*Kellen Baesso | www.twitter.com/kellenbaesso
Tornar-se mãe muda completamente uma mulher, na maioria das vezes. Aquele pequeno ser promove as mudanças mais radicais, afinal, é na mãe que ele vai se espelhar e dela devem vir os exemplos a serem seguidos. Seria perfeito se todas as mulheres que geram uma criança tivessem esse senso de responsabilidade e sentissem o poder desse amor que tudo transforma. Mas nem sempre é assim.
Assisti o tão premiado e comentado filme “Preciosa – Uma história de esperança”. Fiquei agoniada o filme todo. A produção retrata uma mãe, na verdade mostra várias mães, mas é sobre a mãe da personagem principal, Precious, que quero “falar”. Ela é o exemplo de mulher amarga, que culpa a filha por todos os seus problemas, quando ela não deu o exemplo e não se impôs. Ataca a filha continuamente, com todos os objetos que têm em mãos, até mesmo uma televisão, abusa da filha de todas as formas que consegue, não procura emprego e mente regularmente para a assistente social para obter dinheiro.
Já a filha, Precious, tem apenas 16 anos e passa pela sua segunda gestação. Pobre, ignorante (em todos os anos na escola não aprendeu a ler) e quase sem esperanças em uma vida marcada por muita dor e sofrimento, vê na atitude da diretora de sua escola um caminho a seguir. Com o apoio da nova professora e colegas em uma escola alternativa, Precious se refugia de seus traumas com a ajuda de sua imaginação. O destino, se é que se pode culpá-lo, nunca foi bom com a garota. Desde criança Precious sofre com a violência e abusos de seu próprio pai, muitas vezes sob os olhares de sua mãe, que a culpa por ter roubado seu homem, quando deveria tirar aquele ser repugnante de cima da filha. Os dois filhos de Precious são de seu pai, a primeira nasceu com Síndrome de Down e é chamada de “Mongo”, diminutivo de Mongolóide. O pai no fim ainda deixa um outro “presente” digno de um monstro para a filha, o vírus HIV.
Mesmo com todas as pedras no caminho, a garota se toca que apenas ela pode mudar o rumo da sua vida. Com os dois filhos no colo segue, longe de sua mãe, para ser um exemplo melhor que o que teve para seus próprios filhos.
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sexta-feira, junho 18, 2010
quinta-feira, novembro 05, 2009
É documentário, hein...
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
— Duas entradas para o Alô, alô Terezinha.
— É documentário, hein...
É evidente que eu não esperava muita procura para assistir ao documentário Alô, alô Terezinha, de Nelson Hoineff, sobre Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Mas a frase da moça da bilheteria do cinema foi aterradora.
Na sessão, mais um recorde que eu e minha esposa quebramos: apenas nós dois na sala. A outra vez que isto aconteceu foi no também nacional O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer.
Alô, alô Terezinha confirma o paradoxo do palhaço, que apesar de fazer – ou tentar – rir, tem a aparência triste. Embora entrecortado por cenas pitorescas do Velho Guerreiro, acompanhei a película com um embaraço na garganta que crescia a cada fala.
Que não se espere deste documentário um mastigado pronto sobre quem e o que foi Chacrinha. Muito mais do que isso, o filme é composto por retalhos de depoimentos expostos de maneira tão anárquica quanto anárquico era Abelardo Barbosa à frente de seus programas televisivos.
Ex-calouros buzinados por Chacrinha ajudam a compor o cenário de saudade. Gente simples que divertiu outros tantos como eles próprios naqueles já distantes anos 60, 70 e 80. Alguns, ainda que claramente desprovidos de qualquer talento artístico, continuam sonhando com uma carreira como cantores.
Das “estrelas”, Roberto Carlos, Alceu Valença, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, entre outros, declaram sua paixão por Chacrinha e documentam a importância do pernambucano para a história da música e da tv brasileira.
Mas o lado melancólico também surge quando as falas são dos “peões” de Chacrinha. As Chacretes, por exemplo. O desprezo dado por muitos ao filme em cartaz é praticamente o mesmo dado àquele pessoal que de uma hora para a outra se viu em total ostracismo.
