Gabriel Guedes | www.twitter.com/gabrielzguedes
Os últimos dias têm sido tensos no Twitter.
A animosidade é o tom predominante nos 140 caracteres. Ontem (21/10/10), bastou acabar o Jornal Nacional e vi um verdadeiro incêndio na minha timeline. Era gente comentando o que eu evitara comentar, outros respondendo, repreendendo, se achando provocados. Uma guerra verbal, literalmente. O caos estava instalado…
E pensar que a eleição, antes da Copa da África do Sul, prometia ser a eleição da Internet. Uso inteligente das redes sociais, dos sites. Mas têm faltado propostas e sobrado ira.
Se tudo continuar (e irá continuar) como está até o dia 31, o passarinho do Twitter irá voar chamuscado.
É o segundo turno da eleição presidencial de um País chamado Brasil.
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sexta-feira, outubro 22, 2010
terça-feira, outubro 05, 2010
Filhos da mãe gentil
Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Na escolha entre o que é ruim e o que pode ser ainda pior, levados às zonas pelas orelhas, obrigados a entrar no jogo – pela mãe gentil que insiste a tratar o povo como “filho” incapaz de tomar decisões sozinho – muitos protestam e votam em qualquer um. Como se pusessem o Íbis – “o pior time do Brasil” – no campeonato mais importante.
— Só pra ver no que vai dar.
No que vai dar todos sabem, mas parecem não se importar. Como o filho que apronta apenas pra ver a mãe irritada, sabendo que logo farão as pazes.
Além do filho “revoltado”, há também o fanático, que nas madrugadas, sai a sujar as ruas com pedaços de papel marcados com a cara e o número de seus novos ídolos. Boa parte deles, ídolos de aluguel, cínicos que adotaram a política como profissão e veem o cargo público como um jeito fácil de ganhar dinheiro – e pra isso não se importam em jogar umas migalhas para os seguidores.
Outra parte dos votáveis é formada por ingênuos candidatos, tão apaixonados quanto os que os seguem, crentes de que o partido realmente aposta neles. Os foguetórios e as carreatas após a apuração das urnas mostram como ambos os lados tratam as eleições com paixão – como se os partidos fossem times de futebol e os eleitos seus campeões. O circo está armado.
Talvez seja a hora dessa mãe ceder um pouco, dar um pouco mais de liberdade a certas vontades – sem deixar virar uma bagunça (ainda maior) –, dialogar mais em vez de bater e mandar ter aquela conversa com os tios que fazem justiça com a lei dos outros.
São poucos os que ainda pensam na coletividade e atuam por querer algo melhor, pra realmente mudar. Aliás, é pelos filhos da mãe gentil, egoístas, que sempre sobram vagas para aqueles outros. Quatro anos pra que “talvez” fique tudo bem é tempo demais.
Na escolha entre o que é ruim e o que pode ser ainda pior, levados às zonas pelas orelhas, obrigados a entrar no jogo – pela mãe gentil que insiste a tratar o povo como “filho” incapaz de tomar decisões sozinho – muitos protestam e votam em qualquer um. Como se pusessem o Íbis – “o pior time do Brasil” – no campeonato mais importante.
— Só pra ver no que vai dar.
No que vai dar todos sabem, mas parecem não se importar. Como o filho que apronta apenas pra ver a mãe irritada, sabendo que logo farão as pazes.
Além do filho “revoltado”, há também o fanático, que nas madrugadas, sai a sujar as ruas com pedaços de papel marcados com a cara e o número de seus novos ídolos. Boa parte deles, ídolos de aluguel, cínicos que adotaram a política como profissão e veem o cargo público como um jeito fácil de ganhar dinheiro – e pra isso não se importam em jogar umas migalhas para os seguidores.
Outra parte dos votáveis é formada por ingênuos candidatos, tão apaixonados quanto os que os seguem, crentes de que o partido realmente aposta neles. Os foguetórios e as carreatas após a apuração das urnas mostram como ambos os lados tratam as eleições com paixão – como se os partidos fossem times de futebol e os eleitos seus campeões. O circo está armado.
Talvez seja a hora dessa mãe ceder um pouco, dar um pouco mais de liberdade a certas vontades – sem deixar virar uma bagunça (ainda maior) –, dialogar mais em vez de bater e mandar ter aquela conversa com os tios que fazem justiça com a lei dos outros.
São poucos os que ainda pensam na coletividade e atuam por querer algo melhor, pra realmente mudar. Aliás, é pelos filhos da mãe gentil, egoístas, que sempre sobram vagas para aqueles outros. Quatro anos pra que “talvez” fique tudo bem é tempo demais.
sábado, outubro 02, 2010
"Brasílha"
Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Se mortas fossem (toc, toc, toc), minhas professoras de geografia dos tempos em que meu habitat era o fundão da sala de aula, entortariam os esqueletos em seus jazigos perpétuos com a bobagem que direi agora:
— Uma ilha não é somente um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. Uma ilha pode ser também um pedaço de terra cercado de terra por todos os lados.
E não vamos nós, zarparmos rumo ao estrangeiro, em busca de paisagens inóspitas para recriarmos absurda afirmação. No Planalto Central, temos um belo exemplar de uma ilha cercada de terra por todos os lados: Brasília.
A ditadura dos anos 60, 70 e início dos 80 talvez não durasse tanto, ou, quiçá, o malfadado golpe de "primeiro de abril" de 1964 tivesse fracassado logo após o primeiro choro provocado pelo tapinha do “obstetra” em sua região glútea.

E de lá para cá, quantos presidentes (sejam eles azuis, vermelhos ou verdes) já não se safaram de problemas semelhantes como o que aconteceu agora no Equador e há algum tempo na Venezuela e outros vizinhos latinos, desde que Juscelino Kubitschek resolveu empreender firma ao projeto de transferir a capital federal do Rio de Janeiro para Brasília?
Isolaram os donos do poder em sua redoma distante dos desaforos da turba ignara. Que efeitos reais contra os tiranos fardados de verde-oliva aqueles corre-corre nos centros de São Paulo e do Rio provocavam nos generais entrincheirados no Distrito Federal, separados por uma trincheira de tanques, censores e um enorme deserto no papel da “terra de ninguém”?
E não havia – como não há – baioneta de milico ou flores de românticos, que superassem tamanha distância entre a trincheira do oprimido e a do manda-chuva com seus tentáculos de ventríloquo.
Em nosso período de infante democracia, os deuses só descem aos reles mortais de quatro em quatro anos. Depois, enclausuram-se nos camarotes das arenas para deliciarem-se com o circo pegando fogo.
Ou o Brasil realmente vê à frente a promessa de expansão rumo ao Oeste desde os tempos da construção da “ilha”, ou continuaremos dependendo da frágil revolta de quem é sustentado justamente por este poder que nos expia de longe, muito longe...
Se mortas fossem (toc, toc, toc), minhas professoras de geografia dos tempos em que meu habitat era o fundão da sala de aula, entortariam os esqueletos em seus jazigos perpétuos com a bobagem que direi agora:
— Uma ilha não é somente um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. Uma ilha pode ser também um pedaço de terra cercado de terra por todos os lados.
E não vamos nós, zarparmos rumo ao estrangeiro, em busca de paisagens inóspitas para recriarmos absurda afirmação. No Planalto Central, temos um belo exemplar de uma ilha cercada de terra por todos os lados: Brasília.
A ditadura dos anos 60, 70 e início dos 80 talvez não durasse tanto, ou, quiçá, o malfadado golpe de "primeiro de abril" de 1964 tivesse fracassado logo após o primeiro choro provocado pelo tapinha do “obstetra” em sua região glútea.

E de lá para cá, quantos presidentes (sejam eles azuis, vermelhos ou verdes) já não se safaram de problemas semelhantes como o que aconteceu agora no Equador e há algum tempo na Venezuela e outros vizinhos latinos, desde que Juscelino Kubitschek resolveu empreender firma ao projeto de transferir a capital federal do Rio de Janeiro para Brasília?
Isolaram os donos do poder em sua redoma distante dos desaforos da turba ignara. Que efeitos reais contra os tiranos fardados de verde-oliva aqueles corre-corre nos centros de São Paulo e do Rio provocavam nos generais entrincheirados no Distrito Federal, separados por uma trincheira de tanques, censores e um enorme deserto no papel da “terra de ninguém”?
E não havia – como não há – baioneta de milico ou flores de românticos, que superassem tamanha distância entre a trincheira do oprimido e a do manda-chuva com seus tentáculos de ventríloquo.
Em nosso período de infante democracia, os deuses só descem aos reles mortais de quatro em quatro anos. Depois, enclausuram-se nos camarotes das arenas para deliciarem-se com o circo pegando fogo.
Ou o Brasil realmente vê à frente a promessa de expansão rumo ao Oeste desde os tempos da construção da “ilha”, ou continuaremos dependendo da frágil revolta de quem é sustentado justamente por este poder que nos expia de longe, muito longe...
terça-feira, agosto 31, 2010
De olho no candidato caô
*Gabriel Guedes | www.twitter.com/gabrielzguedes
Estava aqui, terminando o ritual de tomar café da manhã, acompanhando a música e as notícias pela Itapema FM de Porto Alegre nesta terça-feira. De repente, me dei conta que estava ouvindo uma música muito bem composta no rádio. Era o Marcelo D2 (e eu não sou fã do D2) interpretando um dos sucessos de Bezerra da Silva: Candidato caô caô.
Ele regravou a canção recentemente, neste mês de agosto ainda. Tanto é que ainda nem há vídeo ou áudio disponível na rede.
Sem problemas. O que você vê e ouve aqui é o original do Bezerra da Silva, nascido nordestino, do Recife, sambista carioca, que morreu em 17 de janeiro de 2005, aos 77 anos de idade. Foi mendigo por sete anos em Copacabana. Mas resgatado das ruas por um Santo da Umbanda, deslanchou a carreira musical. Nunca deixando para trás as raízes e a criação no Morro do Cantagalo.
Justamente por morar numa das favelas do Rio, só "enxergava o Estado" quando a PM subia o morro ou em época de eleições, quando os candidatos resolviam "cair no gosto do povão".
Agora, 2010, praticamente faltando um mês para o pleito. Para conquistar o voto dos eleitores vale tudo. Candidatos "podres de rico", que tem "nojo de pobre em dias normais" (ou sem eleição), vão nas favelas e até apertam a mão do povo (passando alcool gel em seguida). Aqui no Rio Grande do Sul, tem candidato encarando até dobradinha e mocotó (que é ruim de comer, porque cheira muito mal). Quem é de fora (como é o caso da maioria dos candidatos à Presidência da República) tenta tomar chimarrão e queima a língua. Ah, e disfarça a cara feia para mostrar que está tudo bem. Em Santa Catarina, candidato que não sabe pescar, tenta tarrafear, para mostrar que é amigo dos pescadores artesanais, e só puxa algas e conchas. Vai tentar tirar o siri da rede e ainda leva um beliscão do crustáceo.
É, temos que ficar de olho nestes candidatos que tentam dar o golpe, o "caô", na hora de conquistar teu voto. Todos vendem a imagem de que são de origem humilde, de famílias pobres. O que eu duvido muito. O marketing político faz alguns milagres. Então, se os nossos políticos não estão sendo honestos agora, imagina então quando estiverem no poder. A minha dica é: sempre, mas sempre desconfie das intenções de todos. Nada é o que parece ser o que é.
Estava aqui, terminando o ritual de tomar café da manhã, acompanhando a música e as notícias pela Itapema FM de Porto Alegre nesta terça-feira. De repente, me dei conta que estava ouvindo uma música muito bem composta no rádio. Era o Marcelo D2 (e eu não sou fã do D2) interpretando um dos sucessos de Bezerra da Silva: Candidato caô caô.
Ele regravou a canção recentemente, neste mês de agosto ainda. Tanto é que ainda nem há vídeo ou áudio disponível na rede.
Sem problemas. O que você vê e ouve aqui é o original do Bezerra da Silva, nascido nordestino, do Recife, sambista carioca, que morreu em 17 de janeiro de 2005, aos 77 anos de idade. Foi mendigo por sete anos em Copacabana. Mas resgatado das ruas por um Santo da Umbanda, deslanchou a carreira musical. Nunca deixando para trás as raízes e a criação no Morro do Cantagalo.
