*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Vi um sinal do fim do verão. As jaboticabas caídas na ciclovia. Nem sei se realmente jaboticabas são. Pequenas frutinhas roxas pisadas, com marcas de pés e pneus de bicicletas. E de repente, do púrpura que cobria o chão, surge uma pequena borboleta laranja que voa para o verde da grama no canteiro. E as pessoas passando para lá e para cá, pisoteando-as cada vez mais, sem se importar com alimento no chão. Reclamando que vão manchar-lhes os sapatos.
Fiquei feliz em ver que mesmo às margens de um rio poluído nascem vidas nas grandes árvores que restaram depois de tantas podas. Fiquei triste, em ver, mais à frente, o contraste. Do chão tingido para o chão batido, sofrido, coberto de papeis e roupas de moradores de rua, de baixo da ponte.
O verde mistura-se ao branco, ao azul, ao vermelho das camisetas e bermudas penduradas em um varal improvisado. Pessoas pisoteadas pelas outras que passam por cima da ponte, indiferentes, sem se importar com o irmão no chão. Reclamando que ainda vão roubar-lhes os sapatos.
Quanto mais caminho pela cidade e me misturo aos anônimos, mais anônima fico. Sinto nos olhares que cruzam com o meu a curiosidade de saber quem é ele é: o que faz, de onde vem, para onde vai? O que pensa quando olha para mim querendo saber quem se esconde atrás dos óculos escuros que uso. Querem saber quem sou ou quem estou?
Quem sou, não sei. Mas hoje estou tocada pelas jaboticabas, que nem sei se jaboticabas são, pisoteadas na ciclovia.
Mostrando postagens com marcador Emanuelle Querino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Emanuelle Querino. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, março 18, 2010
terça-feira, dezembro 15, 2009
Minha carta para o Papai Noel
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Querido Papai Noel,
acho que cresci. Mas mesmo assim tenho vontade de conversar com o Senhor. Essa, acredito, é minha primeira carta, conscientemente escrita, sabendo que não será para um concurso de cartas para o Papai Noel. Então peço que leia até o final porque em cada linha tem um pedacinho de mim e da minha história, além do(s) meu(s) pedido(s), é claro. Como fui uma boa moça, passei de ano na faculdade e respeitei meus coleguinhas, resolvi escrever.
Eu não lembro de acreditar no Sr., mas acreditava cegamente no Coelhinho da Páscoa (ele deixou um ovo de chocolate, daqueles com brinquedo, junto com o meu coelho de pelúcia rosa, como não acreditar?). Acho que minha mãe sempre me explicou que o verdadeiro sentido do Natal era o nascimento de Jesus e que o bom velhinho era bem novo, não tinha cabelos brancos e trabalhava como eletricista, numa indústria de cerâmica. Era casado com uma professora de primário de escola pública e eles tinham uma filha: eu.
Mas mesmo assim gostaria de conversar. Lembro de um Natal em que cada parente me deu alguma coisa da Barbie. Eu não ganhava sempre o que eu queria, mas sempre ficava muito feliz com o que ganhava. Parecia um sonho: camping, cristaleira, guarda roupas, trailer, banheiro/academia, piscina. Pra mim eu tinha tudo da Barbie. Eu estava tão feliz que a memória disso está viva até hoje.
Fui crescendo, aprendi que era feio não dizer obrigada ao ganhar um presente. Inconscientemente, criei o hábito de sempre dizer, com um sorriso (sincero, ok?) de orelha a orelha: “Obrigada! Eu estava precisando...” Eu falei isso tantas vezes durante meus 19 anos de vida, que quando minha madrinha me dá alguma coisa ela pergunta se eu estava precisando.
Minha infância
Nessa vida já ganhei Barbie noiva, que tinha um cabelo que não dava pra pentear por causa do glitter; Barbie ginasta, que não usava os sapatinhos de salto porque os pés eram chatos pra entrar no tênis; Barbie grávida (que tinha o cabelo verde); um Ken, apenas um, loiro de olhos azuis, por qual todas as anteriores eram apaixonadas.
A história, dá pra imaginar. Ken rejeita Barbie ginasta, porque ela não usa salto (acho que por isso não vivo sem meus saltos), para se casar com... Barbie noiva! E no casamento aparece a... Barbie grávida! Sim. Eu assistia novelas mexicanas. Mas esses detalhes são só para que o Sr. faça alguns ajustes nos detalhes desse tipo de brinquedo. Influenciou muito na minha vida e personalidade e imagino que na de milhões de crianças pelo mundo também.
Nunca tive uma Barbie morena como eu, mas sei que hoje elas já existem. Minha última foi a Top Model (do vestido curto que ficava comprido) e eu nunca tive jeito pra ser modelo. Sabe aquelas coisas de projeção que estudei em Psicologia da comunicação? Acho que foi mais ou menos isso.
Aproveito para reclamar sobre sua falta de comunicação com Deus. Isso mesmo. No ano em que ganhei uma piscina de 3 mil litros no Natal, “fico moçinha” um dia depois. Caramba! Não deu pra aproveitar nada até o fim daquela semana, incluindo meu aniversário, no dia 29. Podiam, ao menos, ter mandado algo seco. Porém, no ano passado, acertaram em cheio, analisaram meu momento e me deram uma filmadora, meu sonho de criança, que meu Papai Noel, hoje já grisalho, conseguiu trazer em suaves prestações.
Meu pedido
Esse ano eu podia pedir um namorado, uma bateria mais durável pra filmadora, uns quilos a menos, uma ideia de tema para os meus projetos de rádio, tv e jornal e pra monografia, além, é claro de paz para toda a humanidade e a saciedade da fome dos necessitados. Tudo muito nobre. Então, achei que podia juntar os pedidos “namorado” e “quilos a menos” em um palpável aparelho de ginástica 3 em 1, que ta passando aí na TV, com um ex jogador de vôlei de garoto propaganda.
Que fique bem esclarecido que não quero ficar loira que nem a Barbie, amo ser morena, mas uma enxugada ia bem. Ah, e esqueci de dizer que só não pedi livros de presente porque peguei 10 na biblioteca da faculdade, comprei dois (sim, saí do castigo de não poder comprar livros, no qual entrei depois de gastar muito com este item da cesta básica) e acho que vou ganhar aquele do William Bonner – de um parente aí – de Natal e aniversário. Dois em um. Uma beleza, quando vale a pena.
Chamei minha Mamãe Noel pra ver o preço do aparelho de ginástica e achamos que o Papai Noel não vai poder trazer esse, nem em suaves prestações. Então, acho que terei meu primeiro Natal como adulta. Pedi, com toda a sinceridade do meu coração, que simplesmente assumissem uma determinada conta em conjunto com a minha mãe, que fiz há pouco tempo.
Assim, não precisam se preocupar com um presente especial (apesar de eu já saber que minha mãe comprou “duas coisinhas” como diz ela) e eu tiro o peso da consciência de não poder dividir o peso das parcelas, pelo meu atual desemprego. Coisa de pobre? Pode até ser, mas nada do que eu disse ali em cima, que quero, eles podem me dar (especialmente o namorado).
Minha mãe veio com aquela história que não vai cobrar de mim, e blá, blá, blá. Meu pai já trouxe a opção de um aparelho de ginástica mais simples, mais barato e eu disse que tudo bem. Afinal, está tudo bem. Não tem nada material que vá encher meu coração de alegria, como quando vejo minha família reunida e feliz.
