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Destaque Quitandas e a volta aos tempos românticos Thiago Schwartz


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quinta-feira, agosto 13, 2009

H1N1, a nova peste

*Thiago Schwartz | www.twitter.com/perereco

Moro em Tubarão, Santa Catarina. Cidade pacata, mas acometida de um mal muito grande nessas últimas semanas. Não me refiro à nova gripe, e sim à paranoia que está sendo criada em torno dela na região.

Todos os dias são novas notícias que chegam. Informações desencontradas populam em todos os meios de comunicação, mas é no boca-a-boca que a tragédia se forma: parentes infectados, pessoas públicas em estado grave, qualquer tosse em público se torna uma nota de falecimento no dia seguinte. Um exemplo bem definido disso diz respeito a um médico de renome na cidade.

No Domingo, recebi de minha senhora (que trabalha no shopping) a notícia que o tal médico havia morrido, da maldita gripe suína. Como bom brasileiro, sem checar as fontes liguei para minha mãe e contei o ocorrido. Ela ficou momentaneamente chocada e desligou o telefone. No outro dia, todos sabiam que o médico tinha esticado as canelas por culpa do vilão da vez.

A balbúrdia foi tanta em cima da morte do doutor, que o mesmo se viu obrigado a ir na rádio e declarar: "Gente, eu tô vivo". Alguns pacientes seus correram para o local onde ele dava plantão, para verificar se era realmente verdade que o médico não havia sido mais uma vítima.

O médico foi sim uma vítima. Uma vítima da paranoia que se formou em torno desta questão. Uma das milhares de mortes que não foram confirmadas, mas que permeiam as conversas dos populares. Um dos que, como muitos, "teve a morte ocultada pelas autoridades, como uma forma de evitar o pânico e manter o status quo"...

Só esqueceram de avisar ao médico de que ele deveria estar morto.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Feito formigas em dia de chuva

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

O silencio das noites de uma cidade pequena, a escuridão quebrada por um distante semáforo a piscar pode se repetir nas outras noites desta segunda semana de agosto. Durante o dia, a movimentada Avenida Marcolino Martins Cabral, no centro de Tubarão (SC), perde alguns de seus carros barulhentos e mostra seu asfalto.

A cidade não parou completamente, mas a decisão da governo municipal de suspender as aulas nas escolas públicas fez com que outras entidades particulares tomassem a mesma atitude.

Um basta na coletividade, nos cumprimentos calorosos, na preguiça de lavar as mãos. O medo real e concreto fez mudar algumas atitudes sociais. E apesar de ouvir por aí que a nova gripe mata tanto quanto a velha conhecida, as pessoas estão desconfiadas com tantos números e más notícias repetidas.

Aqui em Tubarão, cidade com menos de 100 mil habitantes, já são mais de 100 casos suspeitos, alguns confirmados – inclusive uma morte –, e outros ocultos. Sim, existem casos ocultos nessa história de pandemia. Para evitar o pânico. Afinal, gente em pânico é como uma decisão unânime do Congresso: irracional.

Nos dois hospitais da cidade e numa outra clínica particular, as pessoas recorreram à máscara. Trocam olhares desconfiados, tossem disfarçadamente. Até nos elevadores, nos prédios residenciais, parecem todos agitados, com pressa – feito formigas em dia de chuva. O medo tomou conta. Fez meio mundo parar e está nos olhares.

E a chuva, que de longe assustava, chegou.

sexta-feira, julho 31, 2009

A mais perfeita mesmice, não fosse o Gardel

*Anderson Paes | www.twitter.com/andersonpaes

O sol vai se pondo e estou quase em casa. De volta a Tubarão. Nasci nessa cidade do sul de Santa Catarina, no início dos anos oitenta. De lá pra cá muita coisa mudou – mas não nos últimos anos. Foram quase dois anos fora e quando chego vejo as obras ainda atrasadas da BR-101, o excesso de carros na principal avenida da cidade e umas poucas pessoas que ainda reconheço nas ruas.

Uns três mercados, o shopping e o ex-shopping ainda figuram no centro. Nas ruas de cá, malabaristas no semáforo. Disseram-me por aqui que agora temos mais do que o velho nada para fazer a noite, mas a cidade nunca foi da noite – deve ser o mesmo lugar com novo nome. Melhor ir ver de perto – mas sem pressa. Também contaram que houve algumas mudanças na política, desde as últimas eleições. Mas a cidade também nunca foi muito disso. O que me levou a pensar: Se nem os nomes mudaram...

Tudo na mais perfeita mesmice, não fosse o fato de acordar todas as manhãs ao som Carlos Gardel – que algum vizinho colocava por volta das 9h. Um bom modo de acordar. Depois de uns dias de tango, encontrei um novo lugar para morar. No centro, agora com uma trilha mais mecânica – a das construções por perto. Muda-se a trilha e o jeitão da vizinhança. Aqui ainda é a de um bairro residencial de uma cidade pequena. Outra noite um vizinho gritava:
— Ah! Vai chover chumbinho. Cala a boca...

Tudo isso por causa de um pequeno cachorro que não parava de latir do lado de lá da rua. Pobre cachorro, apenas latia naturalmente. Algumas pessoas se incomodam com tão pouco e esquecem o que realmente pode mudar a vida. Com uma vizinhança assim, poderia esperar mudanças significativas para a terra amada e bendita Tubarão?

