Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
E a Tunísia viu que podia reclamar dos altos preços dos alimentos, do desemprego e corrupção. O povo foi às ruas e destituiu seu presidente – que abandonou o país rumo à Arábia Saudita. A discussão política ainda segue, ofuscada pelo capítulo egípcio.
E se o povo de Túnis pode, por que não no Cairo? O Egito, inspirado na atitude da Tunísia, exige a renúncia de seu presidente, Hosni Mubarak, de 82 anos – há 30 no cargo. O presidente, aos poucos, parece ceder à pressão popular – já diz que não será mais candidato nas próximas eleições. Sem números oficiais, a ONU diz que o número de mortos pode chegar a 300.
A revolta tunisiana serviu de exemplo em todo mundo árabe. No mesmo caminho estão Jordânia, Síria, Iêmen, Marrocos, entre outros. No Iêmen, o presidente desistiu de se candidatar à reeleição novamente. O rei da Jordânia nomeou um novo primeiro-ministro após protestos contra a política econômica adotada.
A população parece ter visto que pode mudar. Imagine quando os chineses, venezuelanos, cubanos, iranianos, dentre tantos outros, começarem a exigir algumas mudanças sinceras... aí sim haverá revolução popular – se nenhum líder quiser para si a revolução.
Entre presidentes e ditadores
Uma dúvida que surge em situações como essa é imposta pela mídia. Eles são sempre noticiados como presidentes, mas basta ter um protesto que viram ditadores. Por quê?
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quinta-feira, fevereiro 03, 2011
quarta-feira, dezembro 15, 2010
A crise que não deixa a Argentina
Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Crise econômica, política e agora uma crise social. A República Argentina tem vivido uma constante mudança de humor nos últimos anos. Recentemente o Governo de Cristina Kirchner tem enfrentado críticas sobre a liberdade de imprensa e confrontou veículos de comunicação. Numa Argentina pós-crise econômica, com câmbio desvalorizado, os reclames surgem cada vez mais nas ruas.
Com grande parte da população na região de Buenos Aires, a pobreza e o desemprego aparecem nas praças e nos parques. Protestos constantes invadem o centro. Plaza de Mayo é o alvo da maioria deles. Alguns tornam-se acampamentos: “Mil dias conscientizando o povo de que há uma história que se segue negando”, diz uma das faixas em nome de herdeiros da guerra das Malvinas.

Protesto por trabalho e moradia, seguindo para a Plaza de Mayo. (Foto: Anderson Paes)
Mas foi com a decisão de retomar áreas invadidas por sem-terra que a crise social se agravou. Uma delas no Parque Indoamericano, dentro da Vila Soldati, reduto de imigrantes – a maioria bolivianos. A polícia então tentou cumprir a ordem de despejo no Parque, onde estavam cerca de 5.000 pessoas – conflito que deixou mortos e feridos. Para piorar ainda mais a situação, o chefe de governo da capital Mauricio Macri culpou a imigração ilegal pela desordem, com certo teor de xenofobia segundo a imprensa local.
Para o jornal Página 12, as palavras de Macri levaram ao conflito entre as vilas: os argentinos da Vila Lugano e os imigrantes da Soldati entraram em confronto – deixando mais feridos e promovendo mais atos de xenofobia. O jornal definiu como a “batalha entre pobres e ainda mais pobres”. As vilas são “equivalentes às favelas brasileiras”, diz o motorista Jorge Ramos.
A fala do mandatário portenho também fez com que a embaixadora da Bolívia na Argentina, Leonor Arauco, pedisse uma retratação pública do governante.
No fim da tarde de ontem (14) um acordo entre os governos de Buenos Aires e da Argentina era firmado para estabelecer regras para um processo de assentamento, financiado por ambos.
Outro problema

Lixo espalhado começa a tomar a frente de unidade do McDonald's. (Foto: Anderson Paes)
No centro da cidade o lixo faz parte do problema. Catadores de papel, alguns deles agora moradores de rua, reviram e espalham o lixo pela calçada em busca de recicláveis. A estudante catarinense Diulliany Rosa, que vive em Buenos Aires, conta que as praças também foram cercadas durante a noite, para impedir que os moradores de rua permaneçam por lá. “Agora eles estão na rua, literalmente, e as praças ficam fechadas à noite”, relata a brasileira.
Crise econômica, política e agora uma crise social. A República Argentina tem vivido uma constante mudança de humor nos últimos anos. Recentemente o Governo de Cristina Kirchner tem enfrentado críticas sobre a liberdade de imprensa e confrontou veículos de comunicação. Numa Argentina pós-crise econômica, com câmbio desvalorizado, os reclames surgem cada vez mais nas ruas.
Com grande parte da população na região de Buenos Aires, a pobreza e o desemprego aparecem nas praças e nos parques. Protestos constantes invadem o centro. Plaza de Mayo é o alvo da maioria deles. Alguns tornam-se acampamentos: “Mil dias conscientizando o povo de que há uma história que se segue negando”, diz uma das faixas em nome de herdeiros da guerra das Malvinas.

Protesto por trabalho e moradia, seguindo para a Plaza de Mayo. (Foto: Anderson Paes)
Mas foi com a decisão de retomar áreas invadidas por sem-terra que a crise social se agravou. Uma delas no Parque Indoamericano, dentro da Vila Soldati, reduto de imigrantes – a maioria bolivianos. A polícia então tentou cumprir a ordem de despejo no Parque, onde estavam cerca de 5.000 pessoas – conflito que deixou mortos e feridos. Para piorar ainda mais a situação, o chefe de governo da capital Mauricio Macri culpou a imigração ilegal pela desordem, com certo teor de xenofobia segundo a imprensa local.
Para o jornal Página 12, as palavras de Macri levaram ao conflito entre as vilas: os argentinos da Vila Lugano e os imigrantes da Soldati entraram em confronto – deixando mais feridos e promovendo mais atos de xenofobia. O jornal definiu como a “batalha entre pobres e ainda mais pobres”. As vilas são “equivalentes às favelas brasileiras”, diz o motorista Jorge Ramos.
A fala do mandatário portenho também fez com que a embaixadora da Bolívia na Argentina, Leonor Arauco, pedisse uma retratação pública do governante.
No fim da tarde de ontem (14) um acordo entre os governos de Buenos Aires e da Argentina era firmado para estabelecer regras para um processo de assentamento, financiado por ambos.
Outro problema

Lixo espalhado começa a tomar a frente de unidade do McDonald's. (Foto: Anderson Paes)
No centro da cidade o lixo faz parte do problema. Catadores de papel, alguns deles agora moradores de rua, reviram e espalham o lixo pela calçada em busca de recicláveis. A estudante catarinense Diulliany Rosa, que vive em Buenos Aires, conta que as praças também foram cercadas durante a noite, para impedir que os moradores de rua permaneçam por lá. “Agora eles estão na rua, literalmente, e as praças ficam fechadas à noite”, relata a brasileira.
sexta-feira, dezembro 03, 2010
Paris também se armou

Cenas de 2010 • Em agosto Paris também estava armada. Além da Polícia, militares estavam nas ruas, estações e aeroporto. Meses depois ameaças de bomba em pontos turísticos da cidade – falso alarme.
Anderson Paes
www.twitter.com/andersonpaes
quarta-feira, dezembro 01, 2010
Um outro 'Inimigo do Estado'
Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
No último domingo (28) o site Wikileaks revelou informações confidenciais trocadas entre embaixadas e o governo dos Estados Unidos. O que deixou muita gente mal na foto e gerou um clima constrangedor para outros – principalmente para os americanos.
O Irã se viu cercado de gente que finge não querer uma intervenção militar ou invasão, quando na verdade muitos pedem por isso.
A China, até então grande aliado da Coreia do Norte, cogita a união da península coreana com ventos que sopram do Sul.
Do Brasil falam de um jogo duplo, de um jeitinho diante do terrorismo para não prejudicar a imagem do país – eis o interesse nacional? Até de uma chamada "paranoia" que envolve Amazônia e ONGs.
Mas o caso todo vai além da diplomacia e da "fofoca internacional", como alguns já dizem que se tornou.
O responsável pelo Wikileaks, Julian Assange, é agora procurado pela Interpol por um suposto crime cometido na Suécia. O site tem sido atacado constantemente e ora até fica offline. Há até quem peça o assassinato de Assange.
No fim parece que estão a escrever o roteiro de um filme, ironicamente americano, com toques de "Inimigo do Estado" (1998). Com tantos segredos por vazar, todos são capazes de tudo – o que também pode vir à luz futuramente. Como alguém disse certa vez: segredo entre três, só com os outros dois mortos.