Justamente por morar numa das favelas do Rio, só "enxergava o Estado" quando a PM subia o morro ou em época de eleições, quando os candidatos resolviam "cair no gosto do povão".
Agora, 2010, praticamente faltando um mês para o pleito. Para conquistar o voto dos eleitores vale tudo. Candidatos "podres de rico", que tem "nojo de pobre em dias normais" (ou sem eleição), vão nas favelas e até apertam a mão do povo (passando alcool gel em seguida). Aqui no Rio Grande do Sul, tem candidato encarando até dobradinha e mocotó (que é ruim de comer, porque cheira muito mal). Quem é de fora (como é o caso da maioria dos candidatos à Presidência da República) tenta tomar chimarrão e queima a língua. Ah, e disfarça a cara feia para mostrar que está tudo bem. Em Santa Catarina, candidato que não sabe pescar, tenta tarrafear, para mostrar que é amigo dos pescadores artesanais, e só puxa algas e conchas. Vai tentar tirar o siri da rede e ainda leva um beliscão do crustáceo.
É, temos que ficar de olho nestes candidatos que tentam dar o golpe, o "caô", na hora de conquistar teu voto. Todos vendem a imagem de que são de origem humilde, de famílias pobres. O que eu duvido muito. O marketing político faz alguns milagres. Então, se os nossos políticos não estão sendo honestos agora, imagina então quando estiverem no poder. A minha dica é: sempre, mas sempre desconfie das intenções de todos. Nada é o que parece ser o que é.
quarta-feira, julho 14, 2010
Todos são bonzinhos na tela da TV
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Passado o circo temos que pensar no pão. Quem vai jogá-lo ao povo nos próximos anos? Aqui em Santa Catarina, por exemplo, há uma alternância constante da mesma “coisa”. Talvez sejamos dos povos mais ingênuos politicamente – outros usarão adjetivos diferentes. Mas tanto no governo estadual quanto federal a escolha é difícil.
Em época de campanha sempre surge um estranho coletivismo, ou melhor, um egoísmo coletivo. São eleitores que votam pensando como podem lucrar mais com a escolha “certa”, competindo com elegíveis querendo tirar proveito da bagunça fiscal em que vivemos.
Hipocrisia deles e nossa. Todos são bonzinhos na tela da TV. Há, no entanto, uma falsidade crônica em palavras nem sempre pensadas pelos próximos mandatários. Lobos que contratam ovelhas para tentar enganar o rebanho. E faz tempos estamos na mesma. Fomos domesticados. Cada um pensa na sua ração – o pão.
“Cada um por si e Deus por todos!”, dizem no alto do palanque, enquanto desfazem nossa consciência coletiva. Revolução dos bichos basta a de George Orwell! E riem com altos salários e ajuda de custo; com férias duas vezes ao ano e auxílio viagem; auxílio paletó – quer mais!?
As coisas vão mudar quando houver unidade. Quando a sociedade pensar no espaço público e exigir o mínimo de respeito. Quando os eleitos forem os de interesse público e não privado ou pessoal.
Há democracia ou algum tipo pulverizado de “egocracia”?
— Domesticados, hum!?
Passado o circo temos que pensar no pão. Quem vai jogá-lo ao povo nos próximos anos? Aqui em Santa Catarina, por exemplo, há uma alternância constante da mesma “coisa”. Talvez sejamos dos povos mais ingênuos politicamente – outros usarão adjetivos diferentes. Mas tanto no governo estadual quanto federal a escolha é difícil.
Em época de campanha sempre surge um estranho coletivismo, ou melhor, um egoísmo coletivo. São eleitores que votam pensando como podem lucrar mais com a escolha “certa”, competindo com elegíveis querendo tirar proveito da bagunça fiscal em que vivemos.
Hipocrisia deles e nossa. Todos são bonzinhos na tela da TV. Há, no entanto, uma falsidade crônica em palavras nem sempre pensadas pelos próximos mandatários. Lobos que contratam ovelhas para tentar enganar o rebanho. E faz tempos estamos na mesma. Fomos domesticados. Cada um pensa na sua ração – o pão.
“Cada um por si e Deus por todos!”, dizem no alto do palanque, enquanto desfazem nossa consciência coletiva. Revolução dos bichos basta a de George Orwell! E riem com altos salários e ajuda de custo; com férias duas vezes ao ano e auxílio viagem; auxílio paletó – quer mais!?
As coisas vão mudar quando houver unidade. Quando a sociedade pensar no espaço público e exigir o mínimo de respeito. Quando os eleitos forem os de interesse público e não privado ou pessoal.
Há democracia ou algum tipo pulverizado de “egocracia”?
— Domesticados, hum!?
quinta-feira, março 25, 2010
Qual novela você prefere?
*Fabrício Espíndola | www.twitter.com/xompi
Ao ver esse título, muitos intelectuais já nem lerão o que estará escrito abaixo, afinal, diriam estes: “o que eu quero saber de novela? Não assisto, não gosto, tenho vergonha de dizer o nome de um personagem, ou alguma trama que esteja em exibição hoje, então não lerei isso.”
Mas quem ler tudo, até o fim, entenderá que quero dizer. Vamos à contextualização:
Qual assunto está mais em evidência hoje na editoria (isso pra usar termo jornalístico) de polícia? Caso Isabella Nardoni, não? Por quê?
Como em uma novela, o caso da menina assassinada no início de 2008, brutalmente, pelo pai e pela madrasta está constantemente na TV. Tem um vilão, ou melhor, dois. Tem a mocinha, Ana Carolina, mãe da menina, e tem, claro, a personagem que todo mundo se apaixonou após morta, ao ver relatos de como era dócil, meiga e feliz com sua mãe.
Repórteres e telejornais fizeram o que faria um Manoel Carlos da vida (com a diferença que teria uma Helena junto), elegeram logo os vilões, sem a imparcialidade que pedia a faculdade. Também, em um caso destes, com tantas evidências, tem como ser imparcial?
Assim, o público começou a assistir o Jornal Nacional, com a mesma intensidade que assiste ao programa que vem antes, ou o a seguir, ou o das 14h, ou então o das 18h. Hoje, o julgamento faz o caso voltar à tona, após um esquecimento, claro, nenhuma novela dura para sempre, mas sempre tem seu Vale a Pena Ver de Novo. E todos estão atraídos, até intelectuais que, dessa novela, não têm vergonha ao admitir que assistem.
E na editoria de política? Opa, caso Arruda. Aliás, o ex-governador do Distrito Federal, ex-DEM, ainda DEMO, deve estar agradecido à família Nardoni, que tirou o foco de sua cassação e sua prisão. Pois é, mais um vilão, alguns heróis, daqueles de filme americano que faz justiça num país que quase não tem isso e lá se vão comentários do tipo “quem matou Odete Roitman?” ao questionarem quando ele ganharia soltura? Ainda não ganhou, mas a novela virou uma daqueles com robô falante, em segundo plano, sem muita atenção dos telespectadores, afinal, tem os Nardonis nas oito.
No esporte também tem novela, mas essa um pouco mais masculina, discutida esporadicamente, talvez como um filme da Sessão da Tarde que é visto uma vez por mês, não assim como aqueeela novela. Mas o fim, só em maio, no dia da convocação pra Copa. Claro, estou falando do Ronaldinho Gaúcho e sua novela em que faz um casal que vive de amor e brigas com seu par romântico, o teimoso Dunga.
Poderia ficar aqui citando várias outras novelas, como os terremotos, tsunamis, enfim, tudo que tem certa sequência, que gera dúvida e causa indignação de falsos moralistas. A propósito, autores de novelas devem estar em pânico, afinal, jornalistas hoje são muito bem treinados para fazer de notícias grandes novelas da humanidade, “dignas” do prêmio “Melhores do Ano”, no Domingão do Faustão.
É assim que estamos sendo tratados hoje, como telespectadores de novela. Se não for novela, não tem a mínima graça, se não tiver sequência, deixe a notícia de lado que não atraiu e não traz audiências. E você, de que novela gosta? A das 18h, a das 19h, a das 21h? Ou prefere as dos intervalos, nos programas de Jornalismo? Quem sabe você desliga sua TV nos momentos destas novelas, porque quer se informar a sua maneira, sem ter que torcer por personagem A, ou B e deixa pra religá-la na hora do BBB. Melhor não, né? Está difícil fugir desse controle midiático de hoje, então, vamos lá, ser atores da vida real, comandados por autores das mais variadas áreas, mas que fazem, de todos nós, noveleiros dos mais fanáticos!
Ao ver esse título, muitos intelectuais já nem lerão o que estará escrito abaixo, afinal, diriam estes: “o que eu quero saber de novela? Não assisto, não gosto, tenho vergonha de dizer o nome de um personagem, ou alguma trama que esteja em exibição hoje, então não lerei isso.”
Mas quem ler tudo, até o fim, entenderá que quero dizer. Vamos à contextualização:
Qual assunto está mais em evidência hoje na editoria (isso pra usar termo jornalístico) de polícia? Caso Isabella Nardoni, não? Por quê?
Como em uma novela, o caso da menina assassinada no início de 2008, brutalmente, pelo pai e pela madrasta está constantemente na TV. Tem um vilão, ou melhor, dois. Tem a mocinha, Ana Carolina, mãe da menina, e tem, claro, a personagem que todo mundo se apaixonou após morta, ao ver relatos de como era dócil, meiga e feliz com sua mãe.
Repórteres e telejornais fizeram o que faria um Manoel Carlos da vida (com a diferença que teria uma Helena junto), elegeram logo os vilões, sem a imparcialidade que pedia a faculdade. Também, em um caso destes, com tantas evidências, tem como ser imparcial?
Assim, o público começou a assistir o Jornal Nacional, com a mesma intensidade que assiste ao programa que vem antes, ou o a seguir, ou o das 14h, ou então o das 18h. Hoje, o julgamento faz o caso voltar à tona, após um esquecimento, claro, nenhuma novela dura para sempre, mas sempre tem seu Vale a Pena Ver de Novo. E todos estão atraídos, até intelectuais que, dessa novela, não têm vergonha ao admitir que assistem.
E na editoria de política? Opa, caso Arruda. Aliás, o ex-governador do Distrito Federal, ex-DEM, ainda DEMO, deve estar agradecido à família Nardoni, que tirou o foco de sua cassação e sua prisão. Pois é, mais um vilão, alguns heróis, daqueles de filme americano que faz justiça num país que quase não tem isso e lá se vão comentários do tipo “quem matou Odete Roitman?” ao questionarem quando ele ganharia soltura? Ainda não ganhou, mas a novela virou uma daqueles com robô falante, em segundo plano, sem muita atenção dos telespectadores, afinal, tem os Nardonis nas oito.
No esporte também tem novela, mas essa um pouco mais masculina, discutida esporadicamente, talvez como um filme da Sessão da Tarde que é visto uma vez por mês, não assim como aqueeela novela. Mas o fim, só em maio, no dia da convocação pra Copa. Claro, estou falando do Ronaldinho Gaúcho e sua novela em que faz um casal que vive de amor e brigas com seu par romântico, o teimoso Dunga.
Poderia ficar aqui citando várias outras novelas, como os terremotos, tsunamis, enfim, tudo que tem certa sequência, que gera dúvida e causa indignação de falsos moralistas. A propósito, autores de novelas devem estar em pânico, afinal, jornalistas hoje são muito bem treinados para fazer de notícias grandes novelas da humanidade, “dignas” do prêmio “Melhores do Ano”, no Domingão do Faustão.