E é disto justamente que o filme trata com profunda maestria, embora sem demonstrar a menor ambição de ser um melodrama justiceiro dos excluídos televisivos. Muitas das Chacretes entraram em depressão. Algumas enfrentaram problemas com drogas.
O nó que permaneceu na garganta nos 90 minutos de duração do documentário apertou ainda mais quando o maestro do Cassino do Chacrinha, Aloyr Mendes, em idade avançada, toca em seu piano, a clássica melodia do “ô Terezinha, ô Terezinha, é um barato o Cassino do Chacrinha”.
Acompanha a imagem uns últimos depoimentos aonde todos seguram o choro até reaparecer Russo, numa simplicidade extrema, em um bairro pobre, quase sem conseguir falar de tamanha emoção, para depois seguir em frente, num plano de uma rua precária, com um andar trôpego, devagar, sem tentar fugir do destino que há muito lhe alcançou.
Três ou quatro lágrimas escapam furtivamente de cada um de meus olhos. É uma saudade de um tempo que vivi na inocência infantil que esquece de muita coisa.
É triste ver uma sala de cinema vazia quando quem na tela apareceu precisa mais do que ninguém do aplauso e da audiência de todos nós. Só assim, algumas daquelas feridas podem ser cicatrizadas. Por sinal, o Canal Brasil, da tv por assinatura, promete para 2010 uma série especial com as Chacretes.
Antes que esqueça: o diálogo logo no início do texto é uma ficção. A moça da bilheteria, ao contrário do que eu poderia esperar, não demonstrou qualquer reação ao meu pedido. Mas as lágrimas segundos antes dos créditos irromperem a tela foram reais.
— Duas entradas para o Alô, alô Terezinha.
— É documentário, hein...
É evidente que eu não esperava muita procura para assistir ao documentário Alô, alô Terezinha, de Nelson Hoineff, sobre Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Mas a frase da moça da bilheteria do cinema foi aterradora.
Na sessão, mais um recorde que eu e minha esposa quebramos: apenas nós dois na sala. A outra vez que isto aconteceu foi no também nacional O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer.
Alô, alô Terezinha confirma o paradoxo do palhaço, que apesar de fazer – ou tentar – rir, tem a aparência triste. Embora entrecortado por cenas pitorescas do Velho Guerreiro, acompanhei a película com um embaraço na garganta que crescia a cada fala.
Que não se espere deste documentário um mastigado pronto sobre quem e o que foi Chacrinha. Muito mais do que isso, o filme é composto por retalhos de depoimentos expostos de maneira tão anárquica quanto anárquico era Abelardo Barbosa à frente de seus programas televisivos.
Ex-calouros buzinados por Chacrinha ajudam a compor o cenário de saudade. Gente simples que divertiu outros tantos como eles próprios naqueles já distantes anos 60, 70 e 80. Alguns, ainda que claramente desprovidos de qualquer talento artístico, continuam sonhando com uma carreira como cantores.
Das “estrelas”, Roberto Carlos, Alceu Valença, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, entre outros, declaram sua paixão por Chacrinha e documentam a importância do pernambucano para a história da música e da tv brasileira.
Mas o lado melancólico também surge quando as falas são dos “peões” de Chacrinha. As Chacretes, por exemplo. O desprezo dado por muitos ao filme em cartaz é praticamente o mesmo dado àquele pessoal que de uma hora para a outra se viu em total ostracismo.
E é disto justamente que o filme trata com profunda maestria, embora sem demonstrar a menor ambição de ser um melodrama justiceiro dos excluídos televisivos. Muitas das Chacretes entraram em depressão. Algumas enfrentaram problemas com drogas.
O nó que permaneceu na garganta nos 90 minutos de duração do documentário apertou ainda mais quando o maestro do Cassino do Chacrinha, Aloyr Mendes, em idade avançada, toca em seu piano, a clássica melodia do “ô Terezinha, ô Terezinha, é um barato o Cassino do Chacrinha”.