• • •
"Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz" (Bertrand Russell)
Das revelações do Wikileaks até hoje, uma das que mais chamaram a atenção foi o vídeo onde jornalistas são assassinados por militares na guerra do Iraque.
No último domingo (28) o site Wikileaks revelou informações confidenciais trocadas entre embaixadas e o governo dos Estados Unidos. O que deixou muita gente mal na foto e gerou um clima constrangedor para outros – principalmente para os americanos.
O Irã se viu cercado de gente que finge não querer uma intervenção militar ou invasão, quando na verdade muitos pedem por isso.
A China, até então grande aliado da Coreia do Norte, cogita a união da península coreana com ventos que sopram do Sul.
Do Brasil falam de um jogo duplo, de um jeitinho diante do terrorismo para não prejudicar a imagem do país – eis o interesse nacional? Até de uma chamada "paranoia" que envolve Amazônia e ONGs.
Mas o caso todo vai além da diplomacia e da "fofoca internacional", como alguns já dizem que se tornou.
O responsável pelo Wikileaks, Julian Assange, é agora procurado pela Interpol por um suposto crime cometido na Suécia. O site tem sido atacado constantemente e ora até fica offline. Há até quem peça o assassinato de Assange.
No fim parece que estão a escrever o roteiro de um filme, ironicamente americano, com toques de "Inimigo do Estado" (1998). Com tantos segredos por vazar, todos são capazes de tudo – o que também pode vir à luz futuramente. Como alguém disse certa vez: segredo entre três, só com os outros dois mortos.
• • •
"Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz" (Bertrand Russell)
Das revelações do Wikileaks até hoje, uma das que mais chamaram a atenção foi o vídeo onde jornalistas são assassinados por militares na guerra do Iraque.
terça-feira, outubro 05, 2010
Filhos da mãe gentil
Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Na escolha entre o que é ruim e o que pode ser ainda pior, levados às zonas pelas orelhas, obrigados a entrar no jogo – pela mãe gentil que insiste a tratar o povo como “filho” incapaz de tomar decisões sozinho – muitos protestam e votam em qualquer um. Como se pusessem o Íbis – “o pior time do Brasil” – no campeonato mais importante.
— Só pra ver no que vai dar.
No que vai dar todos sabem, mas parecem não se importar. Como o filho que apronta apenas pra ver a mãe irritada, sabendo que logo farão as pazes.
Além do filho “revoltado”, há também o fanático, que nas madrugadas, sai a sujar as ruas com pedaços de papel marcados com a cara e o número de seus novos ídolos. Boa parte deles, ídolos de aluguel, cínicos que adotaram a política como profissão e veem o cargo público como um jeito fácil de ganhar dinheiro – e pra isso não se importam em jogar umas migalhas para os seguidores.
Outra parte dos votáveis é formada por ingênuos candidatos, tão apaixonados quanto os que os seguem, crentes de que o partido realmente aposta neles. Os foguetórios e as carreatas após a apuração das urnas mostram como ambos os lados tratam as eleições com paixão – como se os partidos fossem times de futebol e os eleitos seus campeões. O circo está armado.
Talvez seja a hora dessa mãe ceder um pouco, dar um pouco mais de liberdade a certas vontades – sem deixar virar uma bagunça (ainda maior) –, dialogar mais em vez de bater e mandar ter aquela conversa com os tios que fazem justiça com a lei dos outros.
São poucos os que ainda pensam na coletividade e atuam por querer algo melhor, pra realmente mudar. Aliás, é pelos filhos da mãe gentil, egoístas, que sempre sobram vagas para aqueles outros. Quatro anos pra que “talvez” fique tudo bem é tempo demais.
Na escolha entre o que é ruim e o que pode ser ainda pior, levados às zonas pelas orelhas, obrigados a entrar no jogo – pela mãe gentil que insiste a tratar o povo como “filho” incapaz de tomar decisões sozinho – muitos protestam e votam em qualquer um. Como se pusessem o Íbis – “o pior time do Brasil” – no campeonato mais importante.
— Só pra ver no que vai dar.
No que vai dar todos sabem, mas parecem não se importar. Como o filho que apronta apenas pra ver a mãe irritada, sabendo que logo farão as pazes.
Além do filho “revoltado”, há também o fanático, que nas madrugadas, sai a sujar as ruas com pedaços de papel marcados com a cara e o número de seus novos ídolos. Boa parte deles, ídolos de aluguel, cínicos que adotaram a política como profissão e veem o cargo público como um jeito fácil de ganhar dinheiro – e pra isso não se importam em jogar umas migalhas para os seguidores.
Outra parte dos votáveis é formada por ingênuos candidatos, tão apaixonados quanto os que os seguem, crentes de que o partido realmente aposta neles. Os foguetórios e as carreatas após a apuração das urnas mostram como ambos os lados tratam as eleições com paixão – como se os partidos fossem times de futebol e os eleitos seus campeões. O circo está armado.
Talvez seja a hora dessa mãe ceder um pouco, dar um pouco mais de liberdade a certas vontades – sem deixar virar uma bagunça (ainda maior) –, dialogar mais em vez de bater e mandar ter aquela conversa com os tios que fazem justiça com a lei dos outros.
São poucos os que ainda pensam na coletividade e atuam por querer algo melhor, pra realmente mudar. Aliás, é pelos filhos da mãe gentil, egoístas, que sempre sobram vagas para aqueles outros. Quatro anos pra que “talvez” fique tudo bem é tempo demais.
domingo, agosto 22, 2010
O motorista iraquiano
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
No meu último dia em Londres, a caminho do aeroporto de Heathrow, o motorista que me leva até lá é um iraquiano que foge ao estereótipo pré-fabricado no ocidente. Um sujeito com seus 40 e poucos anos, olhos claros, cabelos brancos. Um sotaque aparente, simpatia e indignação.
Bom, isso só descobri no caminho para o aeroporto. Sabe-se lá porquê me perguntou sobre a Holanda, pensando que eu fosse de lá. Quando eu disse que era brasileiro e novas perguntas vieram. Tínhamos algo em comum agora. “Temos um povo acolhedor em comum. Os latinos e as pessoas do Oriente Médio são mais felizes e acolhedoras, não são?”, perguntou ele, sorrindo. Concordei e comentei que conheci alguns árabes no tempo que vivi no Canadá, sempre fazendo piadas. Ele completou: “É, a gente tem que superar com o humor”. Algo que reconheci bem brasileiro.
Em seguida questionou se as coisas eram caras, se comparássemos Brasil e Inglaterra. Talvez pelo peso da minha mala, que só anda pesada porque cansei de carregar duas e coloquei a pequena dentro da maior. Bem, ele não conhece nossa carga tributária.
Mas o assunto foi interrompido por uma questão de trabalho:
— Terminal 5, certo?
— Sim, cinco.
Passado uns minutos, enquanto eu olhava pela janela as casas sem grades, ele tocou no assunto da guerra e na esperança que ainda tem. Comentei que os americanos estão deixando o Iraque. Ele disse que sim e continuou: “Mas essa guerra, essa coisa toda que acontece na minha terra, é por dinheiro. Ninguém se importa se somos muçulmanos, cristãos ou qualquer outra coisa. Disseram que havia armas por lá e não havia nada. Só desculpa. Só querem saber do dinheiro. E essa gente é tão gananciosa que no fim alguma razão têm uns loucos como Chávez e Ahmadinejad. É bem capaz de outra guerra começar. Gananciosos!”, exclamou, mostrando-se indignado.
O Terminal 5 estava próximo. O clima londrino com umas nuvens escuras viraram pergunta: “Você gostou do clima de Londres?”, questionou. Concordei e disse que me sentia bem naqueles 19 graus – depois de quase um ano vivendo no frio já não enfrento mais o calor do mesmo jeito.
“É aqui. Você já esteve aqui antes?”, perguntou enquanto parava o carro. Paguei a viagem e ele me ajudou com a mala. Agradeceu a corrida e a conversa.
E hoje penso que o iraquiano de Londres gostava de conversar e talvez, mais que isso, tivesse necessidade de ser ouvido. A população em geral não tem tanto espaço assim para comentar o que pensa e muitos não sabem como, onde ou a quem dizer. Ainda mais para alguém que vem de um país em conflito, coberto de preconceito pelo mundo ocidental e inconscientemente vigiado.