É assim que estamos sendo tratados hoje, como telespectadores de novela. Se não for novela, não tem a mínima graça, se não tiver sequência, deixe a notícia de lado que não atraiu e não traz audiências. E você, de que novela gosta? A das 18h, a das 19h, a das 21h? Ou prefere as dos intervalos, nos programas de Jornalismo? Quem sabe você desliga sua TV nos momentos destas novelas, porque quer se informar a sua maneira, sem ter que torcer por personagem A, ou B e deixa pra religá-la na hora do BBB. Melhor não, né? Está difícil fugir desse controle midiático de hoje, então, vamos lá, ser atores da vida real, comandados por autores das mais variadas áreas, mas que fazem, de todos nós, noveleiros dos mais fanáticos!
terça-feira, dezembro 08, 2009
O que será de Dilma
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bate recordes de aprovação (83%), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata governista à sucessão presidencial, é a mais rejeitada entre os eleitores. Na pesquisa divulgada pelo CNI/Ibope, 42% dos entrevistados disseram que não votariam em Dilma de “jeito nenhum”.
Mesmo assim, o PT será obrigado a jogar todas as suas fichas na única carta que lhes restou nas mãos após os escândalos do “mensalão” que derrubaram os Josés Dirceu e Genuíno ainda no primeiro mandato de Lula: a “dama de copas Dilma Rousseff”.
Por toda uma geração se ouviu falar pejorativamente que “petista votaria até em um cachorro se este fosse candidato pelo PT”. Agora, passados um par de anos e dois mandatos do pernambucano, a metáfora bem pode ser invertida:
— Será que Lula em outro partido levaria seus votos do PT?
Apesar do “filho do Brasil” intitular Dilma a “mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)” e não desgrudar mais da economista mineira por onde quer que ande, Dilma não cai no gosto do povo.
O brasileiro, de modo geral, mostra que gosta de se ver no espelho. O tipo intelectual não lhe cai no agrado. Quer alguém de carne e osso. Alguém que goste de futebol, de música popular e, porque não, de uma cachacinha “pra abrir o apetite”.
Dilma é o oposto da figura de Lula em muitos aspectos. É dura, tem um discurso aguerrido, assim como o de Lula nos áureos tempos de ABC. Mas Dilma nasceu em berço de ouro, teve educação privilegiada e lutou contra a ditadura por um mundo mais justo, enquanto que os oprimidos pelo qual lutavam Dilma e seus companheiros, muitas vezes não entendiam aquela luta e os desprezavam, os deduravam e os temiam.
Apegando-se ainda a pesquisa, vale ressaltar que apenas 32% dos entrevistados disseram conhecer Dilma. Coincidentemente, os que alegam votos nulos, brancos e os que não responderam, também somam 32%. José Serra, pré-candidato tucano tem 38% e Dilma segue empatada com Ciro Gomes em segundo lugar com 17%.
A campanha eleitoral será capaz de reverter este quadro positivamente para o PT e para Dilma?
Vejamos: enquanto no Brasil pululam manchetes negativas nos principais jornais, no exterior o governo de Lula é citado como exemplo, tanto pelo crescimento do país, como pela diminuição da desigualdade social. Ou o brasileiro anda lendo mais jornais estrangeiros ou não anda lendo nada.
Levando em conta a segunda opção, o departamento de propaganda do PT terá um belo trabalho para transferir ao menos parte dos votos de Lula para Dilma.
Talvez a tarefa de Dilma nem seja tão difícil. Se 83% aprovam o governo Lula, é mais fácil elogiar do que atacar. Dilma também tem a seu favor o fato de ser mulher e a novidade de uma mulher presidente do Brasil pode ser o trunfo da petista.
Contra ela, por outro lado, certamente os tucanos vão certamente chama-la de terrorista (como assim fizeram e fazem com quem lutou contra os militares), pela sua participação em organizações de resistência ao golpe de 64. Também lembrarão do caso Varig e do Dossiê da Casa Civil. Contra Dilma também pesa o fato de nunca ter sido eleita à cargo algum e sua participação política se resumir a ministérios e secretarias.
Ah, e já que o brasileiro parece gostar tanto disso: a Dilma fala em inglês?
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 26 e 30 de novembro em 143 municípios brasileiros. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bate recordes de aprovação (83%), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata governista à sucessão presidencial, é a mais rejeitada entre os eleitores. Na pesquisa divulgada pelo CNI/Ibope, 42% dos entrevistados disseram que não votariam em Dilma de “jeito nenhum”.
Mesmo assim, o PT será obrigado a jogar todas as suas fichas na única carta que lhes restou nas mãos após os escândalos do “mensalão” que derrubaram os Josés Dirceu e Genuíno ainda no primeiro mandato de Lula: a “dama de copas Dilma Rousseff”.
Por toda uma geração se ouviu falar pejorativamente que “petista votaria até em um cachorro se este fosse candidato pelo PT”. Agora, passados um par de anos e dois mandatos do pernambucano, a metáfora bem pode ser invertida:
— Será que Lula em outro partido levaria seus votos do PT?
Apesar do “filho do Brasil” intitular Dilma a “mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)” e não desgrudar mais da economista mineira por onde quer que ande, Dilma não cai no gosto do povo.
O brasileiro, de modo geral, mostra que gosta de se ver no espelho. O tipo intelectual não lhe cai no agrado. Quer alguém de carne e osso. Alguém que goste de futebol, de música popular e, porque não, de uma cachacinha “pra abrir o apetite”.
Dilma é o oposto da figura de Lula em muitos aspectos. É dura, tem um discurso aguerrido, assim como o de Lula nos áureos tempos de ABC. Mas Dilma nasceu em berço de ouro, teve educação privilegiada e lutou contra a ditadura por um mundo mais justo, enquanto que os oprimidos pelo qual lutavam Dilma e seus companheiros, muitas vezes não entendiam aquela luta e os desprezavam, os deduravam e os temiam.
Apegando-se ainda a pesquisa, vale ressaltar que apenas 32% dos entrevistados disseram conhecer Dilma. Coincidentemente, os que alegam votos nulos, brancos e os que não responderam, também somam 32%. José Serra, pré-candidato tucano tem 38% e Dilma segue empatada com Ciro Gomes em segundo lugar com 17%.
A campanha eleitoral será capaz de reverter este quadro positivamente para o PT e para Dilma?
Vejamos: enquanto no Brasil pululam manchetes negativas nos principais jornais, no exterior o governo de Lula é citado como exemplo, tanto pelo crescimento do país, como pela diminuição da desigualdade social. Ou o brasileiro anda lendo mais jornais estrangeiros ou não anda lendo nada.
Levando em conta a segunda opção, o departamento de propaganda do PT terá um belo trabalho para transferir ao menos parte dos votos de Lula para Dilma.
Talvez a tarefa de Dilma nem seja tão difícil. Se 83% aprovam o governo Lula, é mais fácil elogiar do que atacar. Dilma também tem a seu favor o fato de ser mulher e a novidade de uma mulher presidente do Brasil pode ser o trunfo da petista.
Contra ela, por outro lado, certamente os tucanos vão certamente chama-la de terrorista (como assim fizeram e fazem com quem lutou contra os militares), pela sua participação em organizações de resistência ao golpe de 64. Também lembrarão do caso Varig e do Dossiê da Casa Civil. Contra Dilma também pesa o fato de nunca ter sido eleita à cargo algum e sua participação política se resumir a ministérios e secretarias.
Ah, e já que o brasileiro parece gostar tanto disso: a Dilma fala em inglês?
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 26 e 30 de novembro em 143 municípios brasileiros. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%.
terça-feira, novembro 03, 2009
De liberdade e esperança
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Todo tipo de idealismo parece ter morrido. O que temos hoje são resquícios de tudo e de nada, distorções e mutações de todos os gêneros; e de todas as formas de governo conhecidas, não houve uma que não tenha tomado gosto pelo poder e usado isto em benefício próprio. Do ideal comunista vimos surgir o autoritarismo – da igualdade pela mão de ferro –, e do capitalista o consumismo – do quanto mais, melhor e para o bolso de poucos.
De toda forma, parte do mundo está migrando do consumismo – que ainda predomina – para um liberalismo real. Não aquele liberalismo econômico padronizado dos clássicos de economia, mas um que também possibilita a liberdade de pensamento. Um liberalismo mais social. A humanidade parece ter adquirido nestes últimos anos uma certa consciência de que a informação e a capacidade de pensar traz benefícios não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Pois é verdade que produzimos mais informações nos últimos 50 anos do que em vários outros séculos de História.
É claro que, em muitos lugares, muita gente ainda está longe disso. Além das limitações promovidas pela influência dos idealismos do passado – fatores econômicos, por exemplo –, há ainda os limitadores sociais – questões como o analfabetismo e a fome. Mas também se vê, em algumas regiões, o povo a escapar de dogmas – gerais, não somente os da fé –, e que a ciência tem possibilitado novas ideias – por mérito do acesso à informação. Ideias que podem mudar ainda mais o mundo.
Temos muito ainda para refletir e desenvolver, mas a saída desta mais recente crise econômica mostra que o mundo se reergueu com novas ideias, como novos anti-corpos. A crise ainda provou que o liberalismo atual não era lá muito liberal e que o Estado ainda é parte importante deste sistema. Mas agora, com as coisas voltando aos eixos, pode-se planejar uma nova estratégia para a economia – para que os erros não se repitam. E o papel do Estado não deve voltar a ser o proposto pelo capitalismo ou comunismo – como alguns acusaram o governo de Barack Obama, pós-crise –, nem por outros tantos ...ismos.
Resta a esperança de que se faça um Estado-Livre, planejado para que sua população tenha tempo de receber uma formação adequada e livre. O que só teremos depois de uma consciente disputa eleitoral e da pressão popular por resultados das ações dos eleitos. Bem, como disse: liberdade e esperança – ainda sonhos.
Todo tipo de idealismo parece ter morrido. O que temos hoje são resquícios de tudo e de nada, distorções e mutações de todos os gêneros; e de todas as formas de governo conhecidas, não houve uma que não tenha tomado gosto pelo poder e usado isto em benefício próprio. Do ideal comunista vimos surgir o autoritarismo – da igualdade pela mão de ferro –, e do capitalista o consumismo – do quanto mais, melhor e para o bolso de poucos.
De toda forma, parte do mundo está migrando do consumismo – que ainda predomina – para um liberalismo real. Não aquele liberalismo econômico padronizado dos clássicos de economia, mas um que também possibilita a liberdade de pensamento. Um liberalismo mais social. A humanidade parece ter adquirido nestes últimos anos uma certa consciência de que a informação e a capacidade de pensar traz benefícios não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Pois é verdade que produzimos mais informações nos últimos 50 anos do que em vários outros séculos de História.
É claro que, em muitos lugares, muita gente ainda está longe disso. Além das limitações promovidas pela influência dos idealismos do passado – fatores econômicos, por exemplo –, há ainda os limitadores sociais – questões como o analfabetismo e a fome. Mas também se vê, em algumas regiões, o povo a escapar de dogmas – gerais, não somente os da fé –, e que a ciência tem possibilitado novas ideias – por mérito do acesso à informação. Ideias que podem mudar ainda mais o mundo.
Temos muito ainda para refletir e desenvolver, mas a saída desta mais recente crise econômica mostra que o mundo se reergueu com novas ideias, como novos anti-corpos. A crise ainda provou que o liberalismo atual não era lá muito liberal e que o Estado ainda é parte importante deste sistema. Mas agora, com as coisas voltando aos eixos, pode-se planejar uma nova estratégia para a economia – para que os erros não se repitam. E o papel do Estado não deve voltar a ser o proposto pelo capitalismo ou comunismo – como alguns acusaram o governo de Barack Obama, pós-crise –, nem por outros tantos ...ismos.
Resta a esperança de que se faça um Estado-Livre, planejado para que sua população tenha tempo de receber uma formação adequada e livre. O que só teremos depois de uma consciente disputa eleitoral e da pressão popular por resultados das ações dos eleitos. Bem, como disse: liberdade e esperança – ainda sonhos.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Lula quer o Oscar
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Quando Lula entrar em seu apartamento pela primeira vez como ex-presidente da República, vai olhar para trás e contemplar momentos de pura realização. É bem provável que – respeitemos o exercício de futurologia desde escrevedor – Lula peça para Marisa uma flanela nova e pela enésima vez lustre a estatueta do Oscar resplandecente em sua estante.
Homem de sorte como poucos, vai ver passar em parcas lembranças as turbulências de “mensalão” que o assombraram nos primeiros anos de governo. O pernambucano saiu ileso, blindado e fortalecido do episódio. Para os correligionários, Lula parece ter um santo forte. Para os opositores, Lula deve ter feito um pacto com o “coisa ruim”.