Se o Sr. pode me dar presentes imateriais, então eu peço saúde para ela. Que ninguém precise ser hospitalizado no próximo ano e não sofra nenhum acidente. Que diminua o número de remédios da mamãe e o número do colesterol do papai. Que vovó, mãe de papai, continue forte e que o vovô, que já foi pro céu há 45 anos continue cuidando de nós. E também para os avós, pai e mãe de mamãe, recebam essa saúde, porque eles precisam muito.
Se essa foi minha primeira carta, agora o Sr. me conhece. Fui uma criança feliz sem o seu mito e cresci com o sentido religioso do feriado mais lucrativo do ano. Mas se o Sr. estiver lendo essa cartinha (escolhi a Internet porque todo mundo usa e o Sr. também, né?) peço que desculpe minha descrença e que me atenda em ao menos um dos pedidos.
Fica a seu critério.
Com carinho,
Emanuelle Querino
P.S.: Também vou ficar feliz se o Sr. mandar o namorado...
Querido Papai Noel,
acho que cresci. Mas mesmo assim tenho vontade de conversar com o Senhor. Essa, acredito, é minha primeira carta, conscientemente escrita, sabendo que não será para um concurso de cartas para o Papai Noel. Então peço que leia até o final porque em cada linha tem um pedacinho de mim e da minha história, além do(s) meu(s) pedido(s), é claro. Como fui uma boa moça, passei de ano na faculdade e respeitei meus coleguinhas, resolvi escrever.
Eu não lembro de acreditar no Sr., mas acreditava cegamente no Coelhinho da Páscoa (ele deixou um ovo de chocolate, daqueles com brinquedo, junto com o meu coelho de pelúcia rosa, como não acreditar?). Acho que minha mãe sempre me explicou que o verdadeiro sentido do Natal era o nascimento de Jesus e que o bom velhinho era bem novo, não tinha cabelos brancos e trabalhava como eletricista, numa indústria de cerâmica. Era casado com uma professora de primário de escola pública e eles tinham uma filha: eu.
Mas mesmo assim gostaria de conversar. Lembro de um Natal em que cada parente me deu alguma coisa da Barbie. Eu não ganhava sempre o que eu queria, mas sempre ficava muito feliz com o que ganhava. Parecia um sonho: camping, cristaleira, guarda roupas, trailer, banheiro/academia, piscina. Pra mim eu tinha tudo da Barbie. Eu estava tão feliz que a memória disso está viva até hoje.
Fui crescendo, aprendi que era feio não dizer obrigada ao ganhar um presente. Inconscientemente, criei o hábito de sempre dizer, com um sorriso (sincero, ok?) de orelha a orelha: “Obrigada! Eu estava precisando...” Eu falei isso tantas vezes durante meus 19 anos de vida, que quando minha madrinha me dá alguma coisa ela pergunta se eu estava precisando.
Minha infância
Nessa vida já ganhei Barbie noiva, que tinha um cabelo que não dava pra pentear por causa do glitter; Barbie ginasta, que não usava os sapatinhos de salto porque os pés eram chatos pra entrar no tênis; Barbie grávida (que tinha o cabelo verde); um Ken, apenas um, loiro de olhos azuis, por qual todas as anteriores eram apaixonadas.
A história, dá pra imaginar. Ken rejeita Barbie ginasta, porque ela não usa salto (acho que por isso não vivo sem meus saltos), para se casar com... Barbie noiva! E no casamento aparece a... Barbie grávida! Sim. Eu assistia novelas mexicanas. Mas esses detalhes são só para que o Sr. faça alguns ajustes nos detalhes desse tipo de brinquedo. Influenciou muito na minha vida e personalidade e imagino que na de milhões de crianças pelo mundo também.
Nunca tive uma Barbie morena como eu, mas sei que hoje elas já existem. Minha última foi a Top Model (do vestido curto que ficava comprido) e eu nunca tive jeito pra ser modelo. Sabe aquelas coisas de projeção que estudei em Psicologia da comunicação? Acho que foi mais ou menos isso.
Aproveito para reclamar sobre sua falta de comunicação com Deus. Isso mesmo. No ano em que ganhei uma piscina de 3 mil litros no Natal, “fico moçinha” um dia depois. Caramba! Não deu pra aproveitar nada até o fim daquela semana, incluindo meu aniversário, no dia 29. Podiam, ao menos, ter mandado algo seco. Porém, no ano passado, acertaram em cheio, analisaram meu momento e me deram uma filmadora, meu sonho de criança, que meu Papai Noel, hoje já grisalho, conseguiu trazer em suaves prestações.
Meu pedido
Esse ano eu podia pedir um namorado, uma bateria mais durável pra filmadora, uns quilos a menos, uma ideia de tema para os meus projetos de rádio, tv e jornal e pra monografia, além, é claro de paz para toda a humanidade e a saciedade da fome dos necessitados. Tudo muito nobre. Então, achei que podia juntar os pedidos “namorado” e “quilos a menos” em um palpável aparelho de ginástica 3 em 1, que ta passando aí na TV, com um ex jogador de vôlei de garoto propaganda.
Que fique bem esclarecido que não quero ficar loira que nem a Barbie, amo ser morena, mas uma enxugada ia bem. Ah, e esqueci de dizer que só não pedi livros de presente porque peguei 10 na biblioteca da faculdade, comprei dois (sim, saí do castigo de não poder comprar livros, no qual entrei depois de gastar muito com este item da cesta básica) e acho que vou ganhar aquele do William Bonner – de um parente aí – de Natal e aniversário. Dois em um. Uma beleza, quando vale a pena.
Chamei minha Mamãe Noel pra ver o preço do aparelho de ginástica e achamos que o Papai Noel não vai poder trazer esse, nem em suaves prestações. Então, acho que terei meu primeiro Natal como adulta. Pedi, com toda a sinceridade do meu coração, que simplesmente assumissem uma determinada conta em conjunto com a minha mãe, que fiz há pouco tempo.
Assim, não precisam se preocupar com um presente especial (apesar de eu já saber que minha mãe comprou “duas coisinhas” como diz ela) e eu tiro o peso da consciência de não poder dividir o peso das parcelas, pelo meu atual desemprego. Coisa de pobre? Pode até ser, mas nada do que eu disse ali em cima, que quero, eles podem me dar (especialmente o namorado).
Minha mãe veio com aquela história que não vai cobrar de mim, e blá, blá, blá. Meu pai já trouxe a opção de um aparelho de ginástica mais simples, mais barato e eu disse que tudo bem. Afinal, está tudo bem. Não tem nada material que vá encher meu coração de alegria, como quando vejo minha família reunida e feliz.
Se o Sr. pode me dar presentes imateriais, então eu peço saúde para ela. Que ninguém precise ser hospitalizado no próximo ano e não sofra nenhum acidente. Que diminua o número de remédios da mamãe e o número do colesterol do papai. Que vovó, mãe de papai, continue forte e que o vovô, que já foi pro céu há 45 anos continue cuidando de nós. E também para os avós, pai e mãe de mamãe, recebam essa saúde, porque eles precisam muito.
Se essa foi minha primeira carta, agora o Sr. me conhece. Fui uma criança feliz sem o seu mito e cresci com o sentido religioso do feriado mais lucrativo do ano. Mas se o Sr. estiver lendo essa cartinha (escolhi a Internet porque todo mundo usa e o Sr. também, né?) peço que desculpe minha descrença e que me atenda em ao menos um dos pedidos.