No meu último dia em Londres, a caminho do aeroporto de Heathrow, o motorista que me leva até lá é um iraquiano que foge ao estereótipo pré-fabricado no ocidente. Um sujeito com seus 40 e poucos anos, olhos claros, cabelos brancos. Um sotaque aparente, simpatia e indignação.
Bom, isso só descobri no caminho para o aeroporto. Sabe-se lá porquê me perguntou sobre a Holanda, pensando que eu fosse de lá. Quando eu disse que era brasileiro e novas perguntas vieram. Tínhamos algo em comum agora. “Temos um povo acolhedor em comum. Os latinos e as pessoas do Oriente Médio são mais felizes e acolhedoras, não são?”, perguntou ele, sorrindo. Concordei e comentei que conheci alguns árabes no tempo que vivi no Canadá, sempre fazendo piadas. Ele completou: “É, a gente tem que superar com o humor”. Algo que reconheci bem brasileiro.
Em seguida questionou se as coisas eram caras, se comparássemos Brasil e Inglaterra. Talvez pelo peso da minha mala, que só anda pesada porque cansei de carregar duas e coloquei a pequena dentro da maior. Bem, ele não conhece nossa carga tributária.
Mas o assunto foi interrompido por uma questão de trabalho:
— Terminal 5, certo?
— Sim, cinco.
Passado uns minutos, enquanto eu olhava pela janela as casas sem grades, ele tocou no assunto da guerra e na esperança que ainda tem. Comentei que os americanos estão deixando o Iraque. Ele disse que sim e continuou: “Mas essa guerra, essa coisa toda que acontece na minha terra, é por dinheiro. Ninguém se importa se somos muçulmanos, cristãos ou qualquer outra coisa. Disseram que havia armas por lá e não havia nada. Só desculpa. Só querem saber do dinheiro. E essa gente é tão gananciosa que no fim alguma razão têm uns loucos como Chávez e Ahmadinejad. É bem capaz de outra guerra começar. Gananciosos!”, exclamou, mostrando-se indignado.
O Terminal 5 estava próximo. O clima londrino com umas nuvens escuras viraram pergunta: “Você gostou do clima de Londres?”, questionou. Concordei e disse que me sentia bem naqueles 19 graus – depois de quase um ano vivendo no frio já não enfrento mais o calor do mesmo jeito.
“É aqui. Você já esteve aqui antes?”, perguntou enquanto parava o carro. Paguei a viagem e ele me ajudou com a mala. Agradeceu a corrida e a conversa.
E hoje penso que o iraquiano de Londres gostava de conversar e talvez, mais que isso, tivesse necessidade de ser ouvido. A população em geral não tem tanto espaço assim para comentar o que pensa e muitos não sabem como, onde ou a quem dizer. Ainda mais para alguém que vem de um país em conflito, coberto de preconceito pelo mundo ocidental e inconscientemente vigiado.
quinta-feira, agosto 19, 2010
domingo, julho 25, 2010
Cá estás também
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Ao chegar em Lisboa não pude evitar comparações a viagens seculares, ir e vir de tão longe. Um vice-versa dos tempos das naves que iam para o sul e às atuais aeronaves que vem para o norte.
Também não esqueci dos livros e citações de gente de outros tempos, nem das canções que ouvimos no Brasil ou que como disse Chico Buarque: "Esta pátria ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal!"
Aqui também encontrei livros do Saramago com pontos e vírgulas – o que muito me impressionou. Agora cá estou, a perceber que meu português não é tão português assim – timidamente observo meus erros e aprendo.
Quatro dias e meio na capital lusitana. Hoje viajo para Praga, na República Tcheca, com a pauta – por enquanto; e se nada melhor aparecer – do turismo e desenvolvimento econômico – bons exemplos a serem aplicados em Santa Catarina se houver disposição política e iniciativa.
Até o próximo texto num quarto de hotel.
Ao chegar em Lisboa não pude evitar comparações a viagens seculares, ir e vir de tão longe. Um vice-versa dos tempos das naves que iam para o sul e às atuais aeronaves que vem para o norte.
Também não esqueci dos livros e citações de gente de outros tempos, nem das canções que ouvimos no Brasil ou que como disse Chico Buarque: "Esta pátria ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal!"
Aqui também encontrei livros do Saramago com pontos e vírgulas – o que muito me impressionou. Agora cá estou, a perceber que meu português não é tão português assim – timidamente observo meus erros e aprendo.
Quatro dias e meio na capital lusitana. Hoje viajo para Praga, na República Tcheca, com a pauta – por enquanto; e se nada melhor aparecer – do turismo e desenvolvimento econômico – bons exemplos a serem aplicados em Santa Catarina se houver disposição política e iniciativa.
Até o próximo texto num quarto de hotel.
quarta-feira, julho 14, 2010
Todos são bonzinhos na tela da TV
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Passado o circo temos que pensar no pão. Quem vai jogá-lo ao povo nos próximos anos? Aqui em Santa Catarina, por exemplo, há uma alternância constante da mesma “coisa”. Talvez sejamos dos povos mais ingênuos politicamente – outros usarão adjetivos diferentes. Mas tanto no governo estadual quanto federal a escolha é difícil.
Em época de campanha sempre surge um estranho coletivismo, ou melhor, um egoísmo coletivo. São eleitores que votam pensando como podem lucrar mais com a escolha “certa”, competindo com elegíveis querendo tirar proveito da bagunça fiscal em que vivemos.
Hipocrisia deles e nossa. Todos são bonzinhos na tela da TV. Há, no entanto, uma falsidade crônica em palavras nem sempre pensadas pelos próximos mandatários. Lobos que contratam ovelhas para tentar enganar o rebanho. E faz tempos estamos na mesma. Fomos domesticados. Cada um pensa na sua ração – o pão.
“Cada um por si e Deus por todos!”, dizem no alto do palanque, enquanto desfazem nossa consciência coletiva. Revolução dos bichos basta a de George Orwell! E riem com altos salários e ajuda de custo; com férias duas vezes ao ano e auxílio viagem; auxílio paletó – quer mais!?
As coisas vão mudar quando houver unidade. Quando a sociedade pensar no espaço público e exigir o mínimo de respeito. Quando os eleitos forem os de interesse público e não privado ou pessoal.
Há democracia ou algum tipo pulverizado de “egocracia”?
— Domesticados, hum!?
Passado o circo temos que pensar no pão. Quem vai jogá-lo ao povo nos próximos anos? Aqui em Santa Catarina, por exemplo, há uma alternância constante da mesma “coisa”. Talvez sejamos dos povos mais ingênuos politicamente – outros usarão adjetivos diferentes. Mas tanto no governo estadual quanto federal a escolha é difícil.
Em época de campanha sempre surge um estranho coletivismo, ou melhor, um egoísmo coletivo. São eleitores que votam pensando como podem lucrar mais com a escolha “certa”, competindo com elegíveis querendo tirar proveito da bagunça fiscal em que vivemos.
Hipocrisia deles e nossa. Todos são bonzinhos na tela da TV. Há, no entanto, uma falsidade crônica em palavras nem sempre pensadas pelos próximos mandatários. Lobos que contratam ovelhas para tentar enganar o rebanho. E faz tempos estamos na mesma. Fomos domesticados. Cada um pensa na sua ração – o pão.
“Cada um por si e Deus por todos!”, dizem no alto do palanque, enquanto desfazem nossa consciência coletiva. Revolução dos bichos basta a de George Orwell! E riem com altos salários e ajuda de custo; com férias duas vezes ao ano e auxílio viagem; auxílio paletó – quer mais!?
As coisas vão mudar quando houver unidade. Quando a sociedade pensar no espaço público e exigir o mínimo de respeito. Quando os eleitos forem os de interesse público e não privado ou pessoal.
Há democracia ou algum tipo pulverizado de “egocracia”?
— Domesticados, hum!?
quinta-feira, março 04, 2010
"Hockey is Canada's Game"

Autor: Anderson Paes
Data: 28/02/2010
Final do Hockey nas Olímpiadas de Inverno de Vancouver 2010: Canadá 3 x 2 EUA
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Para alguém que vai
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Publicado em 30/08/2009
De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
Publicado em 30/08/2009
De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Aqui, no Hemisfério Norte
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Olá, cheguei ao Hemisfério Norte. Depois de umas dez horas de viagem desci no aeroporto de Toronto por volta das 5h da manhã (8h no Brasil). Mal senti os -5 graus que fazia lá fora. O cenário cinza e branco do saguão – bastante grande – me lembrava o filme Gattaca.
