*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Certamente este ano, assim como os últimos, passara rápido demais para a nossa superficial compreensão. E não é porque em 2010 teremos Copa do Mundo e Eleições, mas é porque só ficamos sem fazer nada quando estamos dormindo.
Os apetrechos tecnológicos fazem parte de um arsenal que nos serve ao bel prazer de ver o tempo passar mais depressa do que a natureza deveria conceber.
Não faz muito tempo, a TV “fechava” pouco depois da meia-noite. Hoje, os canais por assinatura estão aí com transmissões específicas 24 horas por dia, com conteúdo, muitas vezes, ao vivo e atulizado frequentemente.
As redes sociais virtuais permitem que tomemos conhecimento de notícias das mais relevantes às mais tolas e individuais.
Mesmo os aparelhos celulares nos são úteis nos momentos de espera, com acesso a internet ou como plataforma para joguinhos.
Definitivamente poucos se dão ao exercício da contemplação. Por vezes sinto inveja de um cachorro, quando o vejo deitado à sombra de uma árvore, vendo a vida passar para ele, como passou para seus ancestrais: minuto após minuto, com calma, tudo à seu tempo.
Nossa ansiedade de consumo nos encaminha para um futuro de cada vez menos reflexão. Isso porque, refletir requer tempo ocioso e paciência.
Aposto que você já ouviu – ou já falou – que já estamos em março e este ano já está “voando”. E a cada dia essa sensação aumenta. É possível, porém, que no tempo de nossos avós ou até mesmo no de nossos pais, os dias, as semanas, os meses e os anos parecessem mais longos. E por que?
Porque existia a contemplação. Existia a conversa. As casas, por exemplo, possuiam muitos sofás e poltronas, além de enormes sacadas. Sem energia elétrica, aparelho televisor e demais avanços que hoje são corriqueiros, o tempo escorria num fio fino. Hoje, o tempo avança em corredeiras, indomado.
Desde os primeiros momentos da manhã até a hora de dormir, estamos em alguma atividade. Tomamos café recebendo informação, almoçamos recebendo informação, dirigimos da mesma forma. E quando não temos o que fazer, procuramos algo para “matar” o tempo.
Se isto é bom ou ruim, só o tempo, com toda sua pressa atual, dirá.
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quinta-feira, março 04, 2010
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Para alguém que vai
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
Publicado em 30/08/2009
De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
Publicado em 30/08/2009
De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
domingo, agosto 30, 2009
Para alguém que vai
*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes
De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
De tempos em tempos as pessoas passam por uma sensação de que é hora de partir pra algum lugar – acredito que muitos vivam isso. Mas acabam ocupados com outras coisas e adiam um pouco mais. Outros desistem pelas oportunidades que faltam. É algo forte essa vontade de conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os diferentes cenários dessa peça que a vida prega. Encontrar explicações, contar o que se vê, entender o que não se sabe. Aprender.
Interessa ouvir o que ainda não foi dito, escrever o que não foi escrito. Ruma-se ao desconhecido em troca de algo novo, como faziam os antigos. Todos os grandes pensadores cruzaram o Atlântico, viajaram pelo Pacífico, visitaram o Índico, subiram montes, vaguearam por aí. Fizeram as viagens possíveis para os meios de transporte da época, não importava o tempo do trajeto.
E não tem idade para fazer isso, sempre há tempo. René Descartes, com as tropas holandesas, os ingleses que partiram para a América do Norte com ideais de liberdade, Albert Einstein que passou até pelo Brasil, Charles Darwin observando o mundo. Sem falar dos anônimos, grande maioria, que mudam o mundo aos poucos. São raros os que fizeram algo maior sem sair de casa – apesar dos avanços tecnológicos.
O pensamento se amplia, o mundo das idéias deixa de ser apenas ideal, e a vontade de voltar às vezes se perde. Nem todos trilham o caminho de volta, sentem-se em casa. Sinta-se bem ao chegar lá. Faça algo bom e conte ao mundo. E quando surgir a vontade de voltar, lembra que sempre há tempo – para isso também – e que o mundo é uma casa maior. Nossa casa.
Até a volta!
sábado, agosto 22, 2009
Alguns atrasos na vida
*Viviany Pfleger | vivianypfleger@yahoo.com.br
Há quem diga que os atrasos só nos trazem problemas. Concordo que muita coisa poderia ser evitada se o reloginho fosse cumprido, mas sabe... às vezes esses atrasos surpreendem positivamente.