Quem sabe quando as pessoas começarem a ter acesso às novas culturas ou encontrarem novas identidades – sem esquecer do bom senso e tolerância que faz uma “grande” cidade. “Mas é mais fácil ir embora do que mudar as coisas” – alguns insistem. Mas... mas sempre há espaço para novas ideias, novas cabeças, para amar e mudar as coisas – como na música de Belchior –, e outras canções para se ouvir.

terça-feira, julho 21, 2009

Apocalypse now

*Gabriel Guedes | www.twitter.com/gabrielzguedes

O nome do post pode soar exagero e também nem um pouco original. Tudo bem... Ambos têm em comum uma palavra tão forte quanto as atitudes intrínsecas contidas nela: a ‘guerra’. Posso citar várias guerras de verdade, mas assim, seria fácil demais.

Desde que me conheço por gente, me considerava homem do interior, gente simples e que não precisa de muito para viver feliz. Apenas o necessário para a subsistência. Na última vez em que estive na Província (minha nova denominação para Tubarão), resolvi dar uma ‘banda’ pela Serra Catarinense. Isso foi lá pelo dia 12 de julho. Eu e minha mulher planejávamos há alguns meses uma volta por lá. O tempo feio, cinzento, sem graça e depressivo que dominou o Sul (é, o Rio Grande do Sul) por mais de sete dias, quase tirou as esperanças de que fosse haver sol naquele domingo. Mas genial como ele só, Deus nos brindou com aquele sol divino, céu azul, aquele céu azul tricolor. De brigadeiro. De resto, o dia só poderia ter sido mágico com tamanha colaboração divina. Aquela paisagem me dava sensação de paz, de dias tranqüilos. Era inspirador a isso.

Saudade. Afinal, há cinco anos deixei minha pacata vida na Província para encarar as aventuras numa selva de pedra, concreto e asfalto numa metrópole de 3 milhões de pessoas. Quando cheguei aqui, me senti um verdadeiro ‘Crocodilo Dundee’. Impressionado como a vida ia acontecendo em meio ao caos urbano (não conheço caos rural).

Passado pouco mais de uma semana da 'minha paz', tive uma terça-feira da onça. É, praticamente uma segunda-feira (embora o dia de ontem tenha corrido bem melhor). Lidei de perto com os perigos da selva urbana. Acordei antes do galo cantar, mas com os vizinhos correndo atrás de ‘intrusos’ no meu prédio. Sem medo e sem a sensação de segurança, mais tarde fui trabalhar. Ao descer do ônibus, passa um carro pela BR-116, dá uma buzinada e fica me insultando de graça, mostrando o famigerado dedo do meio. Fiquei perplexo e pensei: — Como há pessoas que gostam de estragar o dia dos outros? — mas continuei com a minha estrada. Fui trabalhar. Final de tarde, chega! Com a cabeça na lua, e um dia nada produtivo, encerro o expediente na redação. Vou buscar a mulher no trabalho dela. O ônibus atrasa. Era para chegar às 18h36. Cheguei às 18h47. A BR-116 está parada. As ruas paralelas também. Outras ruas de acesso à cidade, também. Congestionamento, buzinaço, motoristas estressados. E eu achando que o dia já estava ruim...
Mas não precisei muito para não duvidar de que algo que está ruim, pode piorar sim. Caminho umas quatros quadras até chegar em frente ao trabalho de minha ‘excelentíssima’. São 18h56. Chego e fico esperando. Às 18h59: — Pá! Pá! Pá! Pá!! — As pessoas correm. Era o tiro ‘comendo solto’. E eu lá, a menos de uma quadra do incidente. Até agora não sei o que foi, o que era. Mas nem quero saber. Mas já adianto que houve ferido (ou feridos?).

Mas para quem passou 22 anos na Província, foi uma verdadeira cena de guerra. Após tudo isso, difícil me sentir tranqüilo. Ainda que a cidade que melhor me recebeu diminuiu os índices de violência nos últimos dois anos, está longe de ser a mais tranqüila. Acho que nem a Província é tão tranqüila quanto nos meus tempos de garoto. Vivemos tempos de guerra. E nem sabemos dos ideais. Uma guerra sem ideais.

Mas não é querer ser pessimista. A semana está começando também com prognósticos meteorológicos que beiram o Apocalipse. Agosto, o mês do cachorro louco se aproxima. Some tudo isso à prevalência da intolerância, da ganância, da falta de moral e ética e da falta de amor entre as pessoas. Agora imagine o resultado.

Se a natureza nos derrotar, quem sabe nosso fim seja menos vergonhoso.
 

CONTATO
Colaboradores Ana Carla Teixeira, Anderson Paes, Camila Rufine, Carlos Karan, Deyse Zarichta, Eduardo Daniel, Emanuela Silva, Emanuelle Querino,
Emmanuel Carvalho, Fabiano Bordignon, Fabrício Espíndola, Francine de Mattos, Gabriel Guedes, Germaá Oliveira, Guilherme Marcon, Isabel Cunha, Kellen Baesso, Manuela Prá, Patrícia Martins, Thiago Antunes, Thiago Schwartz, Tiago Tavares, Valter Ziantoni,Van Luchiari, Vanessa Feltrin, Vitor S. Castelo Branco, Viviany Pfleger

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