Pessoas de várias nacionalidades, idiomas diversos. Um corredor que não parece terminar. Com esteira para ajudar os que ainda estavam mais ou menos dormindo. Fila para a imigração. Algumas perguntas, outras respostas e um carimbo. Passado este ponto, com o formulário carimbado, um guarda o verifica e diz para seguir – em busca da mala despachada. Observo que alguns são encaminhados por ele para uma breve entrevista.
As malas vão chegando e girando no sentido anti-horário. Encontro a minha depois um bom tempo de espera. Muitas bagagens vindas do Brasil. Muitos a esperar. Sigo para minha conexão. Entrego o formulário a outro oficial canadense. Entro no elevador e estou no piso dos portões de embarque.
Ando pelo corredores amplos. Já passa das 6h30 e ainda é noite lá fora. Por volta da 7h faço o check-in para o vôo de Toronto até Vancouver. Foi aí que meu ‘inglês’ falhou. Não compreendi muito bem o que aquela senhora simpática, ao lado de um senhor tipo indiano que controla o raio-x, queria me dizer. Vendo que eu não compreendi perguntou se eu falava francês. Não! Foi quando olhei para o lado e vi um sujeito com um passaporte verde escrito Brasil. Ele me ajudou com aquela questão e ela de imediato perguntou: Hablás español? Tudo bem agora... estava praticamente “em casa”. Ela só queria olhar minha mala. O que viram de estranho não sei.
Caminhei mais um bom pedaço. Outro corredor daquele com esteira. Lojas. Bastante coisa das Olimpíadas de inverno – em fevereiro aqui Vancouver. Achei o tal portão 139 do meu vôo. Estranho como nesse tempo de espera a hora parecia passar tão rapidamente. Começou a clarear. Um Sol vermelho dá as caras.
Chegou a hora do embarque. Reconheci um brasileiro na fila – estava no mesmo vôo de SP pra cá. Caminho até o avião. Encontro meu assento. Quase durmo enquanto as pessoas vão entrando e caminhando até suas poltronas. Assim que decola eu começo a cochilar. São quase cinco horas até Vancouver – não tenho tanta certeza disso. Mas, enfim, cheguei.
Outra vez a esteira. Lá vem minha bagagem. Sigo para o lado de fora do aeroporto. Peço um táxi. O taxista puxa uma conversa e percebendo meu inglês não fluente pergunta de onde sou. Conto que vim do Brasil e ele exclama: Oh! Uma longa viagem. É cansativo!
É mesmo.
E agora, observo o dia cinza lá fora da janela do hotel – acredito que tenha pulado algumas partes da história porque estou quase dormindo. Boa noite pra vocês aí no Brasil, aqui são 18h horas agora e preciso – muito – descansar. Até breve.
Olá, cheguei ao Hemisfério Norte. Depois de umas dez horas de viagem desci no aeroporto de Toronto por volta das 5h da manhã (8h no Brasil). Mal senti os -5 graus que fazia lá fora. O cenário cinza e branco do saguão – bastante grande – me lembrava o filme Gattaca.
Pessoas de várias nacionalidades, idiomas diversos. Um corredor que não parece terminar. Com esteira para ajudar os que ainda estavam mais ou menos dormindo. Fila para a imigração. Algumas perguntas, outras respostas e um carimbo. Passado este ponto, com o formulário carimbado, um guarda o verifica e diz para seguir – em busca da mala despachada. Observo que alguns são encaminhados por ele para uma breve entrevista.
As malas vão chegando e girando no sentido anti-horário. Encontro a minha depois um bom tempo de espera. Muitas bagagens vindas do Brasil. Muitos a esperar. Sigo para minha conexão. Entrego o formulário a outro oficial canadense. Entro no elevador e estou no piso dos portões de embarque.
Ando pelo corredores amplos. Já passa das 6h30 e ainda é noite lá fora. Por volta da 7h faço o check-in para o vôo de Toronto até Vancouver. Foi aí que meu ‘inglês’ falhou. Não compreendi muito bem o que aquela senhora simpática, ao lado de um senhor tipo indiano que controla o raio-x, queria me dizer. Vendo que eu não compreendi perguntou se eu falava francês. Não! Foi quando olhei para o lado e vi um sujeito com um passaporte verde escrito Brasil. Ele me ajudou com aquela questão e ela de imediato perguntou: Hablás español? Tudo bem agora... estava praticamente “em casa”. Ela só queria olhar minha mala. O que viram de estranho não sei.
Caminhei mais um bom pedaço. Outro corredor daquele com esteira. Lojas. Bastante coisa das Olimpíadas de inverno – em fevereiro aqui Vancouver. Achei o tal portão 139 do meu vôo. Estranho como nesse tempo de espera a hora parecia passar tão rapidamente. Começou a clarear. Um Sol vermelho dá as caras.
Chegou a hora do embarque. Reconheci um brasileiro na fila – estava no mesmo vôo de SP pra cá. Caminho até o avião. Encontro meu assento. Quase durmo enquanto as pessoas vão entrando e caminhando até suas poltronas. Assim que decola eu começo a cochilar. São quase cinco horas até Vancouver – não tenho tanta certeza disso. Mas, enfim, cheguei.
Outra vez a esteira. Lá vem minha bagagem. Sigo para o lado de fora do aeroporto. Peço um táxi. O taxista puxa uma conversa e percebendo meu inglês não fluente pergunta de onde sou. Conto que vim do Brasil e ele exclama: Oh! Uma longa viagem. É cansativo!
É mesmo.
E agora, observo o dia cinza lá fora da janela do hotel – acredito que tenha pulado algumas partes da história porque estou quase dormindo. Boa noite pra vocês aí no Brasil, aqui são 18h horas agora e preciso – muito – descansar. Até breve.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Mundo afora num clique
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Vindo de Santo André, na grande São Paulo, Valter Ziantoni formou-se engenheiro florestal e nunca parou de registrar o que enquadrava com seus olhos. Desenhou florestas com luz – como na cena capturada em Sarajevo, capital da Bósnia –, e a diversidade brasileira da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. Suas imagens verdes também contrastam com um álbum preto e branco de algumas paragens do leste europeu e com ora amarelo, ora colorido do deserto e da savana africana.

Sarajevo – Bósnia e Herzegovina
Ziantoni também faz questão de mostrar a dura realidade da agressão humana aos animais, com algumas fotos sob o título “cry jungle”. Uma forma de alertar para a crueldade que por aí se espalha contra a vida.
Valter e eu estudamos juntos na especialização em Relações Internacionais, onde também conheci sua noiva e companheira de viagens: a também engenheira florestal Leticia Hermoso. Costumávamos participar do mesmo grupo nos trabalhos da pós-graduação e a bagagem cultural diversa rendia bons conteúdos e boas risadas. Valter se mostrou um personagem interessante, com um bom humor, que pode ser conhecido – em partes – na conversa que segue.
Anderson Paes: Sendo engenheiro florestal e ligado aos assuntos ambientais, acredita na fotografia como forma de preservação ambiental? Há o choque visual da realidade?
Valter Ziantoni: A fotografia é o reflexo plano do real, capturar toda a beleza e diversidade de uma floresta em uma foto seria impossível, e mais impossível ainda seria capturar a dor e impotência diante de crimes ambientais. De qualquer modo a foto exerce um papel mais forte que a palavra, neste caso, a foto choca, a foto traz o real e o mostra, a foto convence e cria percepções até então desconhecidas, sendo uma ferramenta de mobilização fortíssima, pelo simples fato de ser real.
A foto eterniza o momento e o eterno se torna admirável, entretanto no âmbito jornalístico a foto é o veículo que leva a cena aos olhos, ela é uma pequena janela para o todo, o real que está acontecendo à volta, real esse que às vezes é esquecido enquanto a foto é lembrada. Pessoalmente eu penso que a foto deve perturbar, em um sentido positivo, mas tem que apresentar alguma inquietude, a foto deve ser viva. Uma foto é antes de qualquer coisa uma idéia e ao mesmo tempo uma frase não terminada.
AP: Dos novos cenários que encontra, o que tenta “tirar” deles?
VZ: Na verdade eu não tiro, são eles que me dão... (risos). Fotografia é “olho” e técnica, em um novo cenário ou situação, você evoca todos os lugares parecidos em que já tenha estado, por técnica. Mas por “olho”, você busca algo de novo, de impacto, de beleza etérea, alguma coisa que está esperando para ser eternizada. As cores mostram a vida das coisas, o Preto e Branco mostra a alma. É uma questão de como ver o mundo. Creio que quando fotografo o que tento “tirar” de cada novo cenário é a forma como eu mesmo o vejo – o que meus olhos me mostram.