Fica a seu critério.
Com carinho,
Emanuelle Querino
P.S.: Também vou ficar feliz se o Sr. mandar o namorado...
quarta-feira, novembro 04, 2009
Passado recente, memória presente
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Nem sempre o povo sabe da sua história ou lembra dos problemas do passado. Você já ouviu falar em anistia? No dia 28 de agosto a assinatura da anistia militar no Brasil completou 30 anos. A Lei 6.683, assinada pelo presidente João Figueiredo, permitiu que mais de 2000 pessoas que estavam exiladas e 150 banidas voltassem ao país e libertou mais de 100 presos políticos.
Anistia é o termo jurídico usado no perdão de culpados por delitos coletivos, especialmente de caráter político. Assim, acabam as penas contra eles e tudo o que envolve o crime deverá ser mantido sob silêncio perpétuo (do art. 107, II, Código Penal). A grande questão é que também foram anistiados os militares acusados de terem violado os direitos humanos. Aí então você pensa: então nunca saberemos nada sobre os crimes da ditadura, nunca ninguém será punido?
Existem dois lados nessa história: o contra e o a favor. Cada um interpreta a lei de um jeito. O artigo primeiro da lei é o causador de tanta confusão: "É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes (...)". Os que são contra dizem que a anistia é só para as vítimas e aqueles a favor afirmam que os militares estão incluídos no trecho “conexo com estes”.
“Memórias Relevadas”
A campanha Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, tem o objetivo de reunir informações sobre os fatos da história política recente do país. Agora pessoas que têm informações sobre o período do governo militar pode enviar o que sabe ou o que tem, como fotos, documentos e cartas para que todo o Brasil saiba a sua história. Espera-se, principalmente, que netos e parentes das pessoas mais atingidas e envolvidas divulguem esses fatos.
Os dados sigilosos que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) guardava dos arquivos dos serviços extintos como o Conselho de Segurança Nacional, Comissão Geral de Investigações e o Serviço Nacional de Informações foram transferidos para o Arquivo Nacional. Aos poucos o Brasil vai descobrindo o que foi calado e escondido.
Depois de recuperar a democracia o que precisamos agora é resgatar a verdade. Muita coisa já foi documentada e publicada, mas ainda existe um clima de silêncio quando o tema é a ditadura. Os mais jovens não sabem muito bem o que aconteceu e o que é mais falado nas escolas é sobre a censura. Os desaparecidos políticos da época, os conflitos, o movimento das Diretas Já, são citados por cima. E a cada geração, com exceção de poucos que se interessam pelo assunto, nos tornamos cada vez mais esquecidos de nosso passado, não tão passado.
Nunca é tarde para começar
Para quem não viveu essa época do Brasil, uma boa maneira de entender o que aconteceu no período da Ditadura Militar é assistir filmes como O ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hambúrguer, 2006), ou Batismo de Sangue (Helvécio Rattón, 2007) e O que é isso companheiro? (Bruno Barreto, 1997). Livros também são uma boa pedida, como Meu querido Vlado (Paulo Markun, Ed. Objetiva, 2005), Veja sob censura: 1936-1976 (Maria Fernanda Almeida, Ed. Jaboticaba, 2009) e A Ditadura Envergonhada (Elio Gaspari, Companhia das Letras, 2002).
Os títulos são recentes, com diferentes pontos de vista. Assim você pode criar a sua própria opinião sobre o assunto. Quanto mais conhecermos o passado, melhor entenderemos o presente e poderemos mudar o futuro.
Nem sempre o povo sabe da sua história ou lembra dos problemas do passado. Você já ouviu falar em anistia? No dia 28 de agosto a assinatura da anistia militar no Brasil completou 30 anos. A Lei 6.683, assinada pelo presidente João Figueiredo, permitiu que mais de 2000 pessoas que estavam exiladas e 150 banidas voltassem ao país e libertou mais de 100 presos políticos.
Anistia é o termo jurídico usado no perdão de culpados por delitos coletivos, especialmente de caráter político. Assim, acabam as penas contra eles e tudo o que envolve o crime deverá ser mantido sob silêncio perpétuo (do art. 107, II, Código Penal). A grande questão é que também foram anistiados os militares acusados de terem violado os direitos humanos. Aí então você pensa: então nunca saberemos nada sobre os crimes da ditadura, nunca ninguém será punido?
Existem dois lados nessa história: o contra e o a favor. Cada um interpreta a lei de um jeito. O artigo primeiro da lei é o causador de tanta confusão: "É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes (...)". Os que são contra dizem que a anistia é só para as vítimas e aqueles a favor afirmam que os militares estão incluídos no trecho “conexo com estes”.
“Memórias Relevadas”
A campanha Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, tem o objetivo de reunir informações sobre os fatos da história política recente do país. Agora pessoas que têm informações sobre o período do governo militar pode enviar o que sabe ou o que tem, como fotos, documentos e cartas para que todo o Brasil saiba a sua história. Espera-se, principalmente, que netos e parentes das pessoas mais atingidas e envolvidas divulguem esses fatos.
Os dados sigilosos que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) guardava dos arquivos dos serviços extintos como o Conselho de Segurança Nacional, Comissão Geral de Investigações e o Serviço Nacional de Informações foram transferidos para o Arquivo Nacional. Aos poucos o Brasil vai descobrindo o que foi calado e escondido.
Depois de recuperar a democracia o que precisamos agora é resgatar a verdade. Muita coisa já foi documentada e publicada, mas ainda existe um clima de silêncio quando o tema é a ditadura. Os mais jovens não sabem muito bem o que aconteceu e o que é mais falado nas escolas é sobre a censura. Os desaparecidos políticos da época, os conflitos, o movimento das Diretas Já, são citados por cima. E a cada geração, com exceção de poucos que se interessam pelo assunto, nos tornamos cada vez mais esquecidos de nosso passado, não tão passado.
Nunca é tarde para começar
Para quem não viveu essa época do Brasil, uma boa maneira de entender o que aconteceu no período da Ditadura Militar é assistir filmes como O ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hambúrguer, 2006), ou Batismo de Sangue (Helvécio Rattón, 2007) e O que é isso companheiro? (Bruno Barreto, 1997). Livros também são uma boa pedida, como Meu querido Vlado (Paulo Markun, Ed. Objetiva, 2005), Veja sob censura: 1936-1976 (Maria Fernanda Almeida, Ed. Jaboticaba, 2009) e A Ditadura Envergonhada (Elio Gaspari, Companhia das Letras, 2002).
Os títulos são recentes, com diferentes pontos de vista. Assim você pode criar a sua própria opinião sobre o assunto. Quanto mais conhecermos o passado, melhor entenderemos o presente e poderemos mudar o futuro.
sábado, outubro 03, 2009
Charles Darwin: ousadia e atualidade
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Foi assunto na mídia: os 200 anos de nascimento de Charles Darwin e 150 de publicação do livro A origem das Espécies. Pela importância do assunto imagino que apareça alguma coisa sobre ele nos vestibulares, concursos e Enem. Mas mais do que isso é importante conhecer o trabalho de um homem que pensou diferente dos homens do seu tempo.
