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Destaque Quitandas e a volta aos tempos românticos Thiago Schwartz


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terça-feira, dezembro 22, 2009

Clássico de Natal

*Camila Rufine | www.twitter.com/camilarufine

Enquanto eu cuidava dos meninos na sala, a minha host me chamou da cozinha. A propósito, eu trabalho como au pair em Chicago.

— Camila?!
— Yes?
— Do you guys have some kind of Christmas songs in Brazil?
— Sure. Most of them are translations or versions of the American ones.
— Really? Which ones?
— Silent Night, Jingle Bells...
— Oh! Can you sing Jingle Bells for me?
— Oh, well... [putz grila, e agora? Bom, que se lasque, ela não sabe Português mesmo e eu não lembro a versão bonitinha] Jingle bells, jingle bells, acabou o papel. Não faz mal, não faz mal, limpa com jornal... [que ridícula que eu sou, quero morrer!]
— Hahaha nice. Can you teach Jake?
— Sure! [Foi ela quem pediu, né?!]

Tecla SAP:

— Camila?!
— Sim?
— Vocês têm algum tipo de música natalina no Brasil?
— Claro. A maioria delas são traduções ou versões das músicas americanas.
— Sério? Quais delas?
— Noite Feliz, Jingle Bells...
— Ah! Você poderia cantar Jingle Bells para mim?
— Bom, hãã... [putz grila, e agora? Bom, que se lasque, ela não sabe Português mesmo e eu não lembro a versão bonitinha] Jingle bells, jingle bells, acabou o papel. Não faz mal, não faz mal, limpa com jornal... [que ridícula que eu sou, quero morrer!]
— Hahaha legal. Você pode ensinar o Jake?
— Claro! [Foi ela quem pediu, né?!]

terça-feira, dezembro 15, 2009

Minha carta para o Papai Noel

*Emanuelle Querino | www.twitter.com/manuquerino

Querido Papai Noel,

acho que cresci. Mas mesmo assim tenho vontade de conversar com o Senhor. Essa, acredito, é minha primeira carta, conscientemente escrita, sabendo que não será para um concurso de cartas para o Papai Noel. Então peço que leia até o final porque em cada linha tem um pedacinho de mim e da minha história, além do(s) meu(s) pedido(s), é claro. Como fui uma boa moça, passei de ano na faculdade e respeitei meus coleguinhas, resolvi escrever.

Eu não lembro de acreditar no Sr., mas acreditava cegamente no Coelhinho da Páscoa (ele deixou um ovo de chocolate, daqueles com brinquedo, junto com o meu coelho de pelúcia rosa, como não acreditar?). Acho que minha mãe sempre me explicou que o verdadeiro sentido do Natal era o nascimento de Jesus e que o bom velhinho era bem novo, não tinha cabelos brancos e trabalhava como eletricista, numa indústria de cerâmica. Era casado com uma professora de primário de escola pública e eles tinham uma filha: eu.

Mas mesmo assim gostaria de conversar. Lembro de um Natal em que cada parente me deu alguma coisa da Barbie. Eu não ganhava sempre o que eu queria, mas sempre ficava muito feliz com o que ganhava. Parecia um sonho: camping, cristaleira, guarda roupas, trailer, banheiro/academia, piscina. Pra mim eu tinha tudo da Barbie. Eu estava tão feliz que a memória disso está viva até hoje.

Fui crescendo, aprendi que era feio não dizer obrigada ao ganhar um presente. Inconscientemente, criei o hábito de sempre dizer, com um sorriso (sincero, ok?) de orelha a orelha: “Obrigada! Eu estava precisando...” Eu falei isso tantas vezes durante meus 19 anos de vida, que quando minha madrinha me dá alguma coisa ela pergunta se eu estava precisando.

Minha infância

Nessa vida já ganhei Barbie noiva, que tinha um cabelo que não dava pra pentear por causa do glitter; Barbie ginasta, que não usava os sapatinhos de salto porque os pés eram chatos pra entrar no tênis; Barbie grávida (que tinha o cabelo verde); um Ken, apenas um, loiro de olhos azuis, por qual todas as anteriores eram apaixonadas.