E lugares novos para mim são todos aqueles que eu já conhecia e que por algum motivo qualquer terminei por redescobri-los.

O próprio Valter e sua câmera. Foto: Simone Torrini
AP: Como foram os primeiros cliques, primeiras câmeras?
VZ: Desde muito pequeno comecei a apaixonar-me por câmeras, posso dizer que começou com a câmera antes da foto – meio “o ovo e a galinha”. Meu tio avô tinha uma câmera muito antiga, alemã, um Rodenstock Prontoklapp, de fole, que eu costumava brincar, depois continuei fotografando, até que consegui dinheiro suficiente para comprar minha primeira Reflex usada. Desde aí, nunca deixei de ter uma câmera ao alcance do braço.
AP: Esse caso de “amor” com a fotografia já rendeu algumas premiações, trabalhos?
VZ: O último concurso que ganhei foi no Congresso Florestal Mundial no mês de outubro deste ano, na Argentina; com uma foto que aconteceu quando estava trabalhando no norte do país, realizando o inventário de uma Floresta Nacional. Sempre que tenho a oportunidade tento participar de concursos. Além desse, já ganhei ou consegui menções em outros tantos lugares – Brasil, Itália, Espanha, etc. Tenho vários trabalhos publicados em revistas e participei de vários projetos fotográficos. Fui responsável fotográfico do livro “Itupava, o Caminho de Nossas Origens” no Paraná e fiz fotos para diversos catálogos e livros, também trabalhei como fotografo de corridas de aventura na Bulgária.
AP: E o destino? Aonde pretende chegar?
VZ: Eu costumava fazer planos e pensar onde chegaria, mas agora me dedico ao máximo ao que faço sem esperar recompensas. Apenas deixo que a vida trabalhe um pouco. Eu fotografo porque sou apaixonado por isso e realmente sei fazer, então, posso dizer que as fotos fazem o caminho, assim só vou seguindo a qualquer lugar, desde que seja em frente!
Mais do trabalho de Valter Ziantoni pode ser visto em www.flickr.com/trotamundus
Vindo de Santo André, na grande São Paulo, Valter Ziantoni formou-se engenheiro florestal e nunca parou de registrar o que enquadrava com seus olhos. Desenhou florestas com luz – como na cena capturada em Sarajevo, capital da Bósnia –, e a diversidade brasileira da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. Suas imagens verdes também contrastam com um álbum preto e branco de algumas paragens do leste europeu e com ora amarelo, ora colorido do deserto e da savana africana.

Sarajevo – Bósnia e Herzegovina
Ziantoni também faz questão de mostrar a dura realidade da agressão humana aos animais, com algumas fotos sob o título “cry jungle”. Uma forma de alertar para a crueldade que por aí se espalha contra a vida.
Valter e eu estudamos juntos na especialização em Relações Internacionais, onde também conheci sua noiva e companheira de viagens: a também engenheira florestal Leticia Hermoso. Costumávamos participar do mesmo grupo nos trabalhos da pós-graduação e a bagagem cultural diversa rendia bons conteúdos e boas risadas. Valter se mostrou um personagem interessante, com um bom humor, que pode ser conhecido – em partes – na conversa que segue.
Anderson Paes: Sendo engenheiro florestal e ligado aos assuntos ambientais, acredita na fotografia como forma de preservação ambiental? Há o choque visual da realidade?
Valter Ziantoni: A fotografia é o reflexo plano do real, capturar toda a beleza e diversidade de uma floresta em uma foto seria impossível, e mais impossível ainda seria capturar a dor e impotência diante de crimes ambientais. De qualquer modo a foto exerce um papel mais forte que a palavra, neste caso, a foto choca, a foto traz o real e o mostra, a foto convence e cria percepções até então desconhecidas, sendo uma ferramenta de mobilização fortíssima, pelo simples fato de ser real.
A foto eterniza o momento e o eterno se torna admirável, entretanto no âmbito jornalístico a foto é o veículo que leva a cena aos olhos, ela é uma pequena janela para o todo, o real que está acontecendo à volta, real esse que às vezes é esquecido enquanto a foto é lembrada. Pessoalmente eu penso que a foto deve perturbar, em um sentido positivo, mas tem que apresentar alguma inquietude, a foto deve ser viva. Uma foto é antes de qualquer coisa uma idéia e ao mesmo tempo uma frase não terminada.
AP: Dos novos cenários que encontra, o que tenta “tirar” deles?
VZ: Na verdade eu não tiro, são eles que me dão... (risos). Fotografia é “olho” e técnica, em um novo cenário ou situação, você evoca todos os lugares parecidos em que já tenha estado, por técnica. Mas por “olho”, você busca algo de novo, de impacto, de beleza etérea, alguma coisa que está esperando para ser eternizada. As cores mostram a vida das coisas, o Preto e Branco mostra a alma. É uma questão de como ver o mundo. Creio que quando fotografo o que tento “tirar” de cada novo cenário é a forma como eu mesmo o vejo – o que meus olhos me mostram.
E lugares novos para mim são todos aqueles que eu já conhecia e que por algum motivo qualquer terminei por redescobri-los.

O próprio Valter e sua câmera. Foto: Simone Torrini
AP: Como foram os primeiros cliques, primeiras câmeras?
VZ: Desde muito pequeno comecei a apaixonar-me por câmeras, posso dizer que começou com a câmera antes da foto – meio “o ovo e a galinha”. Meu tio avô tinha uma câmera muito antiga, alemã, um Rodenstock Prontoklapp, de fole, que eu costumava brincar, depois continuei fotografando, até que consegui dinheiro suficiente para comprar minha primeira Reflex usada. Desde aí, nunca deixei de ter uma câmera ao alcance do braço.
AP: Esse caso de “amor” com a fotografia já rendeu algumas premiações, trabalhos?
VZ: O último concurso que ganhei foi no Congresso Florestal Mundial no mês de outubro deste ano, na Argentina; com uma foto que aconteceu quando estava trabalhando no norte do país, realizando o inventário de uma Floresta Nacional. Sempre que tenho a oportunidade tento participar de concursos. Além desse, já ganhei ou consegui menções em outros tantos lugares – Brasil, Itália, Espanha, etc. Tenho vários trabalhos publicados em revistas e participei de vários projetos fotográficos. Fui responsável fotográfico do livro “Itupava, o Caminho de Nossas Origens” no Paraná e fiz fotos para diversos catálogos e livros, também trabalhei como fotografo de corridas de aventura na Bulgária.
AP: E o destino? Aonde pretende chegar?
VZ: Eu costumava fazer planos e pensar onde chegaria, mas agora me dedico ao máximo ao que faço sem esperar recompensas. Apenas deixo que a vida trabalhe um pouco. Eu fotografo porque sou apaixonado por isso e realmente sei fazer, então, posso dizer que as fotos fazem o caminho, assim só vou seguindo a qualquer lugar, desde que seja em frente!
Mais do trabalho de Valter Ziantoni pode ser visto em www.flickr.com/trotamundus
quinta-feira, dezembro 10, 2009
"Siga aquele carro"

Autor: Anderson Paes
Data: Novembro, 2007
Local: Praia do Flamengo, Rio de Janeiro (RJ)
Site: www.andersonpaes.com
quarta-feira, dezembro 09, 2009
O Brasil aos olhos do mundo
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
O velho país do futuro, da obra do austríaco Stefan Zweig, parece estar deslanchando naquele mesmo estilo do livro: ao seu tempo. Apesar de alguns contra-tempos enfrentados na política externa – como o caso de Honduras e Haiti –, quando o assunto é o próprio Brasil num cenário global, um dos maiores mercados do mundo, a história muda. Jornais de vários países contam os feitos brasileiros e apostam suas fichas na "esperança em verde-amarelo".
O espanhol El País mostra frequentemente casos brasileiros, o papel do país diante de outros atores internacionais, a economia que tem se segurado bem e, claro, contos da floresta – e não só para inglês (ou espanhol) ver. O nome do Brasil, tem sido uma forte marca no exterior. Nesse “fim” de crise, o país tem aparecido também no britânico The Economist e no francês Le Monde.
E foi no mesmo Le Monde que o atual governo se viu prestigiado e a oposição contrariada. Naquela historia da “marolinha” sobre a tsunami da crise, o jornal francês concordou com Lula. Na mesma hora surgiram comentários de que o cliente sempre tem razão – sobre a compra brasileira de caças de combate do país de Napoleão.