Entre todos os estudos dele, o fato ter criado uma teoria que era contra as crenças da Igreja Católica ficou na História. “Darwin, homem que matou Deus” foi o título de uma das matérias de capa da revista Superinteressante, em 2007. Porém, as últimas linhas da reportagem diziam que talvez Darwin, com sua teoria, tivesse apenas encontrado onde Deus estava.
A teoria da evolução contraria o criacionismo defendido pela Igreja. Foi o primeiro debate científico internacional do mundo. Darwin afirmava que os seres vivos sofriam mudanças em sua formação de acordo com o ambiente em que viviam. A pesquisa do biólogo inglês levou anos para ficar pronta.
Ciência X religião
O que nem todo mundo sabe é que Darwin era bastante religioso e até queria ser sacerdote quando jovem. Mas ao aprofundar seus estudos via que eles entravam em choque com as explicações diferentes da Igreja para a origem da vida. A esposa dele também era muito religiosa e tinha medo de ir para o céu e o marido para o inferno, por causa da ciência. Depois de muito tempo, Charles Darwin se declarou agnóstico.
Alfred Wallace foi outro biólogo que viajou com Darwin, em 1831, a bordo do pequeno navio de exploração científica Beagle. Ele percebeu as mesmas características de seleção natural durante a volta ao mundo, principalmente nas Ilhas Galápagos, no Equador. Sem saber, ambos escreveram secretamente sobre a mesma teoria. Quando Darwin publicou o livro “A origem das espécies” dividiu o crédito da descoberta com o amigo. Por medo da revolução que tudo aquilo poderia causar isso só aconteceu em 1859.
Um dos maiores escândalos para a época foi a afirmação de que o homem descendia do macaco e não era superior aos outros animais. Como os tempos mudam, as teorias de Darwin são a base da biologia moderna. Com a evolução da ciência novos estudos têm encontrado mais provas para o que ele já dizia há tanto tempo atrás.
Darwin na cidade maravilhosa
Ele apresenta quatro observações principais: 1) o crescimento da população está relacionado com o potencial de reprodução de cada espécie; 2) o tamanho da população depende da disponibilidade de alimento, presença de predadores e locais para a procriação; 3) Cada organismo de uma espécie tem capacidades diferentes para uma mesma condição (reprodutiva, alimentar) e isto pode ser favorável ou contrário à sua existência e 4) parte das aptidões são hereditárias.
Nosso ilustre personagem de hoje até passou pelo Brasil. Em abril de 1832 a expedição passou pelo Rio de Janeiro e fez estas anotações sobre o corcovado: “Um naturalista na Inglaterra tem uma vantagem sobre os outros ao encontrar com freqüência alguma coisa que valha a pena. Aqui ele sofre do agradável aborrecimento de não ser capaz de andar 100 metros sem ficar amarrado por uma nova e maravilhosa criatura”.
Foi assunto na mídia: os 200 anos de nascimento de Charles Darwin e 150 de publicação do livro A origem das Espécies. Pela importância do assunto imagino que apareça alguma coisa sobre ele nos vestibulares, concursos e Enem. Mas mais do que isso é importante conhecer o trabalho de um homem que pensou diferente dos homens do seu tempo.
Entre todos os estudos dele, o fato ter criado uma teoria que era contra as crenças da Igreja Católica ficou na História. “Darwin, homem que matou Deus” foi o título de uma das matérias de capa da revista Superinteressante, em 2007. Porém, as últimas linhas da reportagem diziam que talvez Darwin, com sua teoria, tivesse apenas encontrado onde Deus estava.
A teoria da evolução contraria o criacionismo defendido pela Igreja. Foi o primeiro debate científico internacional do mundo. Darwin afirmava que os seres vivos sofriam mudanças em sua formação de acordo com o ambiente em que viviam. A pesquisa do biólogo inglês levou anos para ficar pronta.
Ciência X religião
O que nem todo mundo sabe é que Darwin era bastante religioso e até queria ser sacerdote quando jovem. Mas ao aprofundar seus estudos via que eles entravam em choque com as explicações diferentes da Igreja para a origem da vida. A esposa dele também era muito religiosa e tinha medo de ir para o céu e o marido para o inferno, por causa da ciência. Depois de muito tempo, Charles Darwin se declarou agnóstico.
Alfred Wallace foi outro biólogo que viajou com Darwin, em 1831, a bordo do pequeno navio de exploração científica Beagle. Ele percebeu as mesmas características de seleção natural durante a volta ao mundo, principalmente nas Ilhas Galápagos, no Equador. Sem saber, ambos escreveram secretamente sobre a mesma teoria. Quando Darwin publicou o livro “A origem das espécies” dividiu o crédito da descoberta com o amigo. Por medo da revolução que tudo aquilo poderia causar isso só aconteceu em 1859.
Um dos maiores escândalos para a época foi a afirmação de que o homem descendia do macaco e não era superior aos outros animais. Como os tempos mudam, as teorias de Darwin são a base da biologia moderna. Com a evolução da ciência novos estudos têm encontrado mais provas para o que ele já dizia há tanto tempo atrás.
Darwin na cidade maravilhosa
Ele apresenta quatro observações principais: 1) o crescimento da população está relacionado com o potencial de reprodução de cada espécie; 2) o tamanho da população depende da disponibilidade de alimento, presença de predadores e locais para a procriação; 3) Cada organismo de uma espécie tem capacidades diferentes para uma mesma condição (reprodutiva, alimentar) e isto pode ser favorável ou contrário à sua existência e 4) parte das aptidões são hereditárias.
Nosso ilustre personagem de hoje até passou pelo Brasil. Em abril de 1832 a expedição passou pelo Rio de Janeiro e fez estas anotações sobre o corcovado: “Um naturalista na Inglaterra tem uma vantagem sobre os outros ao encontrar com freqüência alguma coisa que valha a pena. Aqui ele sofre do agradável aborrecimento de não ser capaz de andar 100 metros sem ficar amarrado por uma nova e maravilhosa criatura”.
sábado, setembro 26, 2009
Nem tanta sombra e água fresca
*Emanuelle Querino | emanuellequerino@hotemail.com
É só olhar para os lados e ver: a galera com mais de 60 anos está em todo lugar. Seja nas lanchonetes, em cursos, universidades, academias, nas praias e por aí vai. Por já estarem aposentados, na maioria das vezes, nossos vovôs e vovós estão com o tempo livre pra curtir a vida. E às vezes pode até dar inveja em alguns jovens, já que eles recebem um salário da Previdência Social, alguns de planos privados, e não precisam mais trabalhar, porque já trabalharam a vida toda.
E se você já começou a fazer as contas de quantos anos vai precisar trabalhar pra chegar lá, pode parar. A nossa geração vai ter um destino um pouco diferente, porque a população do Brasil está envelhecendo! Isso quer dizer que as pessoas mais velhas estão vivendo mais. E quanto mais idosos existem, mais o governo precisa pagá-los sem receber seus serviços, isso sem contar os custos com tratamentos médicos.
O sistema previdenciário foi inventado nos EUA. Lá, os beneficiados seriam as pessoas com mais de 65 anos. Mas a expectativa de vida era de apenas 62 anos. O brasileiro já espera viver mais de 72! A revista Superinteressante, mostra que o envelhecimento da população vai causar um prejuízo nove vezes maior do que a atual crise econômica está deixando. Imagina?