Tudo acontece numa manhã atípica: acordar já atrasada porque decidiu tirar só mais um cochilo, verificar e responder os e-mails mais urgentes que não conseguiu ler na noite anterior – pois acabou dormindo em frente ao computador –, se arrumar e seguir para o trabalho.
De repente – destino talvez –, você encontra uma daquelas pessoas que mudam a sua vida pra sempre. Aquela que dará o empurrão que precisava e diz as palavras que você já sabia, mas desconhecia a razão delas não terem vindo à tona antes.
Senti um puxão no braço, e delicadamente ouvi:
— Oi! Quanto tempo?
Realmente, fazia mais de um ano que não a via. Aquela pessoa cujas conversas são sempre rápidas, sempre com pressa, e o final você já pode imaginar: o típico encontro marcado que nunca acontece, mas que insistimos em dizer “vamos marcar, mas vamos mesmo”.
Sentei por perto e conversamos. É como dizem: “pessoa certa no momento certo”. Por algum motivo nos encontramos ali – foi o que eu pensei por uns minutos, quando comentei que eu não tinha o costume de pegar aquele ônibus. Eu estava atrasada, só por isso estava ali.
Trabalhamos juntas há cinco anos e, apesar de cada uma ter a sua rotina, penso que as pessoas importantes sempre estarão lá – mesmo que por míseros cinco minutos, mas estarão lá para mostrar algumas verdades, mostrar algo que fará você refletir e provocar mudanças (ou não).
A conversa durou cerca de uma hora e ainda tivemos que trocar de ônibus. Um verde e o outro amarelo. Tínhamos milhões de histórias para contar, e às vezes uma interrompia a outra lembrando de algum fato do passado ou algo novo que não podia ser esquecido – já que não vislumbrávamos mais nenhum encontro no atordoado semestre que está por vir.
Saí com novas idéias – e velhas também. Algumas sempre estiveram comigo, guardadas. Eu que não as deixava aparecer. Às vezes parece que a gente espera por um toque, um apoio, alguém nos diga: – vá em frente, você consegue!
Essas ideias precisavam explodir e agora pode ser a hora.
Seria bom se todos os atrasos nos levassem além... onde queremos chegar.
Há quem diga que os atrasos só nos trazem problemas. Concordo que muita coisa poderia ser evitada se o reloginho fosse cumprido, mas sabe... às vezes esses atrasos surpreendem positivamente.
Tudo acontece numa manhã atípica: acordar já atrasada porque decidiu tirar só mais um cochilo, verificar e responder os e-mails mais urgentes que não conseguiu ler na noite anterior – pois acabou dormindo em frente ao computador –, se arrumar e seguir para o trabalho.
De repente – destino talvez –, você encontra uma daquelas pessoas que mudam a sua vida pra sempre. Aquela que dará o empurrão que precisava e diz as palavras que você já sabia, mas desconhecia a razão delas não terem vindo à tona antes.
Senti um puxão no braço, e delicadamente ouvi:
— Oi! Quanto tempo?
Realmente, fazia mais de um ano que não a via. Aquela pessoa cujas conversas são sempre rápidas, sempre com pressa, e o final você já pode imaginar: o típico encontro marcado que nunca acontece, mas que insistimos em dizer “vamos marcar, mas vamos mesmo”.
Sentei por perto e conversamos. É como dizem: “pessoa certa no momento certo”. Por algum motivo nos encontramos ali – foi o que eu pensei por uns minutos, quando comentei que eu não tinha o costume de pegar aquele ônibus. Eu estava atrasada, só por isso estava ali.
Trabalhamos juntas há cinco anos e, apesar de cada uma ter a sua rotina, penso que as pessoas importantes sempre estarão lá – mesmo que por míseros cinco minutos, mas estarão lá para mostrar algumas verdades, mostrar algo que fará você refletir e provocar mudanças (ou não).
A conversa durou cerca de uma hora e ainda tivemos que trocar de ônibus. Um verde e o outro amarelo. Tínhamos milhões de histórias para contar, e às vezes uma interrompia a outra lembrando de algum fato do passado ou algo novo que não podia ser esquecido – já que não vislumbrávamos mais nenhum encontro no atordoado semestre que está por vir.
Saí com novas idéias – e velhas também. Algumas sempre estiveram comigo, guardadas. Eu que não as deixava aparecer. Às vezes parece que a gente espera por um toque, um apoio, alguém nos diga: – vá em frente, você consegue!
Essas ideias precisavam explodir e agora pode ser a hora.