Mas o Brasil está tão bem assim? Para o governo está ainda melhor. Lula fecha o ano com mais de 80% de aprovação popular e com uma arma contra a oposição. Tudo pronto para a corrida eleitoral que também estará nas capas dos jornais do mundo todo.
E para o povo, como as coisas estão? Disso quase nada se lê no noticiário internacional. Mas se quem ama o feio bonito lhe parece, o simpático e adorável Brasil está perfeito aos olhos do mundo – pelo menos nos jornais.
O velho país do futuro, da obra do austríaco Stefan Zweig, parece estar deslanchando naquele mesmo estilo do livro: ao seu tempo. Apesar de alguns contra-tempos enfrentados na política externa – como o caso de Honduras e Haiti –, quando o assunto é o próprio Brasil num cenário global, um dos maiores mercados do mundo, a história muda. Jornais de vários países contam os feitos brasileiros e apostam suas fichas na "esperança em verde-amarelo".
O espanhol El País mostra frequentemente casos brasileiros, o papel do país diante de outros atores internacionais, a economia que tem se segurado bem e, claro, contos da floresta – e não só para inglês (ou espanhol) ver. O nome do Brasil, tem sido uma forte marca no exterior. Nesse “fim” de crise, o país tem aparecido também no britânico The Economist e no francês Le Monde.
E foi no mesmo Le Monde que o atual governo se viu prestigiado e a oposição contrariada. Naquela historia da “marolinha” sobre a tsunami da crise, o jornal francês concordou com Lula. Na mesma hora surgiram comentários de que o cliente sempre tem razão – sobre a compra brasileira de caças de combate do país de Napoleão.
Mas o Brasil está tão bem assim? Para o governo está ainda melhor. Lula fecha o ano com mais de 80% de aprovação popular e com uma arma contra a oposição. Tudo pronto para a corrida eleitoral que também estará nas capas dos jornais do mundo todo.
E para o povo, como as coisas estão? Disso quase nada se lê no noticiário internacional. Mas se quem ama o feio bonito lhe parece, o simpático e adorável Brasil está perfeito aos olhos do mundo – pelo menos nos jornais.
sábado, dezembro 05, 2009
A tecnologia do trenzinho caipira e outras
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Na última sexta (4) a comitiva brasileira que está na Europa com o presidente Lula conheceu o trem de alta velocidade alemão, o ICE (InterCity Express), produzido pela Siemens. A ideia é trazer este modelo de transporte para o Brasil – talvez próprio modelo da Siemens, que é uma das concorrentes para a nova empreitada brasileira. Inicialmente o projeto pretende ligar as cidades de Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro, e futuramente expandir a rede em ramificações que alcancem Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, etc.
Mas para vencer a licitação os alemães terão que aceitar transferir sua tecnologia para mãos e cabeças brasileiras. A mesma situação da compra dos caças de combate – aquela em que França, Estados Unidos e Suécia competem para agradar Brasília. Tecnologia que, logicamente, estará incluída no preço final do produto – tanto do trem, quanto dos aviões.
Além do comércio com outros países, esteve na pauta dos jornais o recente acordo Brasil/Ucrânia para lançamento de foguetes daquele país a partir da base de Alcântara, no Maranhão. Assunto em que o Brasil tem muito o que aprender e o dinheiro é curto. Agora o BNDES vai financiar o projeto “quase pronto” da Ucrânia. Teremos acesso à foguetes que, teoricamente, voam mais que os nossos.
E o custo de se comprar ou investir em tecnologias prontas, compensa? A considerar o curto prazo... compramos o primeiro e aprendemos a montar o segundo, terceiro, quarto, etc; e ao pensar que investimentos em pesquisa e produção exigem planejamento e dinheiro por um certo tempo – o que a cada eleição é cortado para nova análise situação/oposição – podemos dizer que não estamos preparados politicamente para desenvolver tecnologia avançada e que comprá-las ainda é uma boa alternativa.
O que falei até aqui, são apenas exemplos de situações recentes onde recorremos às tecnologias adquiridas ou compartilhadas – não estou a sugerir que se escolha ou produza uma alternativa nacional, mas que a partir de necessidades como as atuais se pense em estimular a produção científica por aqui. Aliás, se existem boas coisas no mundo temos mais é que conhecê-las e se resolve nossos problemas, por que não comprá-las?
O ideal, penso eu, seria ver certos setores públicos do Brasil, como empresas e centros de pesquisa e educação, livres das amarras político-partidárias. Que se invista em educação e num modelo de formação de livres pensadores – para que no futuro possamos escolher novos caminhos, políticas públicas, parcerias com a iniciativa privada e um novo desenvolvimento nas terras brasileiras – no mesmo longo prazo do desenvolvimento social.
E, é claro, podemos lembrar dos bons exemplos nacionais, como a tecnologia desenvolvida pela Petrobras, Embraer, Embrapa, as pesquisas da USP, Unicamp e outros centros de áreas diversas – conhecimento que também exportamos.
Porém, depender de financiamento para se desenvolver é um caminho difícil; depender de interesses políticos – ora eleitoreiros – é outro, ainda mais complicado e bastante sinuoso. E apesar de termos capacidade intelectual – tanto que muitos de nossos cientistas são “levados” para outros países –, ainda estamos no segundo caminho – em obras.
---
O Trenzinho Caipira
Heitor Villa-Lobos
Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…
(Ferreira Gullar)
Na última sexta (4) a comitiva brasileira que está na Europa com o presidente Lula conheceu o trem de alta velocidade alemão, o ICE (InterCity Express), produzido pela Siemens. A ideia é trazer este modelo de transporte para o Brasil – talvez próprio modelo da Siemens, que é uma das concorrentes para a nova empreitada brasileira. Inicialmente o projeto pretende ligar as cidades de Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro, e futuramente expandir a rede em ramificações que alcancem Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, etc.
Mas para vencer a licitação os alemães terão que aceitar transferir sua tecnologia para mãos e cabeças brasileiras. A mesma situação da compra dos caças de combate – aquela em que França, Estados Unidos e Suécia competem para agradar Brasília. Tecnologia que, logicamente, estará incluída no preço final do produto – tanto do trem, quanto dos aviões.
Além do comércio com outros países, esteve na pauta dos jornais o recente acordo Brasil/Ucrânia para lançamento de foguetes daquele país a partir da base de Alcântara, no Maranhão. Assunto em que o Brasil tem muito o que aprender e o dinheiro é curto. Agora o BNDES vai financiar o projeto “quase pronto” da Ucrânia. Teremos acesso à foguetes que, teoricamente, voam mais que os nossos.
E o custo de se comprar ou investir em tecnologias prontas, compensa? A considerar o curto prazo... compramos o primeiro e aprendemos a montar o segundo, terceiro, quarto, etc; e ao pensar que investimentos em pesquisa e produção exigem planejamento e dinheiro por um certo tempo – o que a cada eleição é cortado para nova análise situação/oposição – podemos dizer que não estamos preparados politicamente para desenvolver tecnologia avançada e que comprá-las ainda é uma boa alternativa.
O que falei até aqui, são apenas exemplos de situações recentes onde recorremos às tecnologias adquiridas ou compartilhadas – não estou a sugerir que se escolha ou produza uma alternativa nacional, mas que a partir de necessidades como as atuais se pense em estimular a produção científica por aqui. Aliás, se existem boas coisas no mundo temos mais é que conhecê-las e se resolve nossos problemas, por que não comprá-las?
O ideal, penso eu, seria ver certos setores públicos do Brasil, como empresas e centros de pesquisa e educação, livres das amarras político-partidárias. Que se invista em educação e num modelo de formação de livres pensadores – para que no futuro possamos escolher novos caminhos, políticas públicas, parcerias com a iniciativa privada e um novo desenvolvimento nas terras brasileiras – no mesmo longo prazo do desenvolvimento social.
E, é claro, podemos lembrar dos bons exemplos nacionais, como a tecnologia desenvolvida pela Petrobras, Embraer, Embrapa, as pesquisas da USP, Unicamp e outros centros de áreas diversas – conhecimento que também exportamos.
Porém, depender de financiamento para se desenvolver é um caminho difícil; depender de interesses políticos – ora eleitoreiros – é outro, ainda mais complicado e bastante sinuoso. E apesar de termos capacidade intelectual – tanto que muitos de nossos cientistas são “levados” para outros países –, ainda estamos no segundo caminho – em obras.