O “x” da questão
Um país é considerado em fase de envelhecimento quando 15% da população tem mais de 60 anos, ou 65, para países desenvolvidos. Pessoas mais velhas tem menos filhos também. Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) feita no final do ano passado, indica que as mulheres tiveram uma média de 1,83 filho. Contemos um filho apenas ou no máximo dois.
Essa média é menor que a taxa de reposição, que é 2,1, e significa o mínimo de filhos que cada mulher no Brasil deveria ter para que a população seja mantida, dentro de 30 anos. E apresenta ainda que em 2030 nosso país deverá ter seu pico populacional, com aproximadamente 204,3 milhões de pessoas. Mas, logo em seguida, em 2035, já seremos apenas 200,1 milhões.
A Superinteressante ainda diz que em 2020 já começarão a faltar jovens em cargos especializados. O que vai acontecer? Nossos vovôs (que até lá, talvez serão nossos pais) precisarão voltar ao trabalho. Mas para isso não acontecer precisaríamos ter mais filhos. E por que isso não acontece?
Será que Elis estava certa?
Elis Regina cantava: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...”. Mas não é bem assim. A urbanização no Brasil, que começou a crescer a partir dos anos 60, trouxe mais pessoas para viver nas cidades e fez com as mulheres entrassem no mercado de trabalho. Só que a maioria delas além de trabalhar ainda precisa cuidar da casa, o que leva a uma diminuição no número de filhos por falta de tempo para cuidá-los.
A maneira de viver mudou e com os métodos contraceptivos fica mais difícil ter filhos. Apesar disso as mulheres já tem a opção de congelar seus óvulos, assim como os homens podem congelar seu sêmen, quando desejam ter filhos mais tarde. Seja quando estiverem com a vida profissional estável ou até mesmo mais perto da aposentadoria. Porém, talvez agora essa fase de descanso esteja ficando um pouco mais longe, já que, ao que tudo indica, aumente cada vez mais a idade mínima para o descanso merecido depois de tantos anos de trabalho.
É só olhar para os lados e ver: a galera com mais de 60 anos está em todo lugar. Seja nas lanchonetes, em cursos, universidades, academias, nas praias e por aí vai. Por já estarem aposentados, na maioria das vezes, nossos vovôs e vovós estão com o tempo livre pra curtir a vida. E às vezes pode até dar inveja em alguns jovens, já que eles recebem um salário da Previdência Social, alguns de planos privados, e não precisam mais trabalhar, porque já trabalharam a vida toda.
E se você já começou a fazer as contas de quantos anos vai precisar trabalhar pra chegar lá, pode parar. A nossa geração vai ter um destino um pouco diferente, porque a população do Brasil está envelhecendo! Isso quer dizer que as pessoas mais velhas estão vivendo mais. E quanto mais idosos existem, mais o governo precisa pagá-los sem receber seus serviços, isso sem contar os custos com tratamentos médicos.
O sistema previdenciário foi inventado nos EUA. Lá, os beneficiados seriam as pessoas com mais de 65 anos. Mas a expectativa de vida era de apenas 62 anos. O brasileiro já espera viver mais de 72! A revista Superinteressante, mostra que o envelhecimento da população vai causar um prejuízo nove vezes maior do que a atual crise econômica está deixando. Imagina?
O “x” da questão
Um país é considerado em fase de envelhecimento quando 15% da população tem mais de 60 anos, ou 65, para países desenvolvidos. Pessoas mais velhas tem menos filhos também. Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) feita no final do ano passado, indica que as mulheres tiveram uma média de 1,83 filho. Contemos um filho apenas ou no máximo dois.
Essa média é menor que a taxa de reposição, que é 2,1, e significa o mínimo de filhos que cada mulher no Brasil deveria ter para que a população seja mantida, dentro de 30 anos. E apresenta ainda que em 2030 nosso país deverá ter seu pico populacional, com aproximadamente 204,3 milhões de pessoas. Mas, logo em seguida, em 2035, já seremos apenas 200,1 milhões.
A Superinteressante ainda diz que em 2020 já começarão a faltar jovens em cargos especializados. O que vai acontecer? Nossos vovôs (que até lá, talvez serão nossos pais) precisarão voltar ao trabalho. Mas para isso não acontecer precisaríamos ter mais filhos. E por que isso não acontece?
Será que Elis estava certa?
Elis Regina cantava: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...”. Mas não é bem assim. A urbanização no Brasil, que começou a crescer a partir dos anos 60, trouxe mais pessoas para viver nas cidades e fez com as mulheres entrassem no mercado de trabalho. Só que a maioria delas além de trabalhar ainda precisa cuidar da casa, o que leva a uma diminuição no número de filhos por falta de tempo para cuidá-los.
A maneira de viver mudou e com os métodos contraceptivos fica mais difícil ter filhos. Apesar disso as mulheres já tem a opção de congelar seus óvulos, assim como os homens podem congelar seu sêmen, quando desejam ter filhos mais tarde. Seja quando estiverem com a vida profissional estável ou até mesmo mais perto da aposentadoria. Porém, talvez agora essa fase de descanso esteja ficando um pouco mais longe, já que, ao que tudo indica, aumente cada vez mais a idade mínima para o descanso merecido depois de tantos anos de trabalho.
terça-feira, setembro 22, 2009
Honduras: pegaram o presidente de pijamas
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Uma confusão danada em Honduras. Você já deve ter visto alguma coisa na TV ou na Internet sobre isso, mas não é muito fácil de entender. Agora imagine lá, onde os meios de comunicação estão sob censura e a população nem sabia que tinha acontecido um golpe de estado. Só quem soube da novidade foi a pequena parcela da população que tem Internet e TV a cabo.
Honduras é um país muito pobre, com um dos piores índices de desenvolvimento econômico na América Latina. A economia é baseada na agricultura, de onde vem a maior parte da receita do país, gerada pelo trabalho de 4,8 milhões de pessoas.
O golpe aconteceu no domingo do dia 28 de junho deste ano. No dia 30 aconteceria um referendo proposto pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, para saber se a população concordava em ter uma Assembléia Constituinte para fazer uma revisão na constituição do país. Mas existiam comentários de que isso era uma tentativa ilegal de derrubar uma lei que define que o mandato presidencial é de quatro anos, sem direito a reeleição. A Justiça, o Congresso e o Ministério Público decidiram que o referendo era inconstitucional.
Tanto a população a favor e a contra ao presidente começaram a fazer manifestações nas ruas da capital Tegucigalpa.
Confusão de objetivos
Zelaya diz que queria abrir caminho para uma constituição que favorecesse os pobres, (70% do país), e que o referendo era apenas para saber o que povo pensa. Por ser aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, existe o medo que ele queira instalar o mesmo populismo socialista no país da América Central.
Sua oposição diz que na verdade, o presidente queria impor uma nova constituição que permita a reeleição. E que ele só foi preso, porque descumpriu uma ordem judicial.
Como o presidente foi deposto
Imagine acordar com ao som de tiros. Depois você é tirado da cama por militares mascarados e levado, ainda de pijamas para o aeroporto da capital. Você nem sabe para onde está indo e ainda tiram seu celular! Foi isso que aconteceu com Zelaya, presidente deposto.