A história, dá pra imaginar. Ken rejeita Barbie ginasta, porque ela não usa salto (acho que por isso não vivo sem meus saltos), para se casar com... Barbie noiva! E no casamento aparece a... Barbie grávida! Sim. Eu assistia novelas mexicanas. Mas esses detalhes são só para que o Sr. faça alguns ajustes nos detalhes desse tipo de brinquedo. Influenciou muito na minha vida e personalidade e imagino que na de milhões de crianças pelo mundo também.

Nunca tive uma Barbie morena como eu, mas sei que hoje elas já existem. Minha última foi a Top Model (do vestido curto que ficava comprido) e eu nunca tive jeito pra ser modelo. Sabe aquelas coisas de projeção que estudei em Psicologia da comunicação? Acho que foi mais ou menos isso.

Aproveito para reclamar sobre sua falta de comunicação com Deus. Isso mesmo. No ano em que ganhei uma piscina de 3 mil litros no Natal, “fico moçinha” um dia depois. Caramba! Não deu pra aproveitar nada até o fim daquela semana, incluindo meu aniversário, no dia 29. Podiam, ao menos, ter mandado algo seco. Porém, no ano passado, acertaram em cheio, analisaram meu momento e me deram uma filmadora, meu sonho de criança, que meu Papai Noel, hoje já grisalho, conseguiu trazer em suaves prestações.

Meu pedido

Esse ano eu podia pedir um namorado, uma bateria mais durável pra filmadora, uns quilos a menos, uma ideia de tema para os meus projetos de rádio, tv e jornal e pra monografia, além, é claro de paz para toda a humanidade e a saciedade da fome dos necessitados. Tudo muito nobre. Então, achei que podia juntar os pedidos “namorado” e “quilos a menos” em um palpável aparelho de ginástica 3 em 1, que ta passando aí na TV, com um ex jogador de vôlei de garoto propaganda.

Que fique bem esclarecido que não quero ficar loira que nem a Barbie, amo ser morena, mas uma enxugada ia bem. Ah, e esqueci de dizer que só não pedi livros de presente porque peguei 10 na biblioteca da faculdade, comprei dois (sim, saí do castigo de não poder comprar livros, no qual entrei depois de gastar muito com este item da cesta básica) e acho que vou ganhar aquele do William Bonner – de um parente aí – de Natal e aniversário. Dois em um. Uma beleza, quando vale a pena.

Chamei minha Mamãe Noel pra ver o preço do aparelho de ginástica e achamos que o Papai Noel não vai poder trazer esse, nem em suaves prestações. Então, acho que terei meu primeiro Natal como adulta. Pedi, com toda a sinceridade do meu coração, que simplesmente assumissem uma determinada conta em conjunto com a minha mãe, que fiz há pouco tempo.

Assim, não precisam se preocupar com um presente especial (apesar de eu já saber que minha mãe comprou “duas coisinhas” como diz ela) e eu tiro o peso da consciência de não poder dividir o peso das parcelas, pelo meu atual desemprego. Coisa de pobre? Pode até ser, mas nada do que eu disse ali em cima, que quero, eles podem me dar (especialmente o namorado).

Minha mãe veio com aquela história que não vai cobrar de mim, e blá, blá, blá. Meu pai já trouxe a opção de um aparelho de ginástica mais simples, mais barato e eu disse que tudo bem. Afinal, está tudo bem. Não tem nada material que vá encher meu coração de alegria, como quando vejo minha família reunida e feliz.

Se o Sr. pode me dar presentes imateriais, então eu peço saúde para ela. Que ninguém precise ser hospitalizado no próximo ano e não sofra nenhum acidente. Que diminua o número de remédios da mamãe e o número do colesterol do papai. Que vovó, mãe de papai, continue forte e que o vovô, que já foi pro céu há 45 anos continue cuidando de nós. E também para os avós, pai e mãe de mamãe, recebam essa saúde, porque eles precisam muito.