---
O Trenzinho Caipira
Heitor Villa-Lobos
Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…
(Ferreira Gullar)
sexta-feira, dezembro 04, 2009
O fim pode ser um bom começo
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
O ano termina em 27 dias. Um ano que trouxe à tona datas marcantes em números redondos – uma interessante coincidência da História no fim de cada década: eventos que mudaram o mundo. E 2009 certamente já entrou para a lista de fatos marcantes com eventos como a grave crise econômica, gripe suína, morte de Michael Jackson, a descoberta de água na Lua e a posse de Obama.
Neste mesmo ano, prestes a terminar, lembraram dos 40 anos da chegada do homem à Lua e do disco Abbey Road, dos Beatles; 50 anos de carreira de Roberto Carlos, 20 da morte de Raul Seixas; o centenário dos clubes de futebol Internacional (RS) e Coritiba (PR); 110 do Vitória (BA), do Milan (ITA) e do Barcelona (ESP); 20 do São Caetano (SP) – precisamente neste dia 4 de dezembro.
São 50 anos também do início da Guerra do Vietnã; outros 30 da criação do Estado do Mato Grosso do Sul; 40 da criação dos Correios; 40 do Jornal Nacional (Rede Globo); e 40 do primeiro e-mail. São 120 anos da Proclamação da República no Brasil; 60 anos da criação da OTAN; 70 anos do primeiro poço de petróleo no Brasil; 70 do fim da Guerra Civil Espanhola e 70 do início da Segunda Guerra Mundial; e 80 anos do nascimento de Martin Luther King; 90 anos da primeira transmissão de rádio no Brasil; 120 anos do nascimento de Adolf Hitler e também de Charles Chaplin.
Há 120 anos também era inaugurada a torre Eiffel e fundada a cidade de Campo Grande (MS). Há 130 nascia Albert Einstein e Carlos Chagas; e há 140: Gandhi. Há 160 anos nascia Paul Cézanne. Outros 200 anos do nascimento de Abraham Lincoln e Charles Darwin. São 220 anos da Revolução Francesa e das primeiras eleições nacionais dos Estados Unidos; 710 da criação do Império Otomano – que durou até 1923.
E há 80 anos, também passávamos por uma grande crise econômica que deu dor de cabeça em muita gente – ainda bem que há 110 anos inventaram a aspirina. E tantas coisas mais...
O ano termina em 27 dias. Um ano que trouxe à tona datas marcantes em números redondos – uma interessante coincidência da História no fim de cada década: eventos que mudaram o mundo. E 2009 certamente já entrou para a lista de fatos marcantes com eventos como a grave crise econômica, gripe suína, morte de Michael Jackson, a descoberta de água na Lua e a posse de Obama.
Neste mesmo ano, prestes a terminar, lembraram dos 40 anos da chegada do homem à Lua e do disco Abbey Road, dos Beatles; 50 anos de carreira de Roberto Carlos, 20 da morte de Raul Seixas; o centenário dos clubes de futebol Internacional (RS) e Coritiba (PR); 110 do Vitória (BA), do Milan (ITA) e do Barcelona (ESP); 20 do São Caetano (SP) – precisamente neste dia 4 de dezembro.
São 50 anos também do início da Guerra do Vietnã; outros 30 da criação do Estado do Mato Grosso do Sul; 40 da criação dos Correios; 40 do Jornal Nacional (Rede Globo); e 40 do primeiro e-mail. São 120 anos da Proclamação da República no Brasil; 60 anos da criação da OTAN; 70 anos do primeiro poço de petróleo no Brasil; 70 do fim da Guerra Civil Espanhola e 70 do início da Segunda Guerra Mundial; e 80 anos do nascimento de Martin Luther King; 90 anos da primeira transmissão de rádio no Brasil; 120 anos do nascimento de Adolf Hitler e também de Charles Chaplin.
Há 120 anos também era inaugurada a torre Eiffel e fundada a cidade de Campo Grande (MS). Há 130 nascia Albert Einstein e Carlos Chagas; e há 140: Gandhi. Há 160 anos nascia Paul Cézanne. Outros 200 anos do nascimento de Abraham Lincoln e Charles Darwin. São 220 anos da Revolução Francesa e das primeiras eleições nacionais dos Estados Unidos; 710 da criação do Império Otomano – que durou até 1923.
E há 80 anos, também passávamos por uma grande crise econômica que deu dor de cabeça em muita gente – ainda bem que há 110 anos inventaram a aspirina. E tantas coisas mais...
terça-feira, novembro 10, 2009
A maré trouxe outra garrafa
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Bom dia! Segue um texto para seguidores e seguidos. Um texto em blocos que não ultrapassam os 140 caracteres. Apenas a refletir.
Discute-se política, piada, polêmica, pobreza, putaria. Que p@#%, não? Ora "falamos" sozinhos. Há alguém à deriva?
Lê-se de baixo para cima, de cima para baixo e tanto faz. Que importam os sentidos agora? A esta altura, quase nada.
Há no Twitter mais gente a dar RT do que a pensar e escrever. É auto-censura? Às vezes os outros falam mais besteiras que nós.
Por que copiam tanto? Pode-se criar mais. Diga alguma coisa! Traduza pensamentos.
Houve um tempo em que pensávamos por noites inteiras. Filosofia de praia. Conversa de quem não dorme.
Hoje pensamos, sozinhos, em poucas palavras. Com contadores de letras e espaços, símbolos gráficos... São 140 e nada mais.
Às vezes limitados pela métrica (?) de uma micro-mensagem, enviamos a nova garrafa com bilhetes – a ser levada pela maré. A perder de vista!
Mais uma onda quebrou na praia. As mensagens que por aqui chegavam eram únicas. Hoje a maioria vem com tampa plástica. E começa com “RT”.
Bom dia! Segue um texto para seguidores e seguidos. Um texto em blocos que não ultrapassam os 140 caracteres. Apenas a refletir.
Discute-se política, piada, polêmica, pobreza, putaria. Que p@#%, não? Ora "falamos" sozinhos. Há alguém à deriva?
Lê-se de baixo para cima, de cima para baixo e tanto faz. Que importam os sentidos agora? A esta altura, quase nada.
Há no Twitter mais gente a dar RT do que a pensar e escrever. É auto-censura? Às vezes os outros falam mais besteiras que nós.
Por que copiam tanto? Pode-se criar mais. Diga alguma coisa! Traduza pensamentos.
Houve um tempo em que pensávamos por noites inteiras. Filosofia de praia. Conversa de quem não dorme.
Hoje pensamos, sozinhos, em poucas palavras. Com contadores de letras e espaços, símbolos gráficos... São 140 e nada mais.
Às vezes limitados pela métrica (?) de uma micro-mensagem, enviamos a nova garrafa com bilhetes – a ser levada pela maré. A perder de vista!
Mais uma onda quebrou na praia. As mensagens que por aqui chegavam eram únicas. Hoje a maioria vem com tampa plástica. E começa com “RT”.
terça-feira, novembro 03, 2009
Paralisia Facial Periférica
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
A história acima é real e aconteceu comigo. Resolvi narrar este caso que vivi porque muitos ainda desconhecem a Paralisia Facial Periférica (PFP) ou Paralisia de Bell – aquela que os mais velhos insistem em dizer que é por causa da mudança brusca de temperatura –, e por isso acabam deixando para depois um tratamento que pode reverter 100% a situação.
As razões para a ocorrência da PFP sao desconhecidas. Acredita-se que alguns eventos possam prejudicar o nervo facial, como um trauma ou inflamação (em contato) na região por onde passa o tal nervo. A mudança brusca de temperatura, para os que ainda creem, é uma opção descartada pelos médicos. "Caso contrário, quem trabalha em frigorífico seria alvo fácil para a PFP", afirmam alguns.
Enfim, o problema se resolveu. Tratamento químico de imediato e exercício para que a musculatura não venha a atrofiar é a resposta. Pouco tempo depois tudo volta ao normal.
___
Mais sobre a PFP: Ayrton Senna e Sylvester Stallone passaram pela mesma situação, mas na época não havia o tratamento atual; A PFP pode atingir pessoas de ambos os sexos e de todas as idades – lembro de um menino de três anos que estava na fisioterapia pelo mesmo motivo que eu; Quanto antes iniciar o tratamento mais chances de voltar ao que era antes; Alguns casos, quando não tratados logo no início, exigem cirurgias corretivas.
Era um dia agradável quando ele entrou em seu carro e partiu para a praia, na cidade vizinha. Após procurar um local para estacionar, subiu até seu apartamento e deixou a mochila. Não havia ninguém em casa. Passava das 17h30 do dia 7 de janeiro de 2004, quando foi à praia com uma amiga e juntos saíram a caminhar pela areia. Andaram um por alguns minutos e pararam pouco antes de um dos pontos mais movimentados da Praia do Mar Grosso, em Laguna (SC).