Na tarde daquele dia 28 o congresso de Honduras fez uma sessão de emergência e votou a saída do presidente. Também leram uma suposta carta de renúncia, a qual Manuel Zelaya nega ter escrito. O presidente do congresso, Roberto Micheletti, assumiu a presidência interina de Honduras. Algumas horas depois de uma briga feia entre os cidadãos a favor de Zelaya e a polícia, Micheletti deu uma entrevista a Rádio Nacional dizendo que "não houve golpe de Estado e nem nada parecido".
Ele quer que os outros países acreditem que a sua chegada ao poder está de acordo com a constituição. O problema é que todos os países da América são contra o golpe militar e querem que Zelaya volte ao governo. Sobre isso, o presidente deposto disse que "um governo roubado, que surge pela força, não pode ser aceito, não irá ser aceito por nenhum outro país".
Mas a Justiça e o Congresso de Honduras afirmam que o governo interino vai continuar até as eleições gerais, em novembro.
Solução?
Da fronteira com a Nicarágua, ao sul de Honduras, Zelaya pediu o apoio do povo e principalmente de soldados e oficiais de alto escalão, para que eles se rebelem contra a cúpula militar. "Há muita gente sofrendo dentro de meu país. Resistimos firmemente 28 dias e não tem havido um minuto de descanso até que os usurpadores saiam", disse o presidente deposto.
Oscar Árias, presidente da Costa Rica, propôs medidas para acabar com a crise política, porém um dos pontos do projeto é a volta de Zelaya ao poder, e esta é uma questão indiscutível para o Exército e para Micheletti. Eles não vão deixar o governo.
O que piora a situação: os países que antes eram aliados agora começam a cortar auxílios a Honduras, que por ser muito pobre, precisa deles, principalmente em meio a crise econômica mundial.
Últimas informações
Manuel Zelaya conseguiu retornar ao país e está abrigado na embaixada brasileira. O presidente deposto diz que seu lema agora é “pátria, restituição ou morte”.
Nesta manhã a embaixada já estava sem energia elétrica e água. Houve conflito entre o exército do governo interino e manifestantes pró-Zelaya nos arredores da sede diplomática do Brasil.
A situação agora também é delicada para a diplomacia brasileira.
Uma confusão danada em Honduras. Você já deve ter visto alguma coisa na TV ou na Internet sobre isso, mas não é muito fácil de entender. Agora imagine lá, onde os meios de comunicação estão sob censura e a população nem sabia que tinha acontecido um golpe de estado. Só quem soube da novidade foi a pequena parcela da população que tem Internet e TV a cabo.
Honduras é um país muito pobre, com um dos piores índices de desenvolvimento econômico na América Latina. A economia é baseada na agricultura, de onde vem a maior parte da receita do país, gerada pelo trabalho de 4,8 milhões de pessoas.
O golpe aconteceu no domingo do dia 28 de junho deste ano. No dia 30 aconteceria um referendo proposto pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, para saber se a população concordava em ter uma Assembléia Constituinte para fazer uma revisão na constituição do país. Mas existiam comentários de que isso era uma tentativa ilegal de derrubar uma lei que define que o mandato presidencial é de quatro anos, sem direito a reeleição. A Justiça, o Congresso e o Ministério Público decidiram que o referendo era inconstitucional.
Tanto a população a favor e a contra ao presidente começaram a fazer manifestações nas ruas da capital Tegucigalpa.
Confusão de objetivos
Zelaya diz que queria abrir caminho para uma constituição que favorecesse os pobres, (70% do país), e que o referendo era apenas para saber o que povo pensa. Por ser aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, existe o medo que ele queira instalar o mesmo populismo socialista no país da América Central.
Sua oposição diz que na verdade, o presidente queria impor uma nova constituição que permita a reeleição. E que ele só foi preso, porque descumpriu uma ordem judicial.
Como o presidente foi deposto
Imagine acordar com ao som de tiros. Depois você é tirado da cama por militares mascarados e levado, ainda de pijamas para o aeroporto da capital. Você nem sabe para onde está indo e ainda tiram seu celular! Foi isso que aconteceu com Zelaya, presidente deposto.
Na tarde daquele dia 28 o congresso de Honduras fez uma sessão de emergência e votou a saída do presidente. Também leram uma suposta carta de renúncia, a qual Manuel Zelaya nega ter escrito. O presidente do congresso, Roberto Micheletti, assumiu a presidência interina de Honduras. Algumas horas depois de uma briga feia entre os cidadãos a favor de Zelaya e a polícia, Micheletti deu uma entrevista a Rádio Nacional dizendo que "não houve golpe de Estado e nem nada parecido".
Ele quer que os outros países acreditem que a sua chegada ao poder está de acordo com a constituição. O problema é que todos os países da América são contra o golpe militar e querem que Zelaya volte ao governo. Sobre isso, o presidente deposto disse que "um governo roubado, que surge pela força, não pode ser aceito, não irá ser aceito por nenhum outro país".
Mas a Justiça e o Congresso de Honduras afirmam que o governo interino vai continuar até as eleições gerais, em novembro.
Solução?
Da fronteira com a Nicarágua, ao sul de Honduras, Zelaya pediu o apoio do povo e principalmente de soldados e oficiais de alto escalão, para que eles se rebelem contra a cúpula militar. "Há muita gente sofrendo dentro de meu país. Resistimos firmemente 28 dias e não tem havido um minuto de descanso até que os usurpadores saiam", disse o presidente deposto.
Oscar Árias, presidente da Costa Rica, propôs medidas para acabar com a crise política, porém um dos pontos do projeto é a volta de Zelaya ao poder, e esta é uma questão indiscutível para o Exército e para Micheletti. Eles não vão deixar o governo.
O que piora a situação: os países que antes eram aliados agora começam a cortar auxílios a Honduras, que por ser muito pobre, precisa deles, principalmente em meio a crise econômica mundial.
Últimas informações
Manuel Zelaya conseguiu retornar ao país e está abrigado na embaixada brasileira. O presidente deposto diz que seu lema agora é “pátria, restituição ou morte”.
Nesta manhã a embaixada já estava sem energia elétrica e água. Houve conflito entre o exército do governo interino e manifestantes pró-Zelaya nos arredores da sede diplomática do Brasil.
A situação agora também é delicada para a diplomacia brasileira.
segunda-feira, setembro 21, 2009
'Brasil, meu Brasil brasileiro'
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Você conhece bem a cultura e os costumes brasileiros? Os problemas sociais, conflitos históricos, as lendas e as diferenças desse nosso país continental? Falamos sempre da importância de conhecer outras culturas, saber como e porque o mundo gira e as coisas acontecem. Mas hoje o assunto é outro e bem mais perto de você.
Filmes como Estação Carandiru, Pixote e Cidade de Deus representam problemas sociais com raízes na colonização. Não dá pra achar que a violência e o tráfico de drogas em comunidades onde o Estado não tem mais controle sejam culpa apenas dos governos atuais. Não tem como assistir a esses filmes e não pensar no porque de tanta diferença social.
Quando acabou a escravidão, em 1888, os escravos não tinham onde morar, onde trabalhar e nem sustento. Foram obrigados a ir morar mais longe dos centros e começaram a criar grupos que precisavam das suas próprias regras e autoridades. A ideia de liberdade é muito bonita e justa, mas o Brasil precisava de planejamento para receber os novos cidadãos.