Seria bom se todos os atrasos nos levassem além... onde queremos chegar.
segunda-feira, agosto 17, 2009
Caro entrevistado
*Manuela Prá | manuelapraa@gmail.com
Escrevo para agradecer pelo carinho e atenção a mim dedicados ao derrubar mais uma de minhas pautas.
A vida fácil que nós repórteres levamos, deve-se em muito a pessoas como você. É a sua consideração ao desmarcar três ou quatro minutos antes do horário combinado, seu dom de marcar conosco muito cedo, ou tão tarde a ponto de termos que fazer hora extra para preparar o material que conta com sua contribuição.
Claro que entendemos que você possui uma agenda própria, independente dos nossos compromissos, mas, assim como você, adoramos poder trabalhar.
Sim, por mais incrível que pareça, ser repórter, jornalista, radialista, “cara” da TV, do rádio ou do jornal – como queira –, é uma profissão. E precisamos de sua declaração.
Contribuir com uma matéria não é favor para nós, é exercer um direito cidadão. É esclarecer dúvidas, semear a justiça, incentivar o desenvolvimento, fazer rir, fazer chorar, alertar. Enfim, ajudar a melhorar, da forma que lhe cabe, o mundo em que vive.
O que peço pode levar entre cinco e dez minutos, e embora você não acredite nisso, o trabalho dos jornalistas ajuda a sociedade – e o mais importante, é um trabalho.
Então, caro amigo, da próxima vez que for simplesmente deixar de lado aquela nossa – antecipadamente marcada – entrevista, pense também que eu me preparo já há dias para fazer algumas perguntas. Que já agendei outras declarações para somar a sua, já conversei com meu chefe sobre ela e o principal, abri um espaço na edição que espera pela pauta – que depende de você.
Meu tempo para encontrar outro tema, outros entrevistados, preparar um material diferente é tão curto quanto o seu para estar de bom-humor novamente, para pentear o cabelo ou maquiar-se, para terminar aquele relatório incrível para amanhã e tantas outras desculpas.
Obrigada pela atenção, que desta vez você me deu.
Atenciosamente,
uma jornalista impedida de reportar a sua opinião – mas com direito a expressar a minha.
Escrevo para agradecer pelo carinho e atenção a mim dedicados ao derrubar mais uma de minhas pautas.
A vida fácil que nós repórteres levamos, deve-se em muito a pessoas como você. É a sua consideração ao desmarcar três ou quatro minutos antes do horário combinado, seu dom de marcar conosco muito cedo, ou tão tarde a ponto de termos que fazer hora extra para preparar o material que conta com sua contribuição.
Claro que entendemos que você possui uma agenda própria, independente dos nossos compromissos, mas, assim como você, adoramos poder trabalhar.
Sim, por mais incrível que pareça, ser repórter, jornalista, radialista, “cara” da TV, do rádio ou do jornal – como queira –, é uma profissão. E precisamos de sua declaração.
Contribuir com uma matéria não é favor para nós, é exercer um direito cidadão. É esclarecer dúvidas, semear a justiça, incentivar o desenvolvimento, fazer rir, fazer chorar, alertar. Enfim, ajudar a melhorar, da forma que lhe cabe, o mundo em que vive.
O que peço pode levar entre cinco e dez minutos, e embora você não acredite nisso, o trabalho dos jornalistas ajuda a sociedade – e o mais importante, é um trabalho.
Então, caro amigo, da próxima vez que for simplesmente deixar de lado aquela nossa – antecipadamente marcada – entrevista, pense também que eu me preparo já há dias para fazer algumas perguntas. Que já agendei outras declarações para somar a sua, já conversei com meu chefe sobre ela e o principal, abri um espaço na edição que espera pela pauta – que depende de você.
Meu tempo para encontrar outro tema, outros entrevistados, preparar um material diferente é tão curto quanto o seu para estar de bom-humor novamente, para pentear o cabelo ou maquiar-se, para terminar aquele relatório incrível para amanhã e tantas outras desculpas.
Obrigada pela atenção, que desta vez você me deu.
Atenciosamente,
uma jornalista impedida de reportar a sua opinião – mas com direito a expressar a minha.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Programação à portuguesa
*Isabel Cunha | www.twitter.com/sweetmisswendy | Portugal
Ora, dado que actualmente estou de férias, morena que nem uma alfarroba, dou por mim mais propensa a assistir à programação de televisão com maior frequência do que quando estou em período de labuta.