Pois o antigo sindicalista de defesas briosas dos trabalhadores, depois de passar pelas mais inesperadas transformações, ao ponto de, se aliar aos ex-opositores e decepcionar os ex-seguidores, conquistou o direito de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016.
Certamente nos velhos e bons tempos, Lula seria contra tudo isso. Agora, passado esses anos todos de jantares regados a goles inesgotáveis de poder, Lula quer mais. Lula quer o Oscar!
Nascido com o traseiro apontado para a Lua de Garanhuns, a Suíça Pernambucana, quem é capaz de duvidar que Lula não acabe realmente conquistando o prêmio maior da academia norte-americana de cinema?
O filme “Lula, o filho do Brasil”, estreia aqui em janeiro no próximo ano, mas já causa frenesi nos Estados Unidos. O diário The Miami Herald dedicou, conforme o blogue Mídia Mundo, mais de meia capa ao presidente brasileiro e antecipou que a película promete casa cheia.
Enquanto isso, o povo rebola para sobreviver. Tem que ser meio jogador de futebol para driblar os “pobrema”, atleta olímpico para correr de bandido e ator de cinema fazendo papel de palhaço.
É o Brasil, que nos deixa com vergonha de defender e ao mesmo momento de atacar. Com vergonha de declarar amor, mas também com vergonha de admitir ódio.
É o Lula, o presidente que os ricos acusam de só olhar pelos pobres e os pobres acusam de só olhar pelos ricos.
Quando Lula entrar em seu apartamento pela primeira vez como ex-presidente da República, vai olhar para trás e contemplar momentos de pura realização. É bem provável que – respeitemos o exercício de futurologia desde escrevedor – Lula peça para Marisa uma flanela nova e pela enésima vez lustre a estatueta do Oscar resplandecente em sua estante.
Homem de sorte como poucos, vai ver passar em parcas lembranças as turbulências de “mensalão” que o assombraram nos primeiros anos de governo. O pernambucano saiu ileso, blindado e fortalecido do episódio. Para os correligionários, Lula parece ter um santo forte. Para os opositores, Lula deve ter feito um pacto com o “coisa ruim”.
Pois o antigo sindicalista de defesas briosas dos trabalhadores, depois de passar pelas mais inesperadas transformações, ao ponto de, se aliar aos ex-opositores e decepcionar os ex-seguidores, conquistou o direito de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016.
Certamente nos velhos e bons tempos, Lula seria contra tudo isso. Agora, passado esses anos todos de jantares regados a goles inesgotáveis de poder, Lula quer mais. Lula quer o Oscar!
Nascido com o traseiro apontado para a Lua de Garanhuns, a Suíça Pernambucana, quem é capaz de duvidar que Lula não acabe realmente conquistando o prêmio maior da academia norte-americana de cinema?
O filme “Lula, o filho do Brasil”, estreia aqui em janeiro no próximo ano, mas já causa frenesi nos Estados Unidos. O diário The Miami Herald dedicou, conforme o blogue Mídia Mundo, mais de meia capa ao presidente brasileiro e antecipou que a película promete casa cheia.
Enquanto isso, o povo rebola para sobreviver. Tem que ser meio jogador de futebol para driblar os “pobrema”, atleta olímpico para correr de bandido e ator de cinema fazendo papel de palhaço.
É o Brasil, que nos deixa com vergonha de defender e ao mesmo momento de atacar. Com vergonha de declarar amor, mas também com vergonha de admitir ódio.
É o Lula, o presidente que os ricos acusam de só olhar pelos pobres e os pobres acusam de só olhar pelos ricos.
terça-feira, setembro 22, 2009
Honduras: pegaram o presidente de pijamas
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Uma confusão danada em Honduras. Você já deve ter visto alguma coisa na TV ou na Internet sobre isso, mas não é muito fácil de entender. Agora imagine lá, onde os meios de comunicação estão sob censura e a população nem sabia que tinha acontecido um golpe de estado. Só quem soube da novidade foi a pequena parcela da população que tem Internet e TV a cabo.
Honduras é um país muito pobre, com um dos piores índices de desenvolvimento econômico na América Latina. A economia é baseada na agricultura, de onde vem a maior parte da receita do país, gerada pelo trabalho de 4,8 milhões de pessoas.
O golpe aconteceu no domingo do dia 28 de junho deste ano. No dia 30 aconteceria um referendo proposto pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, para saber se a população concordava em ter uma Assembléia Constituinte para fazer uma revisão na constituição do país. Mas existiam comentários de que isso era uma tentativa ilegal de derrubar uma lei que define que o mandato presidencial é de quatro anos, sem direito a reeleição. A Justiça, o Congresso e o Ministério Público decidiram que o referendo era inconstitucional.
Tanto a população a favor e a contra ao presidente começaram a fazer manifestações nas ruas da capital Tegucigalpa.
Confusão de objetivos
Zelaya diz que queria abrir caminho para uma constituição que favorecesse os pobres, (70% do país), e que o referendo era apenas para saber o que povo pensa. Por ser aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, existe o medo que ele queira instalar o mesmo populismo socialista no país da América Central.
Sua oposição diz que na verdade, o presidente queria impor uma nova constituição que permita a reeleição. E que ele só foi preso, porque descumpriu uma ordem judicial.
Como o presidente foi deposto
Imagine acordar com ao som de tiros. Depois você é tirado da cama por militares mascarados e levado, ainda de pijamas para o aeroporto da capital. Você nem sabe para onde está indo e ainda tiram seu celular! Foi isso que aconteceu com Zelaya, presidente deposto.
Na tarde daquele dia 28 o congresso de Honduras fez uma sessão de emergência e votou a saída do presidente. Também leram uma suposta carta de renúncia, a qual Manuel Zelaya nega ter escrito. O presidente do congresso, Roberto Micheletti, assumiu a presidência interina de Honduras. Algumas horas depois de uma briga feia entre os cidadãos a favor de Zelaya e a polícia, Micheletti deu uma entrevista a Rádio Nacional dizendo que "não houve golpe de Estado e nem nada parecido".
Ele quer que os outros países acreditem que a sua chegada ao poder está de acordo com a constituição. O problema é que todos os países da América são contra o golpe militar e querem que Zelaya volte ao governo. Sobre isso, o presidente deposto disse que "um governo roubado, que surge pela força, não pode ser aceito, não irá ser aceito por nenhum outro país".
Mas a Justiça e o Congresso de Honduras afirmam que o governo interino vai continuar até as eleições gerais, em novembro.
Solução?
Da fronteira com a Nicarágua, ao sul de Honduras, Zelaya pediu o apoio do povo e principalmente de soldados e oficiais de alto escalão, para que eles se rebelem contra a cúpula militar. "Há muita gente sofrendo dentro de meu país. Resistimos firmemente 28 dias e não tem havido um minuto de descanso até que os usurpadores saiam", disse o presidente deposto.
Oscar Árias, presidente da Costa Rica, propôs medidas para acabar com a crise política, porém um dos pontos do projeto é a volta de Zelaya ao poder, e esta é uma questão indiscutível para o Exército e para Micheletti. Eles não vão deixar o governo.
O que piora a situação: os países que antes eram aliados agora começam a cortar auxílios a Honduras, que por ser muito pobre, precisa deles, principalmente em meio a crise econômica mundial.
Últimas informações
Manuel Zelaya conseguiu retornar ao país e está abrigado na embaixada brasileira. O presidente deposto diz que seu lema agora é “pátria, restituição ou morte”.
Nesta manhã a embaixada já estava sem energia elétrica e água. Houve conflito entre o exército do governo interino e manifestantes pró-Zelaya nos arredores da sede diplomática do Brasil.
A situação agora também é delicada para a diplomacia brasileira.
Uma confusão danada em Honduras. Você já deve ter visto alguma coisa na TV ou na Internet sobre isso, mas não é muito fácil de entender. Agora imagine lá, onde os meios de comunicação estão sob censura e a população nem sabia que tinha acontecido um golpe de estado. Só quem soube da novidade foi a pequena parcela da população que tem Internet e TV a cabo.
Honduras é um país muito pobre, com um dos piores índices de desenvolvimento econômico na América Latina. A economia é baseada na agricultura, de onde vem a maior parte da receita do país, gerada pelo trabalho de 4,8 milhões de pessoas.
O golpe aconteceu no domingo do dia 28 de junho deste ano. No dia 30 aconteceria um referendo proposto pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, para saber se a população concordava em ter uma Assembléia Constituinte para fazer uma revisão na constituição do país. Mas existiam comentários de que isso era uma tentativa ilegal de derrubar uma lei que define que o mandato presidencial é de quatro anos, sem direito a reeleição. A Justiça, o Congresso e o Ministério Público decidiram que o referendo era inconstitucional.
Tanto a população a favor e a contra ao presidente começaram a fazer manifestações nas ruas da capital Tegucigalpa.
Confusão de objetivos
Zelaya diz que queria abrir caminho para uma constituição que favorecesse os pobres, (70% do país), e que o referendo era apenas para saber o que povo pensa. Por ser aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, existe o medo que ele queira instalar o mesmo populismo socialista no país da América Central.
Sua oposição diz que na verdade, o presidente queria impor uma nova constituição que permita a reeleição. E que ele só foi preso, porque descumpriu uma ordem judicial.
Como o presidente foi deposto
Imagine acordar com ao som de tiros. Depois você é tirado da cama por militares mascarados e levado, ainda de pijamas para o aeroporto da capital. Você nem sabe para onde está indo e ainda tiram seu celular! Foi isso que aconteceu com Zelaya, presidente deposto.
Na tarde daquele dia 28 o congresso de Honduras fez uma sessão de emergência e votou a saída do presidente. Também leram uma suposta carta de renúncia, a qual Manuel Zelaya nega ter escrito. O presidente do congresso, Roberto Micheletti, assumiu a presidência interina de Honduras. Algumas horas depois de uma briga feia entre os cidadãos a favor de Zelaya e a polícia, Micheletti deu uma entrevista a Rádio Nacional dizendo que "não houve golpe de Estado e nem nada parecido".
Ele quer que os outros países acreditem que a sua chegada ao poder está de acordo com a constituição. O problema é que todos os países da América são contra o golpe militar e querem que Zelaya volte ao governo. Sobre isso, o presidente deposto disse que "um governo roubado, que surge pela força, não pode ser aceito, não irá ser aceito por nenhum outro país".
Mas a Justiça e o Congresso de Honduras afirmam que o governo interino vai continuar até as eleições gerais, em novembro.
Solução?
Da fronteira com a Nicarágua, ao sul de Honduras, Zelaya pediu o apoio do povo e principalmente de soldados e oficiais de alto escalão, para que eles se rebelem contra a cúpula militar. "Há muita gente sofrendo dentro de meu país. Resistimos firmemente 28 dias e não tem havido um minuto de descanso até que os usurpadores saiam", disse o presidente deposto.
Oscar Árias, presidente da Costa Rica, propôs medidas para acabar com a crise política, porém um dos pontos do projeto é a volta de Zelaya ao poder, e esta é uma questão indiscutível para o Exército e para Micheletti. Eles não vão deixar o governo.
O que piora a situação: os países que antes eram aliados agora começam a cortar auxílios a Honduras, que por ser muito pobre, precisa deles, principalmente em meio a crise econômica mundial.
Últimas informações
Manuel Zelaya conseguiu retornar ao país e está abrigado na embaixada brasileira. O presidente deposto diz que seu lema agora é “pátria, restituição ou morte”.
Nesta manhã a embaixada já estava sem energia elétrica e água. Houve conflito entre o exército do governo interino e manifestantes pró-Zelaya nos arredores da sede diplomática do Brasil.
A situação agora também é delicada para a diplomacia brasileira.
sábado, setembro 19, 2009
Prova oral
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Não existe viva alma que tenha estudado na Escola Técnica Diomício Freitas, em Tubarão, no Sul Catarinense, entre o final dos anos 80 e meados dos 90, que desconheça a história de uma professora que foi flagrada aplicando uma “prova oral” em um professor na biblioteca do colégio.