“Gigante pela própria natureza”
Quando ouvimos que o Petróleo é nosso, o Pré-sal é nosso, o Biocombustível é nosso, a Amazônia é nossa, estamos fazendo uma relação com a frase de Getúlio sobre o petróleo brasileiro, lá em 1930. Os tempos mudam, os valores também e acabamos sem saber a origem e os motivos de vivermos neste tipo de sociedade. Vale lembrar que somos uma nação que foi colonizada e explorada. Nossas riquezas eram todas levadas para a Europa. Quando a Corte voltou para Portugal ainda levou todo o ouro e dinheiro que tinham guardados aqui.
De fora parece que no Brasil é sempre tudo muito bom. E é uma pena que poucas pessoas se deem conta de que é preciso prestar atenção na política para não deixar que as coisas que são decididas hoje se tornem um problema amanhã.
É importante preservar e valorizar a cultura brasileira. E só estudando é que vamos conhecer porque as coisas acontecem de um jeito no norte e de outro jeito no sul. Por que a forma de governo que temos é assim? Por que temos este tipo de ensino? Como cada região resolve seus problemas.
Conhecer a sua cidade, o seu estado e o seu país é o primeiro passo pra entender os problemas que eles têm. Assim como é preciso conhecer a fórmula do veneno para fazer o antídoto, você só vai poder argumentar suas soluções para a sociedade se souber por que as coisas são assim.
Você conhece bem a cultura e os costumes brasileiros? Os problemas sociais, conflitos históricos, as lendas e as diferenças desse nosso país continental? Falamos sempre da importância de conhecer outras culturas, saber como e porque o mundo gira e as coisas acontecem. Mas hoje o assunto é outro e bem mais perto de você.
Filmes como Estação Carandiru, Pixote e Cidade de Deus representam problemas sociais com raízes na colonização. Não dá pra achar que a violência e o tráfico de drogas em comunidades onde o Estado não tem mais controle sejam culpa apenas dos governos atuais. Não tem como assistir a esses filmes e não pensar no porque de tanta diferença social.
Quando acabou a escravidão, em 1888, os escravos não tinham onde morar, onde trabalhar e nem sustento. Foram obrigados a ir morar mais longe dos centros e começaram a criar grupos que precisavam das suas próprias regras e autoridades. A ideia de liberdade é muito bonita e justa, mas o Brasil precisava de planejamento para receber os novos cidadãos.
“Gigante pela própria natureza”
Quando ouvimos que o Petróleo é nosso, o Pré-sal é nosso, o Biocombustível é nosso, a Amazônia é nossa, estamos fazendo uma relação com a frase de Getúlio sobre o petróleo brasileiro, lá em 1930. Os tempos mudam, os valores também e acabamos sem saber a origem e os motivos de vivermos neste tipo de sociedade. Vale lembrar que somos uma nação que foi colonizada e explorada. Nossas riquezas eram todas levadas para a Europa. Quando a Corte voltou para Portugal ainda levou todo o ouro e dinheiro que tinham guardados aqui.
De fora parece que no Brasil é sempre tudo muito bom. E é uma pena que poucas pessoas se deem conta de que é preciso prestar atenção na política para não deixar que as coisas que são decididas hoje se tornem um problema amanhã.
É importante preservar e valorizar a cultura brasileira. E só estudando é que vamos conhecer porque as coisas acontecem de um jeito no norte e de outro jeito no sul. Por que a forma de governo que temos é assim? Por que temos este tipo de ensino? Como cada região resolve seus problemas.
Conhecer a sua cidade, o seu estado e o seu país é o primeiro passo pra entender os problemas que eles têm. Assim como é preciso conhecer a fórmula do veneno para fazer o antídoto, você só vai poder argumentar suas soluções para a sociedade se souber por que as coisas são assim.
sexta-feira, setembro 18, 2009
Uma revolução no seu bolso
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Você já deve ter percebido que a tecnologia está tomando conta da nossa vida e a gente não está nem percebendo. Se falta energia uma hora é uma agonia, não dá pra ver TV, tomar banho, acender as luzes, muito menos usar o computador. Mas tem um aparelhinho chamado celular que continua funcionado, porque ele usa bateria (o problema é se ele ficar sem bateria, porque vai precisar carregá-lo na tomada).
E com o celular você pode assistir TV, acessar a Internet, e até usar o MSN. Sem contar com a câmera, que pode até ter flash, os joguinhos e as músicas em MP3, vídeos e tudo o mais. E como dizem por aí, dá até pra telefonar! Se você estiver com um celular num lugar sem luz, já tem bastante coisa pra fazer.
Li que os inscritos no Enem que informaram o número do seu celular irão receber o número de inscrição por mensagem de texto, ou SMS. O Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) está analisando a possibilidade de enviar o número e o local de prova por e-mail. Mesmo assim, todas essas informações ainda serão enviadas pelo correio, até 25 de setembro.
E quem não receber pode ainda acessar o site do Enem com a sua senha e CPF, pra conferir tudo certinho lá. A ideia é mesmo enviar a informação por todos os meios possíveis. Não tem desculpa pra perder a prova. Informação é o que não falta.
Apenas um celular
E, por falar em informação, estamos na era dela. Hoje podemos saber o que está acontecendo do outro lado do mundo por uma informação enviada em 140 caracteres, pelo Twitter. Foi isso que permitiu que o mundo todo soubesse o que estava acontecendo no Irã, no dia 13 de junho.
Depois da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad milhares de pessoas foram pras ruas protestar contra o resultado da votação. Foi considerada a maior onda de protestos desde a Revolução Islâmica em 1979. Para cobrir as eleições, 650 jornalistas estrangeiros estavam em Teerã, a capital. Mas ninguém estava transmitindo porque todas as credenciais da imprensa foram canceladas.
Acontece que a população, sabendo que no mundo que vivemos se dá muito valor à imagem, começou a tirar fotos, fazer vídeos pro Youtube e postar tudo na rede através dos celulares. E tudo isso ia crescendo no Twitter dos iranianos. A hashtag, ou marca nas mensagens pra identificar o assunto, #iranelection (eleições do Irã) tomou conta dos microblogs.
Parando pra pensar, o governo iraniano só poderia bloquear as manifestações para o mundo se cortasse as redes de telefonia. Mas a preocupação era com a mídia tradicional, principalmente a televisão. A informação hoje já ultrapassa todas as barreiras. Se dizem que quem detém a informação, detém o poder, os manifestantes foram além das suas fronteiras, pra mostrar o seu poder pro governo.
Quando Martin Cooper inventou o celular em 1973, nem imaginava que ele pudesse ser tão importante na manifestação do pensamento de um povo. Um pequeno aparelho se transformou em uma ferramenta que mantém sua função original, que é transmitir uma informação pra alguém. Mas hoje essa comunicação não se limita a apenas um telefonema. O mundo pode te ouvir, ver, ler e ainda responder. Você tem uma arma na mão e nem sabia, né? Nem eu.
Você já deve ter percebido que a tecnologia está tomando conta da nossa vida e a gente não está nem percebendo. Se falta energia uma hora é uma agonia, não dá pra ver TV, tomar banho, acender as luzes, muito menos usar o computador. Mas tem um aparelhinho chamado celular que continua funcionado, porque ele usa bateria (o problema é se ele ficar sem bateria, porque vai precisar carregá-lo na tomada).
E com o celular você pode assistir TV, acessar a Internet, e até usar o MSN. Sem contar com a câmera, que pode até ter flash, os joguinhos e as músicas em MP3, vídeos e tudo o mais. E como dizem por aí, dá até pra telefonar! Se você estiver com um celular num lugar sem luz, já tem bastante coisa pra fazer.