Todavia, tenho-me apercebido da decadente programação que os 4 canais genéricos nos oferecem, com excepção às noites da RTP2.
Será que não existem mais criativos a trabalhar nas estações de TV?
Os dias são passados com programas rurais, que circulam pelos caminhos do nosso mui belo país, intercalados com os noticiários e publicidade.
Resumindo, não se aprende nada com a programação, daí que prefira estar a ler numa esplanada, a passaritar pela praia ou a deambular por algum jardim. Acaba por ser mais interessante. Ou então, ponho-me a engomar a roupinha que também é um bom serviço!
Ora, dado que actualmente estou de férias, morena que nem uma alfarroba, dou por mim mais propensa a assistir à programação de televisão com maior frequência do que quando estou em período de labuta.
Todavia, tenho-me apercebido da decadente programação que os 4 canais genéricos nos oferecem, com excepção às noites da RTP2.
Será que não existem mais criativos a trabalhar nas estações de TV?
Os dias são passados com programas rurais, que circulam pelos caminhos do nosso mui belo país, intercalados com os noticiários e publicidade.
Resumindo, não se aprende nada com a programação, daí que prefira estar a ler numa esplanada, a passaritar pela praia ou a deambular por algum jardim. Acaba por ser mais interessante. Ou então, ponho-me a engomar a roupinha que também é um bom serviço!
sábado, agosto 08, 2009
Envelhecemos, Ronaldo
*Eduardo Daniel | www.twitter.com/eduardosdaniel
Foi em Brusque, cidade catarinense localizada no Vale do Itajaí, distante 218 quilômetros da minha Tubarão, ao Sul do Estado, durante uma curta viagem a serviço, que eu tive a inadiável constatação: estou ficando velho.
Eram os primeiros meses do ano e aquele sol de verão contra meu rosto que refletia no espelho do banheiro de um shopping me pregou uma peça:
– Quem plantou estes pinheiros cobertos de neve em minhas frontes? Quantos cabelos brancos!
Embora este início pareça um fútil comercial de pintura capilar, o assunto é mais sério e acredite: se você não passou, vai passar por isso.
Sempre achei que eu aparentava ter menos idade do que registra impiedosamente meus documentos. Aquela descoberta que me fez conferir por mais duas vezes cada lado da minha grande cabeça, mostrou que a natureza veio cobrar rápido o que demorou pra exigir antes.
Aos trinta anos, parece que a areia da ampulheta se tornou mais fina.
De lá para cá foram dois ouvidos inflamados (coisa que nunca tive), uma micro-cirurgia para retirada de um cisto-sebáceo com biopsia (quadro histopatológico compatível com epitelioma calcificante de malherbe (pilomatrima)), uma suspeita de infarto com um eletrocardiograma (distúrbio da condução em ramo direito e alteração da repolarização ventricular em parede inferior), uma ressonância magnética, que detectou um início de hérnia de disco (sinais de degeneração no disco de D10-D11, com desidratação; abaulamento de redução de altura e degeneração gordurosa focal no corpo vertebral de L2). Sem contabilizar um tratamento contra minha fiel acompanhante enxaqueca, que se estende por mais de um ano e deve se prolongar por meses infindáveis.
Como de costume e por não restar outra alternativa, escrevo a noite, antes de dormir. Logo a dor nas costas vai me tirar da cama antes do despertador tocar. Coisa de velho.
Quando menos esperamos, lê-se nos obituários e nas notícias de jornais, sobre a morte de gente com uma idade próxima da nossa, sem que isso provoque comoção. Começamos a ser atendidos por médicos da nossa faixa etária, sem que nos admiremos com a sua precocidade.
Ainda lembro quando o Ronaldo, ainda Ronaldinho, mais dentuço, muito mais magrinho, apareceu no Cruzeiro. O primeiro craque que, com apenas dois anos há mais que eu, vi arrebentar. Eu tinha 15 e ele 17.
Quem com pelo menos 30 anos não lembra quando Ronaldinho aproveitou o descuido do experiente goleiro Rodolfo Rodrigues, do Bahia, e numa travessura com requinte de gênio, escondeu-se atrás do arqueiro, que ajoelhado de frente para a trave, largou a bola? Milésimos de segundos foram necessários para o menino dar um toque na gorduchinha e marcar uns dos cinco naquela vitória do Cruzeiro.
Depois veio a Europa no PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan, até o retorno ao Brasil no Corinthians. Sem contar as Copas do Mundo, de 94, que não entrou em campo, de 98 que teve problemas na final, a de 2002 que brilhou e a de 2006, apagado como todo o resto da Seleção Brasileira.