Ali sentaram e conversaram – de tudo um pouco. Entre uma fala e outra, ele sentiu a musculatura de sua boca puxar para cima. Estranhou a fisgada, mas ficou por aquilo mesmo. Passado algum tempo, foram embora.
Sozinho em casa, ele foi cruzando o apartamento até chegar no banheiro da suíte. Tirando a camisa, foi logo ao espelho sobre a pia para ver se havia algo errado com sua boca. Havia! Foi quando percebeu que ao sorrir não conseguia mais mexer o lado esquerdo do rosto. Tudo era puxado para o lado direito. Seu sorriso estava torto.
Ligou de imediato para a irmã e foram para o Hospital de Laguna. Diagnóstico: Paralisia Facial Periférica. Recomendações médicas: procurar um neurologista na cidade vizinha (Tubarão) no dia seguinte; enquanto isso, compre chicletes para a musculatura não ficar parada por muito tempo.
— Feito.
No dia seguinte, em Tubarão, exames de todos os tipos. Medicação: nove injeções de um remédio do qual não lembra o nome; mais uns comprimidos de vitamina B e coisas que qualquer hipocondríaco ficaria satisfeito. Ah, e fisioterapia por alguns meses. Início do tratamento: Já! E em breve uma tomografia só para verificar se não houve problemas maiores.
Durante o período de tratamento,
sentiu-se inconformado com a
fragilidade de um tal de nervo facial.
sentiu-se inconformado com a
fragilidade de um tal de nervo facial.
Durante o período de tratamento, sentiu-se inconformado com a fragilidade de um tal de nervo facial. Pois agora, sequer podia fazer bochecho ao escovar os dentes, ou tomar qualquer tipo de bebida em copos normais – precisava de canudos. Ao mesmo tempo sentia-se bem por saber que o mesmo nervo, que considerou frágil, possuía a capacidade de se regenerar. Coisas do corpo humano!
Ao mesmo tempo sentia-se bem
por saber que o mesmo nervo possuía
a capacidade de se regenerar.
por saber que o mesmo nervo possuía
a capacidade de se regenerar.
E assim aconteceu. Pouco antes de completar dois meses do fatídico dia na praia, e de ter passado pelas injeções e fisioterapia, ele já estava 99% recuperado. Sentia a musculatura do lado esquerdo da face novamente. Tudo estava quase normal, a não ser pelo reflexo um pouco lento do olho esquerdo em fotos com flash – o que logo recuperou.
A história acima é real e aconteceu comigo. Resolvi narrar este caso que vivi porque muitos ainda desconhecem a Paralisia Facial Periférica (PFP) ou Paralisia de Bell – aquela que os mais velhos insistem em dizer que é por causa da mudança brusca de temperatura –, e por isso acabam deixando para depois um tratamento que pode reverter 100% a situação.
As razões para a ocorrência da PFP sao desconhecidas. Acredita-se que alguns eventos possam prejudicar o nervo facial, como um trauma ou inflamação (em contato) na região por onde passa o tal nervo. A mudança brusca de temperatura, para os que ainda creem, é uma opção descartada pelos médicos. "Caso contrário, quem trabalha em frigorífico seria alvo fácil para a PFP", afirmam alguns.
Enfim, o problema se resolveu. Tratamento químico de imediato e exercício para que a musculatura não venha a atrofiar é a resposta. Pouco tempo depois tudo volta ao normal.
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Mais sobre a PFP: Ayrton Senna e Sylvester Stallone passaram pela mesma situação, mas na época não havia o tratamento atual; A PFP pode atingir pessoas de ambos os sexos e de todas as idades – lembro de um menino de três anos que estava na fisioterapia pelo mesmo motivo que eu; Quanto antes iniciar o tratamento mais chances de voltar ao que era antes; Alguns casos, quando não tratados logo no início, exigem cirurgias corretivas.
De liberdade e esperança
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Todo tipo de idealismo parece ter morrido. O que temos hoje são resquícios de tudo e de nada, distorções e mutações de todos os gêneros; e de todas as formas de governo conhecidas, não houve uma que não tenha tomado gosto pelo poder e usado isto em benefício próprio. Do ideal comunista vimos surgir o autoritarismo – da igualdade pela mão de ferro –, e do capitalista o consumismo – do quanto mais, melhor e para o bolso de poucos.
De toda forma, parte do mundo está migrando do consumismo – que ainda predomina – para um liberalismo real. Não aquele liberalismo econômico padronizado dos clássicos de economia, mas um que também possibilita a liberdade de pensamento. Um liberalismo mais social. A humanidade parece ter adquirido nestes últimos anos uma certa consciência de que a informação e a capacidade de pensar traz benefícios não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Pois é verdade que produzimos mais informações nos últimos 50 anos do que em vários outros séculos de História.
É claro que, em muitos lugares, muita gente ainda está longe disso. Além das limitações promovidas pela influência dos idealismos do passado – fatores econômicos, por exemplo –, há ainda os limitadores sociais – questões como o analfabetismo e a fome. Mas também se vê, em algumas regiões, o povo a escapar de dogmas – gerais, não somente os da fé –, e que a ciência tem possibilitado novas ideias – por mérito do acesso à informação. Ideias que podem mudar ainda mais o mundo.
Temos muito ainda para refletir e desenvolver, mas a saída desta mais recente crise econômica mostra que o mundo se reergueu com novas ideias, como novos anti-corpos. A crise ainda provou que o liberalismo atual não era lá muito liberal e que o Estado ainda é parte importante deste sistema. Mas agora, com as coisas voltando aos eixos, pode-se planejar uma nova estratégia para a economia – para que os erros não se repitam. E o papel do Estado não deve voltar a ser o proposto pelo capitalismo ou comunismo – como alguns acusaram o governo de Barack Obama, pós-crise –, nem por outros tantos ...ismos.
Resta a esperança de que se faça um Estado-Livre, planejado para que sua população tenha tempo de receber uma formação adequada e livre. O que só teremos depois de uma consciente disputa eleitoral e da pressão popular por resultados das ações dos eleitos. Bem, como disse: liberdade e esperança – ainda sonhos.
Todo tipo de idealismo parece ter morrido. O que temos hoje são resquícios de tudo e de nada, distorções e mutações de todos os gêneros; e de todas as formas de governo conhecidas, não houve uma que não tenha tomado gosto pelo poder e usado isto em benefício próprio. Do ideal comunista vimos surgir o autoritarismo – da igualdade pela mão de ferro –, e do capitalista o consumismo – do quanto mais, melhor e para o bolso de poucos.
De toda forma, parte do mundo está migrando do consumismo – que ainda predomina – para um liberalismo real. Não aquele liberalismo econômico padronizado dos clássicos de economia, mas um que também possibilita a liberdade de pensamento. Um liberalismo mais social. A humanidade parece ter adquirido nestes últimos anos uma certa consciência de que a informação e a capacidade de pensar traz benefícios não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Pois é verdade que produzimos mais informações nos últimos 50 anos do que em vários outros séculos de História.
É claro que, em muitos lugares, muita gente ainda está longe disso. Além das limitações promovidas pela influência dos idealismos do passado – fatores econômicos, por exemplo –, há ainda os limitadores sociais – questões como o analfabetismo e a fome. Mas também se vê, em algumas regiões, o povo a escapar de dogmas – gerais, não somente os da fé –, e que a ciência tem possibilitado novas ideias – por mérito do acesso à informação. Ideias que podem mudar ainda mais o mundo.
Temos muito ainda para refletir e desenvolver, mas a saída desta mais recente crise econômica mostra que o mundo se reergueu com novas ideias, como novos anti-corpos. A crise ainda provou que o liberalismo atual não era lá muito liberal e que o Estado ainda é parte importante deste sistema. Mas agora, com as coisas voltando aos eixos, pode-se planejar uma nova estratégia para a economia – para que os erros não se repitam. E o papel do Estado não deve voltar a ser o proposto pelo capitalismo ou comunismo – como alguns acusaram o governo de Barack Obama, pós-crise –, nem por outros tantos ...ismos.
Resta a esperança de que se faça um Estado-Livre, planejado para que sua população tenha tempo de receber uma formação adequada e livre. O que só teremos depois de uma consciente disputa eleitoral e da pressão popular por resultados das ações dos eleitos. Bem, como disse: liberdade e esperança – ainda sonhos.
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