Li que os inscritos no Enem que informaram o número do seu celular irão receber o número de inscrição por mensagem de texto, ou SMS. O Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) está analisando a possibilidade de enviar o número e o local de prova por e-mail. Mesmo assim, todas essas informações ainda serão enviadas pelo correio, até 25 de setembro.
E quem não receber pode ainda acessar o site do Enem com a sua senha e CPF, pra conferir tudo certinho lá. A ideia é mesmo enviar a informação por todos os meios possíveis. Não tem desculpa pra perder a prova. Informação é o que não falta.
Apenas um celular
E, por falar em informação, estamos na era dela. Hoje podemos saber o que está acontecendo do outro lado do mundo por uma informação enviada em 140 caracteres, pelo Twitter. Foi isso que permitiu que o mundo todo soubesse o que estava acontecendo no Irã, no dia 13 de junho.
Depois da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad milhares de pessoas foram pras ruas protestar contra o resultado da votação. Foi considerada a maior onda de protestos desde a Revolução Islâmica em 1979. Para cobrir as eleições, 650 jornalistas estrangeiros estavam em Teerã, a capital. Mas ninguém estava transmitindo porque todas as credenciais da imprensa foram canceladas.
Acontece que a população, sabendo que no mundo que vivemos se dá muito valor à imagem, começou a tirar fotos, fazer vídeos pro Youtube e postar tudo na rede através dos celulares. E tudo isso ia crescendo no Twitter dos iranianos. A hashtag, ou marca nas mensagens pra identificar o assunto, #iranelection (eleições do Irã) tomou conta dos microblogs.
Parando pra pensar, o governo iraniano só poderia bloquear as manifestações para o mundo se cortasse as redes de telefonia. Mas a preocupação era com a mídia tradicional, principalmente a televisão. A informação hoje já ultrapassa todas as barreiras. Se dizem que quem detém a informação, detém o poder, os manifestantes foram além das suas fronteiras, pra mostrar o seu poder pro governo.
Quando Martin Cooper inventou o celular em 1973, nem imaginava que ele pudesse ser tão importante na manifestação do pensamento de um povo. Um pequeno aparelho se transformou em uma ferramenta que mantém sua função original, que é transmitir uma informação pra alguém. Mas hoje essa comunicação não se limita a apenas um telefonema. O mundo pode te ouvir, ver, ler e ainda responder. Você tem uma arma na mão e nem sabia, né? Nem eu.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Ouro negro: o petróleo do pré-sal
*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino
Se você está ligado no noticiário já deve ter ouvido falar no pré-sal, que tem alguma coisa a ver com petróleo e gás, e que tem alguma coisa que está fazendo com que isto seja assunto de discussão no Congresso e no país inteiro. Quer saber o que é essa coisa? Dinheiro.
O petróleo que é encontrado depois do pré-sal tem as qualidades preservadas. O pré-sal é uma camada que fica há mais de 7 mil metros de profundidade, abaixo do mar, se estendendo por 800 quilômetros do litoral brasileiro. Essa extensão vai desde o Espírito Santo até Santa Catarina. Faz parte três bacias sedimentares: Santos, Campos e Espírito Santo.
Outros campos de petróleo já foram encontrados no pré-sal, o principal é o de Tupi. A diferença é que a nova descoberta indica que existe muito mais petróleo naquela área. A Petrobras acredita que Tupi tenha entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, mas os novos cálculos indicaram que essa capacidade pode ficar entre 12 e 30 bilhões de barris.
“Moro num país tropical, abençoado...”
Agora veja, o Brasil produz pouco mais de 13 bilhões de barris por ano (dados da ANP – Agência Nacional de Petróleo). Com a exploração das novas reservas poderia até dobrar a produção de óleo e gás. Ficaríamos entre os 10 países mais produtores do mundo. É uma sorte grande!
Acontece que a Petrobrás ainda não tem certeza dessa capacidade. E isso não permite que se saiba ao certo quando vamos poder começar a extrair e quanto dinheiro iremos lucrar. Iremos, ou irão. Ainda não se decidiu como será a exploração.
Como existem diversas possibilidades de lucro, e a grana que vai rolar é bem alta, a área do pré-sal não vai ser leiloada antes da definição da nova Lei do Petróleo. O governo tem falado em investir os lucros na educação, como forma de reverter o benefício para os mais pobres. Para a exploração, fala-se em criar uma nova empresa estatal – a Petrosal. E esta, então, contrataria outras empresas petrolíferas para dividir os custos, já que este tipo de negócio é muito caro.
E toda essa indefinição só causa discussão, porque cada estado quer receber o chamado royalty, que são os direitos sobre a posse. Se há petróleo no seu terreno, você tem direito de receber uma porcentagem do lucro, porque o que existe abaixo da terra é, por lei, da união.
Mas muita água, ou muito petróleo, ainda vai rolar até o fim dessa história.
Se você está ligado no noticiário já deve ter ouvido falar no pré-sal, que tem alguma coisa a ver com petróleo e gás, e que tem alguma coisa que está fazendo com que isto seja assunto de discussão no Congresso e no país inteiro. Quer saber o que é essa coisa? Dinheiro.
O petróleo que é encontrado depois do pré-sal tem as qualidades preservadas. O pré-sal é uma camada que fica há mais de 7 mil metros de profundidade, abaixo do mar, se estendendo por 800 quilômetros do litoral brasileiro. Essa extensão vai desde o Espírito Santo até Santa Catarina. Faz parte três bacias sedimentares: Santos, Campos e Espírito Santo.
Outros campos de petróleo já foram encontrados no pré-sal, o principal é o de Tupi. A diferença é que a nova descoberta indica que existe muito mais petróleo naquela área. A Petrobras acredita que Tupi tenha entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, mas os novos cálculos indicaram que essa capacidade pode ficar entre 12 e 30 bilhões de barris.
“Moro num país tropical, abençoado...”
Agora veja, o Brasil produz pouco mais de 13 bilhões de barris por ano (dados da ANP – Agência Nacional de Petróleo). Com a exploração das novas reservas poderia até dobrar a produção de óleo e gás. Ficaríamos entre os 10 países mais produtores do mundo. É uma sorte grande!
Acontece que a Petrobrás ainda não tem certeza dessa capacidade. E isso não permite que se saiba ao certo quando vamos poder começar a extrair e quanto dinheiro iremos lucrar. Iremos, ou irão. Ainda não se decidiu como será a exploração.
Como existem diversas possibilidades de lucro, e a grana que vai rolar é bem alta, a área do pré-sal não vai ser leiloada antes da definição da nova Lei do Petróleo. O governo tem falado em investir os lucros na educação, como forma de reverter o benefício para os mais pobres. Para a exploração, fala-se em criar uma nova empresa estatal – a Petrosal. E esta, então, contrataria outras empresas petrolíferas para dividir os custos, já que este tipo de negócio é muito caro.
E toda essa indefinição só causa discussão, porque cada estado quer receber o chamado royalty, que são os direitos sobre a posse. Se há petróleo no seu terreno, você tem direito de receber uma porcentagem do lucro, porque o que existe abaixo da terra é, por lei, da união.
Mas muita água, ou muito petróleo, ainda vai rolar até o fim dessa história.
Assinar:
Postagens (Atom)