Acompanha a imagem uns últimos depoimentos aonde todos seguram o choro até reaparecer Russo, numa simplicidade extrema, em um bairro pobre, quase sem conseguir falar de tamanha emoção, para depois seguir em frente, num plano de uma rua precária, com um andar trôpego, devagar, sem tentar fugir do destino que há muito lhe alcançou.
Três ou quatro lágrimas escapam furtivamente de cada um de meus olhos. É uma saudade de um tempo que vivi na inocência infantil que esquece de muita coisa.
É triste ver uma sala de cinema vazia quando quem na tela apareceu precisa mais do que ninguém do aplauso e da audiência de todos nós. Só assim, algumas daquelas feridas podem ser cicatrizadas. Por sinal, o Canal Brasil, da tv por assinatura, promete para 2010 uma série especial com as Chacretes.
Antes que esqueça: o diálogo logo no início do texto é uma ficção. A moça da bilheteria, ao contrário do que eu poderia esperar, não demonstrou qualquer reação ao meu pedido. Mas as lágrimas segundos antes dos créditos irromperem a tela foram reais.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Lula quer o Oscar
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Quando Lula entrar em seu apartamento pela primeira vez como ex-presidente da República, vai olhar para trás e contemplar momentos de pura realização. É bem provável que – respeitemos o exercício de futurologia desde escrevedor – Lula peça para Marisa uma flanela nova e pela enésima vez lustre a estatueta do Oscar resplandecente em sua estante.
Homem de sorte como poucos, vai ver passar em parcas lembranças as turbulências de “mensalão” que o assombraram nos primeiros anos de governo. O pernambucano saiu ileso, blindado e fortalecido do episódio. Para os correligionários, Lula parece ter um santo forte. Para os opositores, Lula deve ter feito um pacto com o “coisa ruim”.
Pois o antigo sindicalista de defesas briosas dos trabalhadores, depois de passar pelas mais inesperadas transformações, ao ponto de, se aliar aos ex-opositores e decepcionar os ex-seguidores, conquistou o direito de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016.
Certamente nos velhos e bons tempos, Lula seria contra tudo isso. Agora, passado esses anos todos de jantares regados a goles inesgotáveis de poder, Lula quer mais. Lula quer o Oscar!
Nascido com o traseiro apontado para a Lua de Garanhuns, a Suíça Pernambucana, quem é capaz de duvidar que Lula não acabe realmente conquistando o prêmio maior da academia norte-americana de cinema?
O filme “Lula, o filho do Brasil”, estreia aqui em janeiro no próximo ano, mas já causa frenesi nos Estados Unidos. O diário The Miami Herald dedicou, conforme o blogue Mídia Mundo, mais de meia capa ao presidente brasileiro e antecipou que a película promete casa cheia.
Enquanto isso, o povo rebola para sobreviver. Tem que ser meio jogador de futebol para driblar os “pobrema”, atleta olímpico para correr de bandido e ator de cinema fazendo papel de palhaço.
É o Brasil, que nos deixa com vergonha de defender e ao mesmo momento de atacar. Com vergonha de declarar amor, mas também com vergonha de admitir ódio.
É o Lula, o presidente que os ricos acusam de só olhar pelos pobres e os pobres acusam de só olhar pelos ricos.
Quando Lula entrar em seu apartamento pela primeira vez como ex-presidente da República, vai olhar para trás e contemplar momentos de pura realização. É bem provável que – respeitemos o exercício de futurologia desde escrevedor – Lula peça para Marisa uma flanela nova e pela enésima vez lustre a estatueta do Oscar resplandecente em sua estante.
Homem de sorte como poucos, vai ver passar em parcas lembranças as turbulências de “mensalão” que o assombraram nos primeiros anos de governo. O pernambucano saiu ileso, blindado e fortalecido do episódio. Para os correligionários, Lula parece ter um santo forte. Para os opositores, Lula deve ter feito um pacto com o “coisa ruim”.