Uma lenda? Certamente jamais teremos a comprovação. De todo modo, íamos à forra quando a professora: uma morena, balzaquiana à época, baixinha, sempre com decotes provocantes, de sardas castanhas em seu peito alvo e um perfume que a seguia pelo imenso corredor da escola. Não era bonita, mas quem a visse de costas era capaz de trocar um reino por uma encostada bem dada.
Pois a pobre sofria a perseguição dos endiabrados do fundão, entre eles, este insignificante escriba. Gracejos e trocadilhos com seu nome eram proferidos por aqueles que não temiam baixar o calão nem ter seu nome eternizado na lista negra da escola.
Para nós, no auge das manifestações hormonais, pouco importava se não existia uma testemunha ocular da história para contar e comprovar ínterim por ínterim o acontecido. Todo mundo sabia e se todo mundo sabia, era verdade.
O que aconteceu naquela biblioteca entre os dois amantes professores, deve ter deixado Aurélio Buarque de Holanda sem palavras, com seu dicionário recheado de expressões adormecidas no ostracismo.
Os tomos didáticos de Geografia não descreveriam tão bem os relevos dos corpos; os de Matemática, não calculariam as chances de serem pegos; os de Língua Portuguesa, não encontrariam regras para os monossílabos emitidos em uníssono; os de Ciências, enfim, não seriam capazes de medir os níveis de adrenalina no coração do casal de docentes amantes.
Os volumes e verbetes das enciclopédias dividiram-se entre os horrorizados e os entusiasmados. Gritinhos de revolta e regozijo ecoavam das páginas mordiscadas pelas traças oportunistas.
O canhoto Machado de Assis, ao lado de Brás Cubas, Capitu, Quincas Borba e companhia, emudecidos, acompanhavam sem desgrudas os olhos do despudor no educandário.
Graciliano Ramos tivesse visto antes aquele destempero sexual, provavelmente mudaria o título de seu Memórias do Cárcere para Memórias da Biblioteca. É possível que até a cachorra Baleia, o animalzinho de estimação da família de Fabiano, flagelados pela seca, tenha sentido as faces ruborizadas com a cena.
Nem dona Flor, Tieta e Gabriela resistiram e pararam para assistir, ao lado, é claro, de Jorge Amado.
Antonio Conselheiro, seus seguidores e Euclides da Cunha, devem ter ficados estarrecidos com os descaminhos da República. Erguerem suas toscas armas e bradaram pela Monarquia uma vez mais.
Nelson Rodrigues, antes que esqueça, foi um dos poucos que se deliciou com o que viu. Só faltou para ele, um marido traído e uma vingança à bala.
O médico, diplomata e escritor Guimarães Rosa, com o sertanejo Riobaldo e o chefe dos jagunços Diadorim, teriam novidades para levar aos sertões dos muitos Brasis.
Nem a previsão fúnebre da cartomante ou a tuberculose da infeliz retirante Macabéa foram mais fortes que o choque tomado por ela e Clarice Lispector naquele instante memorável.
Dom Quixote e menos ainda Cervantes, viram tamanha fábula em todas as peripécias errantes do cavaleiro castelhano.
Talvez apenas o Senado brasileiro consiga repetir segredos que repetem aos ventos como verdade, mas ninguém prova nada, como fizeram aqueles dois professores há vinte e tantos anos. Estão aí os atos secretos que não deixam meu nariz crescer. Por debaixo dos tapetes, entre cochichos ao pé do ouvido atrás de portas trancadas, tem senador que nomeia, desnomeia, manda e desmanda.
Democracia nem sempre significa transparência. De lendas anunciadas e jamais comprovadas, apuradas ou investigadas, o Senado está cheio. Assim como com aqueles dois pobres professores que sofreram por uma carreira com piadinhas infames, vamos rindo dos políticos, sem nos preocuparmos com as verdades escondidas e o resultado do jogo, na maioria das vezes, favorável a eles, que seguem em seus atos secretos e sacanas.
Não existe viva alma que tenha estudado na Escola Técnica Diomício Freitas, em Tubarão, no Sul Catarinense, entre o final dos anos 80 e meados dos 90, que desconheça a história de uma professora que foi flagrada aplicando uma “prova oral” em um professor na biblioteca do colégio.
Uma lenda? Certamente jamais teremos a comprovação. De todo modo, íamos à forra quando a professora: uma morena, balzaquiana à época, baixinha, sempre com decotes provocantes, de sardas castanhas em seu peito alvo e um perfume que a seguia pelo imenso corredor da escola. Não era bonita, mas quem a visse de costas era capaz de trocar um reino por uma encostada bem dada.
Pois a pobre sofria a perseguição dos endiabrados do fundão, entre eles, este insignificante escriba. Gracejos e trocadilhos com seu nome eram proferidos por aqueles que não temiam baixar o calão nem ter seu nome eternizado na lista negra da escola.
Para nós, no auge das manifestações hormonais, pouco importava se não existia uma testemunha ocular da história para contar e comprovar ínterim por ínterim o acontecido. Todo mundo sabia e se todo mundo sabia, era verdade.
O que aconteceu naquela biblioteca entre os dois amantes professores, deve ter deixado Aurélio Buarque de Holanda sem palavras, com seu dicionário recheado de expressões adormecidas no ostracismo.
Os tomos didáticos de Geografia não descreveriam tão bem os relevos dos corpos; os de Matemática, não calculariam as chances de serem pegos; os de Língua Portuguesa, não encontrariam regras para os monossílabos emitidos em uníssono; os de Ciências, enfim, não seriam capazes de medir os níveis de adrenalina no coração do casal de docentes amantes.
Os volumes e verbetes das enciclopédias dividiram-se entre os horrorizados e os entusiasmados. Gritinhos de revolta e regozijo ecoavam das páginas mordiscadas pelas traças oportunistas.
O canhoto Machado de Assis, ao lado de Brás Cubas, Capitu, Quincas Borba e companhia, emudecidos, acompanhavam sem desgrudas os olhos do despudor no educandário.
Graciliano Ramos tivesse visto antes aquele destempero sexual, provavelmente mudaria o título de seu Memórias do Cárcere para Memórias da Biblioteca. É possível que até a cachorra Baleia, o animalzinho de estimação da família de Fabiano, flagelados pela seca, tenha sentido as faces ruborizadas com a cena.
Nem dona Flor, Tieta e Gabriela resistiram e pararam para assistir, ao lado, é claro, de Jorge Amado.
Antonio Conselheiro, seus seguidores e Euclides da Cunha, devem ter ficados estarrecidos com os descaminhos da República. Erguerem suas toscas armas e bradaram pela Monarquia uma vez mais.
Nelson Rodrigues, antes que esqueça, foi um dos poucos que se deliciou com o que viu. Só faltou para ele, um marido traído e uma vingança à bala.
O médico, diplomata e escritor Guimarães Rosa, com o sertanejo Riobaldo e o chefe dos jagunços Diadorim, teriam novidades para levar aos sertões dos muitos Brasis.
Nem a previsão fúnebre da cartomante ou a tuberculose da infeliz retirante Macabéa foram mais fortes que o choque tomado por ela e Clarice Lispector naquele instante memorável.
Dom Quixote e menos ainda Cervantes, viram tamanha fábula em todas as peripécias errantes do cavaleiro castelhano.
Talvez apenas o Senado brasileiro consiga repetir segredos que repetem aos ventos como verdade, mas ninguém prova nada, como fizeram aqueles dois professores há vinte e tantos anos. Estão aí os atos secretos que não deixam meu nariz crescer. Por debaixo dos tapetes, entre cochichos ao pé do ouvido atrás de portas trancadas, tem senador que nomeia, desnomeia, manda e desmanda.
Democracia nem sempre significa transparência. De lendas anunciadas e jamais comprovadas, apuradas ou investigadas, o Senado está cheio. Assim como com aqueles dois pobres professores que sofreram por uma carreira com piadinhas infames, vamos rindo dos políticos, sem nos preocuparmos com as verdades escondidas e o resultado do jogo, na maioria das vezes, favorável a eles, que seguem em seus atos secretos e sacanas.
terça-feira, setembro 08, 2009
Vamos torcer o pepino!
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Assisti, noites atrás, ao filme Sonhadora – assim mesmo, sem o artigo “a”. A trama retrata uma história baseada em fatos reais. Tudo começa quando uma égua de corrida, a Sonhadora, sofre uma séria lesão em uma das patas, durante uma prova e, seu dono, um ricaço sem escrúpulos ordena o seu sacrifício. O treinador do equino e seus ajudantes insistem que podem salvá-la. Desafiam o patrão, são demitidos e topam receber o que tem em atraso em troca do animal condenado.
Claro, não estou aqui para estragar o final do filme e contar que a égua se recupera e vence um prêmio milionário, montada pelo jóquei fracassado que até então apenas lhe montava nos treinos.
Neste belo filme, me chamou a atenção uma garotinha de uns dez anos. Ela mora no haras de seu avô, um conhecido e talentoso ex-treinador de cavalos de corrida. A menina sofre porque aquele é o único estábulo da região que ironicamente não tem um cavalo sequer.
O pai da menina vive de mau humor. Não encontra mais prazer na profissão que herdou do pai. Pai e filho, por sinal, não se entendem. Os filmes americanos adoram retratar esses problemas familiares, tanto quando adoram filmes que terminam em aplausos. Mas ainda não é sobre isso que quero falar.
É a teimosia da menina que chama a atenção. Antes da corrida em que a égua se fere, ela aborda o pai tentando escapar da promessa de levá-la junto à prova. A sua presença e seu olhar extremamente duro para uma criança de sua idade fazem o pai abrir mão do emprego em nome de um desafio praticamente perdido.
De tanto insistirem, eles recuperam a égua e, o que é mais inusitado, conseguem uma vaga para uma das corridas mais importantes do país. O antigo dono do animal oferece um bom dinheiro pelo animal de volta. Uma quantia que não chega aos pés da recompensa pela vitória na mencionada corrida. Mas, como diria meu tio Bartolomeu do alto de sua sapiência, “mais vale um pombo na mão, que dois avuando”.
O magnata chega esnobando e faz a oferta ao pai de menina. Ela sentada, de braços cruzados. O pai dá às costas. O antigo dono do cavalo vai ao avô. Ele ouve calado e apenas diz: “o cavalo agora é dela”. O vilão da história vai a ela. A garota se levanta. Os braços seguem cruzados. São segundos de suspense.
Não! Irredutível e com uma firmeza de caráter invejável, a menina, assim como qualquer criança, nos dá uma lição de moral, ética e compromisso.
A petulância daquela garotinha e a sua persistência deveriam ser valores perseguidos por todos nós. Com o tempo estragamos as nossas crianças lhes enquadrando nos patrões sociais da sobrevivência.
Ainda sonho ver a Ana Maria Braga levando crianças para julgar seus pratos. Não uma só, que pode se inibir, mas uma turma inteira de quarta série.
Não que as crianças não mintam. Elas mentem sim. Mentem quando querem um carinho, um colo ou um lugarzinho no meio do pai e da mãe na cama do casal. A diferença entre elas e os adultos é que os pequenos não escondem o que pensam se querem expressar seus sentimentos. A auto-censura não comanda suas vidas como comanda a nossa. Elas jamais entenderiam o quanto de veneno pode existir em um tapinha nas costas.
Por sentimentalismos, quando aceitamos as mentiras inocentes das crianças e lhes respondemos com afagos suas pequenas armações, podemos estar plantando uma sementinha que ira germinar anos mais tarde em troca de votos, de favores e de vantagens ilícitas.
Vamos dar carinho ao nosso futuro, mas vamos deixar claro que sabemos da malandragem. Bem como diz o tio Bartolomeu, dono de uma autenticidade ímpar e um profundo conhecedor dos nossos ditos: “é de cedo, que se torce o pepino”.
Assisti, noites atrás, ao filme Sonhadora – assim mesmo, sem o artigo “a”. A trama retrata uma história baseada em fatos reais. Tudo começa quando uma égua de corrida, a Sonhadora, sofre uma séria lesão em uma das patas, durante uma prova e, seu dono, um ricaço sem escrúpulos ordena o seu sacrifício. O treinador do equino e seus ajudantes insistem que podem salvá-la. Desafiam o patrão, são demitidos e topam receber o que tem em atraso em troca do animal condenado.