Se essa foi minha primeira carta, agora o Sr. me conhece. Fui uma criança feliz sem o seu mito e cresci com o sentido religioso do feriado mais lucrativo do ano. Mas se o Sr. estiver lendo essa cartinha (escolhi a Internet porque todo mundo usa e o Sr. também, né?) peço que desculpe minha descrença e que me atenda em ao menos um dos pedidos.

Fica a seu critério.

Com carinho,
Emanuelle Querino

P.S.: Também vou ficar feliz se o Sr. mandar o namorado...

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Trilogia

*Camila Rufine | www.twitter.com/camilarufine

Outubro, novembro e dezembro. Abóbora, peru e Papai Noel. Exatamente nessa ordem.

E é melhor não falar em outra coisa em cada período, pois algo pode dar muito errado. Digo isso com a experiência de quem passou menos de três meses aqui e a perspicácia de qualquer asno. Pois não é preciso ser Eienstein para notar que os americanos levam mesmo a sério os seus feriados.

Quando cheguei aqui, no finalzinho de setembro, já pude notar o excesso de adornos macabros nas casas. Meu host me explicou que já eram para o Halloween, festa que seria comemorada apenas um mês a diante. Nesse período, as lojas se abarrotaram de fantasias, guloseimas em versão mini (para os doces ou travessuras) estoques de maquiagem a la Família Adams e sangue feito de glucose. No dia 31 de outubro, ao se andar pelas ruas, era quase impossivel se deparar com alguém que não estivesse fantasiado de alguma coisa. E pasmem, os americanos podem ser muito criativos.

Já na primeira semana de novembro, assustei-me ao ver que os adornos macabros tinham desaparecido, dando lugar a perus infláveis (que não deixam de ser macabros), índios e peregrinos. Nas lojas, perus de tamanhos naturalmente inconcebíveis e adornos campestres passaram a ser expostos com destaque, juntamente aos ingredientes da torta de abóbora e da caçarola de vagens, que são duas das comidas típicas do feriado. Assim foi até o dia 25, quando as famílias se reuniram para comemorar a festa em agradecimento às coisas boas que aconteceram durante o ano e para a janta, que é servida às 2h da tarde. No dia de Thanksgiving decidi que os americanos podem ser também muito óbvios, pois na casa das outras au pairs, foram servidos exatamente os mesmos pratos que na minha.

Interessante que nos dias seguintes os adornos típicos do novembro não tinham sumido. Pois era a Black Friday (Sexta-Feira Negra), dia em que todas as grandes lojas abrem de madrugada oferencendo promoções absurdas. E ninguém tem tempo de desenfeitar a casa quando um computador que custava 700 dólares está sendo vendido a 300. Mas tudo voltou ao normal a partir de terça-feira, dia primeiro. Hoje, quase todo mundo já colocou luzinhas, guirlandas e trenós na frente de casa (ou dos carros), já tirou dos armários os agasalhos típicos de natal e começou a visitar lojas com frequência a fim de consumir presentes para seus entes e amigos queridos.

E nessa brincadeira, eu vou entrando na onda. Comendo comidas pra lá de industrializadas e gastando minhas economias em fantasias que não usarei mais ou em presentes que serão colocados de canto no dia seguinte. Fiquei curiosa para saber qual será o feriado-febre de Janeiro. Mas minha host-mãe garantiu que depois do natal, aqui na América só se vive a Cabin Fever (Febre da Cabana), termo que eles usam para designar o desespero que dá nas pessoas trancafiadas em casa por causa do inverno.

Nada mais justo, pois qualquer trilogia que se preze é composta apenas de três edições, né não?
 

CONTATO
Colaboradores Ana Carla Teixeira, Anderson Paes, Camila Rufine, Carlos Karan, Deyse Zarichta, Eduardo Daniel, Emanuela Silva, Emanuelle Querino,
Emmanuel Carvalho, Fabiano Bordignon, Fabrício Espíndola, Francine de Mattos, Gabriel Guedes, Germaá Oliveira, Guilherme Marcon, Isabel Cunha, Kellen Baesso, Manuela Prá, Patrícia Martins, Thiago Antunes, Thiago Schwartz, Tiago Tavares, Valter Ziantoni,Van Luchiari, Vanessa Feltrin, Vitor S. Castelo Branco, Viviany Pfleger

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