Pois o antigo sindicalista de defesas briosas dos trabalhadores, depois de passar pelas mais inesperadas transformações, ao ponto de, se aliar aos ex-opositores e decepcionar os ex-seguidores, conquistou o direito de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016.
Certamente nos velhos e bons tempos, Lula seria contra tudo isso. Agora, passado esses anos todos de jantares regados a goles inesgotáveis de poder, Lula quer mais. Lula quer o Oscar!
Nascido com o traseiro apontado para a Lua de Garanhuns, a Suíça Pernambucana, quem é capaz de duvidar que Lula não acabe realmente conquistando o prêmio maior da academia norte-americana de cinema?
O filme “Lula, o filho do Brasil”, estreia aqui em janeiro no próximo ano, mas já causa frenesi nos Estados Unidos. O diário The Miami Herald dedicou, conforme o blogue Mídia Mundo, mais de meia capa ao presidente brasileiro e antecipou que a película promete casa cheia.
Enquanto isso, o povo rebola para sobreviver. Tem que ser meio jogador de futebol para driblar os “pobrema”, atleta olímpico para correr de bandido e ator de cinema fazendo papel de palhaço.
É o Brasil, que nos deixa com vergonha de defender e ao mesmo momento de atacar. Com vergonha de declarar amor, mas também com vergonha de admitir ódio.
É o Lula, o presidente que os ricos acusam de só olhar pelos pobres e os pobres acusam de só olhar pelos ricos.
quinta-feira, outubro 08, 2009
Nada escapa à arte
*Deyse Zarichta | www.twitter.com/deysezarichta
Nada escapa à arte. Nada escapa à rapidez da arte. Você pensa em um tema qualquer e descobre que ele já existe em algum lugar. Já é um filme assistido, resenhado e criticado antes mesmo de ser lançado.
Quando o tema é bom e rende será reciclado e resgatado por várias gerações. Amor e guerra, por exemplo, ou guerra sem amor – mas isso nem sempre chama muito a atenção da audiência –, ou amor em meio a guerra.
É clássica a cena de Ingrid Bergman em ‘Casablanca’, a mocinha apaixonada com cara pensativa enquanto escuta ao piano: “You must remember this, a kiss is just a Kiss”.O filme tornou-se clássico pela originalidade: foi a primeira vez em que um casal não pôde ter seu final feliz em Hollywood. A guerra os separa.
É o que se espera da arte,que ela supreenda-nos.Mesmo quando o tema já foi remoído por gerações. A lista dos filmes anti-nazistas ultrapassava 365 nomes já durante o Terceiro Reich.
Dia 9 de outubro estreia mais um filme com o tema anti-nazista: “Bastardos Inglórios”.
O melhor de tudo é que Bastardos Inglórios é mais do que um filme com o belo engajamento anti-nazista, se fosse só isso chegaria perto de ser obsoleto ou,no mínimo,arquetipado. Ele vai um pouquinho além – além de ser um filme de tema anti-nazista, o próprio cinema como arma anti-nazista é também tema.
A mocinha francesa escapa de um coronel nazista após a execução completa de sua família pelo mesmo, troca de identidade e torna-se proprietária de um cinema — além de ser a mocinha do filme, ela é a ‘mocinha dos filmes’ no filme.
A mocinha, que planeja uma vingança – uma daquelas super-vinganças femininas-tarantinescas – terá seu destino cruzado ao esquadrão de Raine (Brad Pitt) que já tem sua própria atriz aliada à missão de aniquilar nazistas.
Hoje qualquer vídeo sobre tortura é escancarado para o mundo tão logo é gravado. Durante o Holocausto a coisa era um pouquinho mais complicada. Créditos à Hollywood pelo sucesso em mostrar a verdade ao mundo.
A relação cinema e nazismo evidencia uma importante face da arte: o artista pobre de espírito une-se à parte podre da história — Leni Riefenstahl, atriz alemã, tornou-se cineasta de Hitler após ter frustrado seu sonho de ser atriz em Hollywood. O artista verdadeiro não se enfurece, nem mesmo quando tem seu símbolo roubado — ou você acredita mesmo que aquele bigodinho do Führer era original? — Charles Chaplin já era o comediante mais famoso do mundo quando teve seu bigode 'roubado' por Hitler, numa tentativa de marcar seu rosto para o mundo.
