirado a vida de muita gente, gerou dinheiro e emprego – como todas as outras doenças e guerras que conhecemos. Os governos dos países atingidos ou não, pelo vírus, passaram a comprar grandes doses de medicamentos e acessórios para uma possível “prevenção”. O dinheiro do mundo voltou a circular. O comércio exterior não parou como ameaçava meses antes. Mais uns meses e alguns países saíram da recessão. E a melhor notícia: a vacina está quase pronta para o uso, em tempo de impedir que a gripe alcance os países do hemisfério norte durante o inverno que está por vir.
Mais uma vez a crise dá sinal de que logo vai passar – já é possível ver no noticiário que algumas economias mundiais saíram do vermelho –, e o número de casos de gripe tem diminuído por aqui.
Revendo o passado, ligando os pontos, pode-se pensar numa relação entre economia e saúde – não é de hoje que esses dois assuntos andam juntos. A gripe espanhola, por exemplo, foi identificada logo após a Primeira Guerra Mundial por volta de 1918. A gripe aviária, na Ásia, já havia aparecido nos anos 60 – durante a disputa Estados Unidos x União Soviética e as guerras no Vietnã e na península da Coreia. O ebola também já havia afetado alguns povos da África no ano de 1976.
Talvez nossa História seja mesmo cíclica – com umas poucas mutações.
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