Claro, não estou aqui para estragar o final do filme e contar que a égua se recupera e vence um prêmio milionário, montada pelo jóquei fracassado que até então apenas lhe montava nos treinos.
Neste belo filme, me chamou a atenção uma garotinha de uns dez anos. Ela mora no haras de seu avô, um conhecido e talentoso ex-treinador de cavalos de corrida. A menina sofre porque aquele é o único estábulo da região que ironicamente não tem um cavalo sequer.
O pai da menina vive de mau humor. Não encontra mais prazer na profissão que herdou do pai. Pai e filho, por sinal, não se entendem. Os filmes americanos adoram retratar esses problemas familiares, tanto quando adoram filmes que terminam em aplausos. Mas ainda não é sobre isso que quero falar.
É a teimosia da menina que chama a atenção. Antes da corrida em que a égua se fere, ela aborda o pai tentando escapar da promessa de levá-la junto à prova. A sua presença e seu olhar extremamente duro para uma criança de sua idade fazem o pai abrir mão do emprego em nome de um desafio praticamente perdido.
De tanto insistirem, eles recuperam a égua e, o que é mais inusitado, conseguem uma vaga para uma das corridas mais importantes do país. O antigo dono do animal oferece um bom dinheiro pelo animal de volta. Uma quantia que não chega aos pés da recompensa pela vitória na mencionada corrida. Mas, como diria meu tio Bartolomeu do alto de sua sapiência, “mais vale um pombo na mão, que dois avuando”.
O magnata chega esnobando e faz a oferta ao pai de menina. Ela sentada, de braços cruzados. O pai dá às costas. O antigo dono do cavalo vai ao avô. Ele ouve calado e apenas diz: “o cavalo agora é dela”. O vilão da história vai a ela. A garota se levanta. Os braços seguem cruzados. São segundos de suspense.
Não! Irredutível e com uma firmeza de caráter invejável, a menina, assim como qualquer criança, nos dá uma lição de moral, ética e compromisso.
A petulância daquela garotinha e a sua persistência deveriam ser valores perseguidos por todos nós. Com o tempo estragamos as nossas crianças lhes enquadrando nos patrões sociais da sobrevivência.
Ainda sonho ver a Ana Maria Braga levando crianças para julgar seus pratos. Não uma só, que pode se inibir, mas uma turma inteira de quarta série.
Não que as crianças não mintam. Elas mentem sim. Mentem quando querem um carinho, um colo ou um lugarzinho no meio do pai e da mãe na cama do casal. A diferença entre elas e os adultos é que os pequenos não escondem o que pensam se querem expressar seus sentimentos. A auto-censura não comanda suas vidas como comanda a nossa. Elas jamais entenderiam o quanto de veneno pode existir em um tapinha nas costas.
Por sentimentalismos, quando aceitamos as mentiras inocentes das crianças e lhes respondemos com afagos suas pequenas armações, podemos estar plantando uma sementinha que ira germinar anos mais tarde em troca de votos, de favores e de vantagens ilícitas.
Vamos dar carinho ao nosso futuro, mas vamos deixar claro que sabemos da malandragem. Bem como diz o tio Bartolomeu, dono de uma autenticidade ímpar e um profundo conhecedor dos nossos ditos: “é de cedo, que se torce o pepino”.
quinta-feira, agosto 13, 2009
Covardia
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
De tempos em tempos, hábitos costumeiros são suplantados por outros nem sonhados outrora. Ao menos dois deles de minha época de moleque hoje soam quase que absurdos: não comprávamos água mineral para beber em casa e não pagávamos para jogar futebol.
Não que a água da torneira fosse muito mais limpa há 20 anos do que é hoje. Por certo a paranóia que nos assola atualmente não era tanta. Nós tínhamos era medo do russo que guardava o botão da Bomba H e das ogivas nucleares americanas prontas para voarem sobre o planeta. Eram medos distantes do nosso mundinho sem celular e internet, eram temores de quem ainda se recuperava do resfriado da Guerra Fria.
A água, bebíamos de duas maneiras: em casa, nos filtros de barro, e na rua, na torneira, diretamente com a boca ou com as mãos imundas em forma de concha. Esta segunda modalidade de ingestão da água era muito comum após os jogos de futebol nos terrenos baldios.
As crianças de hoje jogam futebol duas vezes por semana, supervisionadas por um professor, em um campo de gramado sintético, com uniforme completo, e com hora marcada para terminar a partida, acham que são mais felizes do que nós, que dividíamos os times em com camisa e sem camisa, jogávamos descalços e gramado era pasto pra cavalo. Pobres coitados.
Os nossos campos eram de chão batido, a grama era rala e rara, a duração da partida era determinada pela luz do sol, não pagávamos para jogar e durante o horário de verão as partidas aconteciam todos os dias depois da escola dos que estudavam a tarde.
O bairro Santo Antônio de Pádua, em Tubarão, ao Sul de Santa Catarina, aonde cresci, era rico em terrenos baldios transformados em campinhos de futebol. Nenhum deles possuía qualquer estrutura. Alambrado, marcação com cal, traves, isso era um luxo para os profissionais. A lateral e a linha de fundo eram fronteiras invisíveis e bandeiras e juizes eram os próprios jogadores. Praticamente não exista falta.
Também não existam goleiros (talvez por isso o Brasil fosse tão carente nesta posição). Jogávamos com duas travinhas pequenas, com o perdão da redundância. A regra mais importante e a mais difícil de ser cumprida era a do zagueiro que ficava plantado na travinha. Não existia impedimento. Era normal que os piores jogadores de cada time fossem colocados ou na banheira (ataque) ou na defesa. Para o defensor valia mais a artimanha de ludibriar os outros e disfarçadamente se postar entre os tijolos, chinelos, paus ou pedras, que geralmente faziam o papel de traves.
Nos jogos em que eu participava, emprestava duas traves de ferro (por sinal, só jogava mesmo porque era o dono das traves e normalmente era o atacante ou o zagueiro). Com as traves de ferro o papel do defensor era ainda mais fácil: bastava sentar-se no travessão.
De todo modo os adversários alertavam para a prática ilegal. Riscávamos no chão uma área que limitava o recuo do defensor, mas num ataque eram comuns uns passinhos indevidos para trás. Briga na certa! Ou o atacante se queimava e metia um bago nos bagos do zagueiro ou soltava um pombo sem asas e a bola perdia-se no terreno de um vizinho.
Era um drama quando se enfrentava um time com um plantado na travinha. Não havia meio de fazer um gol. Ou melhor, havia: chutávamos a bola nas mãos do zagueiro desgraçado a procura de um pênalti.
Para a cobrança da penalidade, por sinal, armávamos mais brigas. A primeira para definir a forma de cobrança. Eram duas escolhas: do meio do campo, sem o defensor, ou de cinco passos de distância da meta, com o zagueiro de lado. Se a segunda era escolhida era difícil o “goleiro” ficar parado.
Podia perguntar na época se algum atacante sonhava em um dia eliminar o zagueiro plantado na travinha. Todos iriam dizer que sim.
Hoje, no futebol, depois de ter sido banida, a paradinha (quando o jogador faz que vai, não vai e depois vai) na cobrança de pênaltis voltou. Em matéria de penalidades duas coisas me chamam a atenção: jogador canhoto (hoje é o dia mundial do canhoto) raramente converte seu tento e um goleiro jamais defende um pênalti cobrado com a famigerada paradinha.
No meu tempo o zagueirão plantado na trave era o pesadelo do atacante. Uma covardia! Agora é o atacante que vai a forra em cima do goleiro com a paradinha, um verdadeiro crime consentido pela regra.
Sinais do tempo em que muitos outros crimes de toda ordem são cometidos sem que os responsáveis sejam punidos. Vide os escândalos políticos e futebolísticos...
De tempos em tempos, hábitos costumeiros são suplantados por outros nem sonhados outrora. Ao menos dois deles de minha época de moleque hoje soam quase que absurdos: não comprávamos água mineral para beber em casa e não pagávamos para jogar futebol.
Não que a água da torneira fosse muito mais limpa há 20 anos do que é hoje. Por certo a paranóia que nos assola atualmente não era tanta. Nós tínhamos era medo do russo que guardava o botão da Bomba H e das ogivas nucleares americanas prontas para voarem sobre o planeta. Eram medos distantes do nosso mundinho sem celular e internet, eram temores de quem ainda se recuperava do resfriado da Guerra Fria.
A água, bebíamos de duas maneiras: em casa, nos filtros de barro, e na rua, na torneira, diretamente com a boca ou com as mãos imundas em forma de concha. Esta segunda modalidade de ingestão da água era muito comum após os jogos de futebol nos terrenos baldios.
As crianças de hoje jogam futebol duas vezes por semana, supervisionadas por um professor, em um campo de gramado sintético, com uniforme completo, e com hora marcada para terminar a partida, acham que são mais felizes do que nós, que dividíamos os times em com camisa e sem camisa, jogávamos descalços e gramado era pasto pra cavalo. Pobres coitados.
Os nossos campos eram de chão batido, a grama era rala e rara, a duração da partida era determinada pela luz do sol, não pagávamos para jogar e durante o horário de verão as partidas aconteciam todos os dias depois da escola dos que estudavam a tarde.
O bairro Santo Antônio de Pádua, em Tubarão, ao Sul de Santa Catarina, aonde cresci, era rico em terrenos baldios transformados em campinhos de futebol. Nenhum deles possuía qualquer estrutura. Alambrado, marcação com cal, traves, isso era um luxo para os profissionais. A lateral e a linha de fundo eram fronteiras invisíveis e bandeiras e juizes eram os próprios jogadores. Praticamente não exista falta.
Também não existam goleiros (talvez por isso o Brasil fosse tão carente nesta posição). Jogávamos com duas travinhas pequenas, com o perdão da redundância. A regra mais importante e a mais difícil de ser cumprida era a do zagueiro que ficava plantado na travinha. Não existia impedimento. Era normal que os piores jogadores de cada time fossem colocados ou na banheira (ataque) ou na defesa. Para o defensor valia mais a artimanha de ludibriar os outros e disfarçadamente se postar entre os tijolos, chinelos, paus ou pedras, que geralmente faziam o papel de traves.
Nos jogos em que eu participava, emprestava duas traves de ferro (por sinal, só jogava mesmo porque era o dono das traves e normalmente era o atacante ou o zagueiro). Com as traves de ferro o papel do defensor era ainda mais fácil: bastava sentar-se no travessão.
De todo modo os adversários alertavam para a prática ilegal. Riscávamos no chão uma área que limitava o recuo do defensor, mas num ataque eram comuns uns passinhos indevidos para trás. Briga na certa! Ou o atacante se queimava e metia um bago nos bagos do zagueiro ou soltava um pombo sem asas e a bola perdia-se no terreno de um vizinho.
Era um drama quando se enfrentava um time com um plantado na travinha. Não havia meio de fazer um gol. Ou melhor, havia: chutávamos a bola nas mãos do zagueiro desgraçado a procura de um pênalti.
Para a cobrança da penalidade, por sinal, armávamos mais brigas. A primeira para definir a forma de cobrança. Eram duas escolhas: do meio do campo, sem o defensor, ou de cinco passos de distância da meta, com o zagueiro de lado. Se a segunda era escolhida era difícil o “goleiro” ficar parado.
Podia perguntar na época se algum atacante sonhava em um dia eliminar o zagueiro plantado na travinha. Todos iriam dizer que sim.
Hoje, no futebol, depois de ter sido banida, a paradinha (quando o jogador faz que vai, não vai e depois vai) na cobrança de pênaltis voltou. Em matéria de penalidades duas coisas me chamam a atenção: jogador canhoto (hoje é o dia mundial do canhoto) raramente converte seu tento e um goleiro jamais defende um pênalti cobrado com a famigerada paradinha.