Com isso Chaplin pôde facilmente fazer a melhor sátira do cinema em “O grande ditador”, ele interpreta 'Adenoid Hynkel': ditador que usa uma farda com um simbolozinho no ombro lembrando duas cruzes e discursa delirante e histericamente. No mesmo filme Chaplin interpreta um barbeiro judeu, que é confundido com o ditador devido as semelhanças físicas e assim acaba por ir a rádio e discursa à nação sobre a liberdade, amizade e amor. Esses sim são temas clássicos, nunca clichês. You must remember this.
Nada escapa à arte. Nada escapa à rapidez da arte. Você pensa em um tema qualquer e descobre que ele já existe em algum lugar. Já é um filme assistido, resenhado e criticado antes mesmo de ser lançado.
Quando o tema é bom e rende será reciclado e resgatado por várias gerações. Amor e guerra, por exemplo, ou guerra sem amor – mas isso nem sempre chama muito a atenção da audiência –, ou amor em meio a guerra.
É clássica a cena de Ingrid Bergman em ‘Casablanca’, a mocinha apaixonada com cara pensativa enquanto escuta ao piano: “You must remember this, a kiss is just a Kiss”.O filme tornou-se clássico pela originalidade: foi a primeira vez em que um casal não pôde ter seu final feliz em Hollywood. A guerra os separa.
É o que se espera da arte,que ela supreenda-nos.Mesmo quando o tema já foi remoído por gerações. A lista dos filmes anti-nazistas ultrapassava 365 nomes já durante o Terceiro Reich.
Dia 9 de outubro estreia mais um filme com o tema anti-nazista: “Bastardos Inglórios”.
O melhor de tudo é que Bastardos Inglórios é mais do que um filme com o belo engajamento anti-nazista, se fosse só isso chegaria perto de ser obsoleto ou,no mínimo,arquetipado. Ele vai um pouquinho além – além de ser um filme de tema anti-nazista, o próprio cinema como arma anti-nazista é também tema.
A mocinha francesa escapa de um coronel nazista após a execução completa de sua família pelo mesmo, troca de identidade e torna-se proprietária de um cinema — além de ser a mocinha do filme, ela é a ‘mocinha dos filmes’ no filme.
A mocinha, que planeja uma vingança – uma daquelas super-vinganças femininas-tarantinescas – terá seu destino cruzado ao esquadrão de Raine (Brad Pitt) que já tem sua própria atriz aliada à missão de aniquilar nazistas.
Hoje qualquer vídeo sobre tortura é escancarado para o mundo tão logo é gravado. Durante o Holocausto a coisa era um pouquinho mais complicada. Créditos à Hollywood pelo sucesso em mostrar a verdade ao mundo.
A relação cinema e nazismo evidencia uma importante face da arte: o artista pobre de espírito une-se à parte podre da história — Leni Riefenstahl, atriz alemã, tornou-se cineasta de Hitler após ter frustrado seu sonho de ser atriz em Hollywood. O artista verdadeiro não se enfurece, nem mesmo quando tem seu símbolo roubado — ou você acredita mesmo que aquele bigodinho do Führer era original? — Charles Chaplin já era o comediante mais famoso do mundo quando teve seu bigode 'roubado' por Hitler, numa tentativa de marcar seu rosto para o mundo.
Com isso Chaplin pôde facilmente fazer a melhor sátira do cinema em “O grande ditador”, ele interpreta 'Adenoid Hynkel': ditador que usa uma farda com um simbolozinho no ombro lembrando duas cruzes e discursa delirante e histericamente. No mesmo filme Chaplin interpreta um barbeiro judeu, que é confundido com o ditador devido as semelhanças físicas e assim acaba por ir a rádio e discursa à nação sobre a liberdade, amizade e amor. Esses sim são temas clássicos, nunca clichês. You must remember this.
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