Todos aqueles bons momentos passaram. Ronaldo está ficando velho e me levando junto (no bom sentido).
Ronaldo já passou por quatro cirurgias nos joelhos e mais recentemente implantou placas nos metacarpos e 12 pinos na mão esquerda para corrigir uma fratura. Aproveitou e já retirou 700 mililitros de gordura da região da barriga (semelhante a minha) em uma lipoaspiração.
Quando os meninos que se tornam heróis ao mesmo tempo em que ganhamos os primeiros pelos de barba, envelhecem, é sinal de que não somos tão imortais quanto acreditávamos que fôssemos.
Foi em Brusque, cidade catarinense localizada no Vale do Itajaí, distante 218 quilômetros da minha Tubarão, ao Sul do Estado, durante uma curta viagem a serviço, que eu tive a inadiável constatação: estou ficando velho.
Eram os primeiros meses do ano e aquele sol de verão contra meu rosto que refletia no espelho do banheiro de um shopping me pregou uma peça:
– Quem plantou estes pinheiros cobertos de neve em minhas frontes? Quantos cabelos brancos!
Embora este início pareça um fútil comercial de pintura capilar, o assunto é mais sério e acredite: se você não passou, vai passar por isso.
Sempre achei que eu aparentava ter menos idade do que registra impiedosamente meus documentos. Aquela descoberta que me fez conferir por mais duas vezes cada lado da minha grande cabeça, mostrou que a natureza veio cobrar rápido o que demorou pra exigir antes.
Aos trinta anos, parece que a areia da ampulheta se tornou mais fina.
De lá para cá foram dois ouvidos inflamados (coisa que nunca tive), uma micro-cirurgia para retirada de um cisto-sebáceo com biopsia (quadro histopatológico compatível com epitelioma calcificante de malherbe (pilomatrima)), uma suspeita de infarto com um eletrocardiograma (distúrbio da condução em ramo direito e alteração da repolarização ventricular em parede inferior), uma ressonância magnética, que detectou um início de hérnia de disco (sinais de degeneração no disco de D10-D11, com desidratação; abaulamento de redução de altura e degeneração gordurosa focal no corpo vertebral de L2). Sem contabilizar um tratamento contra minha fiel acompanhante enxaqueca, que se estende por mais de um ano e deve se prolongar por meses infindáveis.
Como de costume e por não restar outra alternativa, escrevo a noite, antes de dormir. Logo a dor nas costas vai me tirar da cama antes do despertador tocar. Coisa de velho.
Quando menos esperamos, lê-se nos obituários e nas notícias de jornais, sobre a morte de gente com uma idade próxima da nossa, sem que isso provoque comoção. Começamos a ser atendidos por médicos da nossa faixa etária, sem que nos admiremos com a sua precocidade.
Ainda lembro quando o Ronaldo, ainda Ronaldinho, mais dentuço, muito mais magrinho, apareceu no Cruzeiro. O primeiro craque que, com apenas dois anos há mais que eu, vi arrebentar. Eu tinha 15 e ele 17.
Quem com pelo menos 30 anos não lembra quando Ronaldinho aproveitou o descuido do experiente goleiro Rodolfo Rodrigues, do Bahia, e numa travessura com requinte de gênio, escondeu-se atrás do arqueiro, que ajoelhado de frente para a trave, largou a bola? Milésimos de segundos foram necessários para o menino dar um toque na gorduchinha e marcar uns dos cinco naquela vitória do Cruzeiro.
Depois veio a Europa no PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan, até o retorno ao Brasil no Corinthians. Sem contar as Copas do Mundo, de 94, que não entrou em campo, de 98 que teve problemas na final, a de 2002 que brilhou e a de 2006, apagado como todo o resto da Seleção Brasileira.
Todos aqueles bons momentos passaram. Ronaldo está ficando velho e me levando junto (no bom sentido).
Ronaldo já passou por quatro cirurgias nos joelhos e mais recentemente implantou placas nos metacarpos e 12 pinos na mão esquerda para corrigir uma fratura. Aproveitou e já retirou 700 mililitros de gordura da região da barriga (semelhante a minha) em uma lipoaspiração.
Quando os meninos que se tornam heróis ao mesmo tempo em que ganhamos os primeiros pelos de barba, envelhecem, é sinal de que não somos tão imortais quanto acreditávamos que fôssemos.
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