No meu tempo o zagueirão plantado na trave era o pesadelo do atacante. Uma covardia! Agora é o atacante que vai a forra em cima do goleiro com a paradinha, um verdadeiro crime consentido pela regra.
Sinais do tempo em que muitos outros crimes de toda ordem são cometidos sem que os responsáveis sejam punidos. Vide os escândalos políticos e futebolísticos...
sábado, agosto 08, 2009
Beijinho, beijinho; pau, pau
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Alguém já pensou como seriam as eleições se a gripe suína resolvesse atacar na sua época? Como os candidatos iriam se virar sem os beijinhos e abraços para conquistar votos? Tem político beijoqueiro que estaria em maus lençóis...
Alguém já pensou como seriam as eleições se a gripe suína resolvesse atacar na sua época? Como os candidatos iriam se virar sem os beijinhos e abraços para conquistar votos? Tem político beijoqueiro que estaria em maus lençóis...
quarta-feira, agosto 05, 2009
Uma fatia de pizza e uma Coca de garrafinha
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Meu paladar infantil guarda na memória um sabor inigualável: a pizza do antigo Angeloni, na margem direita, em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. A rede de supermercados fundada na vizinha Criciúma abriu esta filial no dia 24 de agosto de 1972. Atualmente no local da loja existe um grande terreno vazio.
É muito viva a lembrança do mercado, antes de sua reforma que tirou o traçado original. Um grande pátio servia de estacionamento a céu aberto. O nome ficava acima da fachada, gravado em oito quadrados de pedra. Pequenas palmeiras nos recebiam na rampa e escada que convergiam para a porta principal.
Para chegarmos à lanchonete, pegávamos à esquerda. O ambiente em forma de meia lua deixava os clientes de costas para o corredor que fazia fronteira com as janelas, que abriam para fora, na vertical. O balcão acompanhava o formato arredondado e as banquetas davam o ar característico dos anos 80. Quem assistiu ao De Volta para o Futuro 1 que se imagine naquela lanchonete para pensar na do Angeloni.
A pizza era vendida em fatias e assim como tudo o que era pedido ali, era repassado pelo atendente para a cozinha, que também com as paredes seguindo o formato da lanchonete, ficava atrás, entrecortada por meia dúzia de pequenas janelas.
Ir com meu pai comer uma fatia de pizza era quase que um ato religioso. Não existia outra escolha: mussarela e uma Coca-Cola, de vidro, que são as melhores. Para mim nunca mais assaram uma pizza como aquela. A massa bem sequinha, o recheio caprichado. A temperatura ideal e a Coca bem gelada.
Colocando aquele mundo e o de hoje frente a frente, é possível entender a escassez de variedades como o motivo principal de minha fixação por aquela pizza. No meu reduzido universo só existia aquela.
E o mundo era muito melhor apenas com aquela fatia de pizza de mussarela e uma garrafinha de Coca-Cola.
Hoje em cada esquina se vê uma pizzaria. E o que é mais escandaloso em matéria de fartura: são rodízios! O sujeito se esbalda até não poder mais. Além dos sabores tradicionais os pizzaiolos criam e recriam novas composições. E a comodidade de uma pizza em casa, com uma Coca-Cola, pasmem, de três litros?
Dá saudades daquela simplicidade, daquela necessidade. Hoje ao sentar descompromissado para encarar a tela em branco do programa de texto, depois de visitar o endereço eletrônico de um conglomerado das comunicações, um título, infelizmente esperado, salta aos olhos:
Como se vê, os políticos também se esbaldam com a oferta gigantesca de pizza e as novidades da pizzaria mais famosa do Brasil começaram a sair do forno nesta quarta-feira.
Bom apetite e uma bela indigestão!
Meu paladar infantil guarda na memória um sabor inigualável: a pizza do antigo Angeloni, na margem direita, em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. A rede de supermercados fundada na vizinha Criciúma abriu esta filial no dia 24 de agosto de 1972. Atualmente no local da loja existe um grande terreno vazio.
É muito viva a lembrança do mercado, antes de sua reforma que tirou o traçado original. Um grande pátio servia de estacionamento a céu aberto. O nome ficava acima da fachada, gravado em oito quadrados de pedra. Pequenas palmeiras nos recebiam na rampa e escada que convergiam para a porta principal.
Para chegarmos à lanchonete, pegávamos à esquerda. O ambiente em forma de meia lua deixava os clientes de costas para o corredor que fazia fronteira com as janelas, que abriam para fora, na vertical. O balcão acompanhava o formato arredondado e as banquetas davam o ar característico dos anos 80. Quem assistiu ao De Volta para o Futuro 1 que se imagine naquela lanchonete para pensar na do Angeloni.
A pizza era vendida em fatias e assim como tudo o que era pedido ali, era repassado pelo atendente para a cozinha, que também com as paredes seguindo o formato da lanchonete, ficava atrás, entrecortada por meia dúzia de pequenas janelas.
Ir com meu pai comer uma fatia de pizza era quase que um ato religioso. Não existia outra escolha: mussarela e uma Coca-Cola, de vidro, que são as melhores. Para mim nunca mais assaram uma pizza como aquela. A massa bem sequinha, o recheio caprichado. A temperatura ideal e a Coca bem gelada.
Colocando aquele mundo e o de hoje frente a frente, é possível entender a escassez de variedades como o motivo principal de minha fixação por aquela pizza. No meu reduzido universo só existia aquela.
E o mundo era muito melhor apenas com aquela fatia de pizza de mussarela e uma garrafinha de Coca-Cola.
Hoje em cada esquina se vê uma pizzaria. E o que é mais escandaloso em matéria de fartura: são rodízios! O sujeito se esbalda até não poder mais. Além dos sabores tradicionais os pizzaiolos criam e recriam novas composições. E a comodidade de uma pizza em casa, com uma Coca-Cola, pasmem, de três litros?
Dá saudades daquela simplicidade, daquela necessidade. Hoje ao sentar descompromissado para encarar a tela em branco do programa de texto, depois de visitar o endereço eletrônico de um conglomerado das comunicações, um título, infelizmente esperado, salta aos olhos:
“Presidente do Conselho de Ética arquiva ações contra Sarney e Renan” e segue com uma linha de apoio: “Paulo Duque (PMDB-RJ) alegou falta de evidências para abrir investigação. Presidente do Senado ainda responde a outras sete medidas no colegiado”.
Como se vê, os políticos também se esbaldam com a oferta gigantesca de pizza e as novidades da pizzaria mais famosa do Brasil começaram a sair do forno nesta quarta-feira.
Bom apetite e uma bela indigestão!
quinta-feira, julho 30, 2009
As tetas do senador
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel

Detalhe da Lupa Capitolina, loba que supostamente
amamentou Rômulo e Remo
As figuras de túnicas, togas e chinelos retratadas nos filmes épicos sobre o Império Romano, nos permitem uma transmutação ao, em latim, senatus. O senado mater, que teve como origem os conselhos dos anciões, é a mais antiga assembléia política de Roma. A etimologia da palavra senado tem na genética o termo senex, que significa: velho, idoso.
Enéas foge da Guerra de Tróia e vai matar sua sede por mulheres desposando a filha do rei do Lácio. Desta investida nasce Ascânio, fundador de Alba Longa. Anos mais tarde, é seu filho, Numitor, quem reina no império até ser deposto pelo irmão Amúlio.
Amúlio obriga a princesa Réia Sílvia a tornar-se uma Vestal (sacerdotisa virgem) e a fazer o voto de castidade. Enamorada de alguém ao qual a mitologia romana suspeitosamente chama de deus Marte, Réia Sílvia comete um decoro e quebra os votos virginais.
Deste ato secreto e sacana nascem os gêmeos Rômulo e Remo. O rei Amúlio, possesso, ordena a morte dos pequenos italianinhos, mas o servo destinado ao sacrifício tem pena das crianças e antecipando algum conto de fadas moderno, as lança nas águas do Rio Tibre. Entre os montes Palatino e Capitolino, nas margens do Rio Velabro, a cesta com os irmãos é encontrada.
Ao contrário do que nos ensina a história maquiada, é provavelmente uma prostituta e não uma loba que amamenta Rômulo e Remo. Na época, as donas da profissão mais antiga da humanidade eram chamadas de lupa, expressão retirada de lupanar (bordel). É possível, portanto, que tenha sido uma meretriz a oferecer suas tetas fartas para os irmãos se locupletarem. Curiosamente, o nome da estátua da loba com Rômulo e Remo é Lupa Capitolina.
Depois desta calorosa e tentadora acolhida, o pastor Fáustulo os encontra e junto com a esposa Aca Larência cria Rômulo e Remo como filhos.
Quando os gêmeos descobrem a nobre origem, retornam a Alba Longa, matam Amúlio e devolvem o trono ao avô Numitor. No local, os irmãos decidem fundar outra cidade. Após uma disputa terrível, Rômulo derrota Remo e batiza de Roma, uma corruptela do seu próprio nome, a capital da Itália.
Cerca de três milênios se passaram, mas os velhinhos e vovôs continuam com a política patriarcal no senado brasileiro, tal como era nos primórdios romanos.
Cerca de três mil anos depois, tem um senador imortal, dono de muitas tetas e protetor de muitos Rômulos e Remos, acusado de desviar recursos, empregar protegidos e parentes, que batiza ruas, cidades, hospitais, praças, etc, com o seu sobrenome, imune e tranquilo em um Estado nordestino aonde sua família milionária é dona de quase tudo e a unidade federativa é a líder nacional em subdesenvolvimento.
Coincidentemente, a pizza tão apreciada ao final de toda CPI (Calabresa, Portuguesa, Italiana, como diria Zé Simão), é outra herança marcante que os habitantes da “velha bota” trouxeram para o paraíso subequatorial.

Detalhe da Lupa Capitolina, loba que supostamente
amamentou Rômulo e Remo
As figuras de túnicas, togas e chinelos retratadas nos filmes épicos sobre o Império Romano, nos permitem uma transmutação ao, em latim, senatus. O senado mater, que teve como origem os conselhos dos anciões, é a mais antiga assembléia política de Roma. A etimologia da palavra senado tem na genética o termo senex, que significa: velho, idoso.
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Amúlio obriga a princesa Réia Sílvia a tornar-se uma Vestal (sacerdotisa virgem) e a fazer o voto de castidade. Enamorada de alguém ao qual a mitologia romana suspeitosamente chama de deus Marte, Réia Sílvia comete um decoro e quebra os votos virginais.
Deste ato secreto e sacana nascem os gêmeos Rômulo e Remo. O rei Amúlio, possesso, ordena a morte dos pequenos italianinhos, mas o servo destinado ao sacrifício tem pena das crianças e antecipando algum conto de fadas moderno, as lança nas águas do Rio Tibre. Entre os montes Palatino e Capitolino, nas margens do Rio Velabro, a cesta com os irmãos é encontrada.
Ao contrário do que nos ensina a história maquiada, é provavelmente uma prostituta e não uma loba que amamenta Rômulo e Remo. Na época, as donas da profissão mais antiga da humanidade eram chamadas de lupa, expressão retirada de lupanar (bordel). É possível, portanto, que tenha sido uma meretriz a oferecer suas tetas fartas para os irmãos se locupletarem. Curiosamente, o nome da estátua da loba com Rômulo e Remo é Lupa Capitolina.
Depois desta calorosa e tentadora acolhida, o pastor Fáustulo os encontra e junto com a esposa Aca Larência cria Rômulo e Remo como filhos.
Quando os gêmeos descobrem a nobre origem, retornam a Alba Longa, matam Amúlio e devolvem o trono ao avô Numitor. No local, os irmãos decidem fundar outra cidade. Após uma disputa terrível, Rômulo derrota Remo e batiza de Roma, uma corruptela do seu próprio nome, a capital da Itália.
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Cerca de três mil anos depois, tem um senador imortal, dono de muitas tetas e protetor de muitos Rômulos e Remos, acusado de desviar recursos, empregar protegidos e parentes, que batiza ruas, cidades, hospitais, praças, etc, com o seu sobrenome, imune e tranquilo em um Estado nordestino aonde sua família milionária é dona de quase tudo e a unidade federativa é a líder nacional em subdesenvolvimento.
Coincidentemente, a pizza tão apreciada ao final de toda CPI (Calabresa, Portuguesa, Italiana, como diria Zé Simão), é outra herança marcante que os habitantes da “velha bota” trouxeram para o paraíso subequatorial.
Tirou da reta
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Eu não votei para reeleger o Lula, mas ele é sim problema meu também, assim como de todos que não votaram nele. Por sinal, tirando o dele da reta, o Lula coloca os citados na alça de mira de quem votou neles. Caras pintadas, cadê vocês?
'Não é problema meu', diz Lula sobre crise do Senado
Presidente diz que não cabe a ele decidir permanência de Sarney na Casa.'Eu não votei para eleger Sarney presidente do Senado', afirmou em SP.
“Não é problema meu. Eu não votei para eleger Sarney presidente do Senado, nem votei para ele ser senador no Maranhão, nem votei no Temer, nem votei no Arthur Virgílio, não votei para ninguém. Votei nos senadores de São Paulo. Quem tem que decidir se ele continua presidente do Senado é o Senado, não sou eu", afirmou Lula. (Fonte: G1)
Eu não votei para reeleger o Lula, mas ele é sim problema meu também, assim como de todos que não votaram nele. Por sinal, tirando o dele da reta, o Lula coloca os citados na alça de mira de quem votou neles. Caras pintadas, cadê vocês?
sábado, julho 25, 2009
Um... Dois... Três!
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Quem tem criança em casa sabe que vez ou outra é necessário apelar para a contagem progressiva do um até o três, a fim de fazer o pequeno rebelde acatar a uma ordem.
Contamos acentuando a voz e pausadamente estancamos no dois. No três, a criança deve ter cumprido o que lhe foi ordenado. Dificilmente, quando somos convincentes, chegamos ao três.
Acontece que na Região de Tubarão, cidade ao Sul de Santa Catarina, alguns políticos parecem adorar o “um, dois, três!”.
Passamos quase oito anos ouvindo discursos sobre a construção de um banheiro público e um mero banheiro público foi tratado como a construção de uma ponte e até hoje, não só não temos sinal dele, como parece que esqueceram sua construção.
E por falar em ponte, agora a promessa é uma ponte ligando diretamente Tubarão à Capivari de Baixo (ex-bairro tubaronense). Essa ideia me fez pensar naqueles números infantis.
— Um... Dois... – E param no dois.
No dois também estão, aliás, a construção de pelo menos mais duas pontes sobre o Rio Tubarão. Além da construção do novo presídio regional, um canil, uma arena multiuso, o aeroporto em uma cidade vizinha, a duplicação da BR-101, a transformação da antiga rodoviária em um centro cultural, a inter-praias, a ponte do Bairro Congonhas no limite com Jaguaruna (local do aeroporto), entre outros.
Antes que queiram me queimar na Praça 7 de Setembro, justifico as obras estaduais e federais neste rol, porque são itens a estar todos os dias na agenda de nossos representantes para as devidas fiscalizações e cobranças dos responsáveis.
Ao invés de terminarem o que muitas vezes nem iniciaram, entram num jogo de vaidades e cada um quer criar a sua criança.
Se no nordeste a seca é uma eterna provedora de votos, esses projetos intermináveis são a nossa seca.
Com tanta obra sem ao menos ter visto uma licitação, surge agora mais uma ponte e a construção de um hospital regional.
Alguém mais acredita nesta classe?
É tal qual como com as crianças. O dia em que você chegar no três e não tomar uma atitude, não adianta a posteriori olhar feio e contar com todo o ódio possível até dez. Ela vai dar de ombros e gargalhar.
Sigam assim caros políticos. Só não reclamem depois...
Quem tem criança em casa sabe que vez ou outra é necessário apelar para a contagem progressiva do um até o três, a fim de fazer o pequeno rebelde acatar a uma ordem.
Contamos acentuando a voz e pausadamente estancamos no dois. No três, a criança deve ter cumprido o que lhe foi ordenado. Dificilmente, quando somos convincentes, chegamos ao três.
Acontece que na Região de Tubarão, cidade ao Sul de Santa Catarina, alguns políticos parecem adorar o “um, dois, três!”.
Passamos quase oito anos ouvindo discursos sobre a construção de um banheiro público e um mero banheiro público foi tratado como a construção de uma ponte e até hoje, não só não temos sinal dele, como parece que esqueceram sua construção.
E por falar em ponte, agora a promessa é uma ponte ligando diretamente Tubarão à Capivari de Baixo (ex-bairro tubaronense). Essa ideia me fez pensar naqueles números infantis.
— Um... Dois... – E param no dois.
No dois também estão, aliás, a construção de pelo menos mais duas pontes sobre o Rio Tubarão. Além da construção do novo presídio regional, um canil, uma arena multiuso, o aeroporto em uma cidade vizinha, a duplicação da BR-101, a transformação da antiga rodoviária em um centro cultural, a inter-praias, a ponte do Bairro Congonhas no limite com Jaguaruna (local do aeroporto), entre outros.
Antes que queiram me queimar na Praça 7 de Setembro, justifico as obras estaduais e federais neste rol, porque são itens a estar todos os dias na agenda de nossos representantes para as devidas fiscalizações e cobranças dos responsáveis.
Ao invés de terminarem o que muitas vezes nem iniciaram, entram num jogo de vaidades e cada um quer criar a sua criança.
Se no nordeste a seca é uma eterna provedora de votos, esses projetos intermináveis são a nossa seca.
Com tanta obra sem ao menos ter visto uma licitação, surge agora mais uma ponte e a construção de um hospital regional.
Alguém mais acredita nesta classe?
É tal qual como com as crianças. O dia em que você chegar no três e não tomar uma atitude, não adianta a posteriori olhar feio e contar com todo o ódio possível até dez. Ela vai dar de ombros e gargalhar.
Sigam assim caros políticos. Só não reclamem depois...
quarta-feira, julho 22, 2009
As aparências enganam
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Pense em um Estado em que um governador por três vezes e senador outras três, tenha, em sua homenagem, seu nome perpetuado em colégios, aeroporto, avenidas, ruas, praças, estádio, museu, ponte, distrito, palacete, time de futebol e até ponto de táxi.
Maranhão e o coronelismo retardário da família Sarney? Não! Santa Catarina e seu ex-governador Hercílio Luz.
Hercílio Pedro da Luz nasceu na ainda Desterro. Ele mesmo alterou o nome da capital catarinense para Florianópolis, uma corruptela que faz referência ao ditador Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, então presidente da República, com pouca aceitação na Ilha de Santa Catarina, que por pouco não se chamou Ondina (deusa protetora dos mares).
Eu iria mais longe, no vale fértil da imaginação, e penso que por pouco ela não se tornou Hercílio Luz, dado ao notável magnetismo que seu filho ilustre tinha para batizar pontes, times de futebol e afins.
Entre as inumeráveis diferenças de Sarney e Hercílio Luz está o apreço em dar cobertura a parentes, amigos e agregados. O Barriga Verde teve 14 filhos e apenas dois, Abelardo Venceslau da Luz (o município de Abelardo Luz, em Santa Catarina, é em sua homenagem) e Alfredo Felipe da Luz, seguiram o caminho da política, sem os atos secretos vergonhosos do atual presidente do senado que apadrinha um verdadeiro mundo de gente do Maranhão.
Em tempo, uma pequena lista que eterniza o falecido governador catarinense:
Uma ponte, um aeroporto, uma praça, uma casa de campo, um palacete, uma avenida e um ponto de táxi em Florianópolis; uma praça em Blumenau; um museu em Rancho Queimado; um distrito em Araranguá; o estádio do Marcílio Dias e uma rua em Itajaí; uma rua em Lages; uma rua e uma escola municipal rural em Criciúma; um time de futebol e uma escola estadual em Tubarão.
Se alguém souber de algo mais, agradeço a informação!
Pense em um Estado em que um governador por três vezes e senador outras três, tenha, em sua homenagem, seu nome perpetuado em colégios, aeroporto, avenidas, ruas, praças, estádio, museu, ponte, distrito, palacete, time de futebol e até ponto de táxi.
Maranhão e o coronelismo retardário da família Sarney? Não! Santa Catarina e seu ex-governador Hercílio Luz.
Hercílio Pedro da Luz nasceu na ainda Desterro. Ele mesmo alterou o nome da capital catarinense para Florianópolis, uma corruptela que faz referência ao ditador Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, então presidente da República, com pouca aceitação na Ilha de Santa Catarina, que por pouco não se chamou Ondina (deusa protetora dos mares).
Eu iria mais longe, no vale fértil da imaginação, e penso que por pouco ela não se tornou Hercílio Luz, dado ao notável magnetismo que seu filho ilustre tinha para batizar pontes, times de futebol e afins.
Entre as inumeráveis diferenças de Sarney e Hercílio Luz está o apreço em dar cobertura a parentes, amigos e agregados. O Barriga Verde teve 14 filhos e apenas dois, Abelardo Venceslau da Luz (o município de Abelardo Luz, em Santa Catarina, é em sua homenagem) e Alfredo Felipe da Luz, seguiram o caminho da política, sem os atos secretos vergonhosos do atual presidente do senado que apadrinha um verdadeiro mundo de gente do Maranhão.
Em tempo, uma pequena lista que eterniza o falecido governador catarinense:
Uma ponte, um aeroporto, uma praça, uma casa de campo, um palacete, uma avenida e um ponto de táxi em Florianópolis; uma praça em Blumenau; um museu em Rancho Queimado; um distrito em Araranguá; o estádio do Marcílio Dias e uma rua em Itajaí; uma rua em Lages; uma rua e uma escola municipal rural em Criciúma; um time de futebol e uma escola estadual em Tubarão.
Se alguém souber de algo mais, agradeço a informação!
quarta-feira, julho 08, 2009
Eis o mistério da fé
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Dizem que o paraíso fica lá pros lados da Bahia. Não quero nem imaginar pra onde fica o inferno, mas é capaz de estar no Brasil também. O purgatório, lugar de parada para os que deixaram este mundo e esperam o julgamento final, faliu. O Papa anunciou que esta parada obrigatória para alguns deixou de existir. Não vi a cópia do Divino Fax – firmada em cartório – mas acredito.
E pra ter falido uma instituição tão antiga quanto essa – e olha que já faz algum tempo, nem foi culpa da crise –, ela deve ter sido muito mal administrada. Imagino que os réus que lá esperavam foram todos amparados por advogados brasileiros – nas leis da Terra de Vera Cruz, como lembra o amigo Eduardo Daniel. É possível que todos tenham conseguido habeas corpus e foram esperar no paraíso – céu azul, água de coco e um mar claro e quente do nordeste.
Outros dizem que o mandatário da casa empregou uns parentes e não quis sair de lá nem com vaga assegurada no paraíso. Eis que então o cara lá de cima resolveu chamá-lo pra uma conversa e deu no que deu. Mais uma instituição pública às moscas e gente desconfiada por toda parte. Melhor dizer que acabou mesmo.
Dizem que o paraíso fica lá pros lados da Bahia. Não quero nem imaginar pra onde fica o inferno, mas é capaz de estar no Brasil também. O purgatório, lugar de parada para os que deixaram este mundo e esperam o julgamento final, faliu. O Papa anunciou que esta parada obrigatória para alguns deixou de existir. Não vi a cópia do Divino Fax – firmada em cartório – mas acredito.
E pra ter falido uma instituição tão antiga quanto essa – e olha que já faz algum tempo, nem foi culpa da crise –, ela deve ter sido muito mal administrada. Imagino que os réus que lá esperavam foram todos amparados por advogados brasileiros – nas leis da Terra de Vera Cruz, como lembra o amigo Eduardo Daniel. É possível que todos tenham conseguido habeas corpus e foram esperar no paraíso – céu azul, água de coco e um mar claro e quente do nordeste.
Outros dizem que o mandatário da casa empregou uns parentes e não quis sair de lá nem com vaga assegurada no paraíso. Eis que então o cara lá de cima resolveu chamá-lo pra uma conversa e deu no que deu. Mais uma instituição pública às moscas e gente desconfiada por toda parte. Melhor dizer que acabou mesmo.
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