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Destaque Quitandas e a volta aos tempos românticos Thiago Schwartz


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terça-feira, novembro 24, 2009

Um Calvin para chamar de meu

*Camila Rufine | www.twitter.com/camilarufine

Quem conhece as tiras de Calvin e Haroldo (Calvin & Hobbes), de Tim Watterson, sabe que Calvin é um menino de 6 anos de idade dotado de uma imaginação ultra fértil, que odeia legumes e lição de casa e que divide seus questionamentos filosóficos com o melhor amigo: um sábio tigre de pelúcia chamado Haroldo.

E quem conhece Calvin e Haroldo deve achar que eu tenho problemas mentais por ver no menino mais velho que cuido um pouquinho do personagem. Ele só tem só dois anos de idade. Não fala nada além de algumas sílabas como 'dó' (dog) quando vê cachorros e um persistente 'ogdan' que ele usa para tudo e que ninguém descobriu o que significa. Ele adora frutas e legumes, ainda não estuda e a maior preocupação é não ir trocar a fralda sem levar o balão de gás hélio a tiracolo. Ele nem sequer tem um tigre de pelúcia... a única coisa em comum entre os dois seja a cor do cabelo.

Mas eu não consigo deixar de comparar. Ainda mais depois do último domingo, na hora de ele dormir.

A rotina foi quase a mesma de sempre. O menino deu boa noite para o balão, para o irmão e a cachorra antes de subir para o banho. Gritou como se tivesse entrado em contato com ácido sulfúrico quando molhei o seu cabelo. Se debateu como sempre para vestir o pijama. Cantou o mesmo lalalá fora de ritmo (sua canção de ninar) abraçado ao meu pescoço. Mas quando dei o beijo de boa noite e fui encostando a porta do quarto, voltei meus olhos para o berço e me deparei com o menino pegando o urso (que é um cobertor peludo parecido com aqueles tapetes de urso dos desenhos animados, mas fofo e não assustador), trazendo para perto de si e começado um diálogo indecifrável, quase alienígena, com entonações de surpresa, carinho, curiosidade e até de bronca, como em qualquer conversa adulta.


Talvez ele e o urso estejam tramando alguma coisa para dominar o mundo. Ou, quem sabe, desenvolvendo uma nova teoria sobre o sentido da vida. Pode ser que estejam falando mal de mim. Pensando melhor, é possível que eu esteja apenas ounvindo choro de criança por horas consecutivas demais e falando bobagem. Mas oras... se ele pode dialogar qualquer coisa que seja com um objeto inanimado, eu também me acho no direito de compará-lo ao meu personagem de quadrinhos favorito.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Olha o esquilo!

*Camila Rufine | www.twitter.com/camilarufine

Passada mais de uma semana na casa dos meus hosts, já coleciono algumas táticas de ludibriação infantil.

Para quem ainda não sabe, sou Au Pair de dois garotos. Um de um ano e sete meses e outro de quatro meses. O mais velho só diz algumas palavras monossílabas (ainda assim incompletas), mas é muito ativo e entende tudo o que você diz – tanto que já temos que usar com ele o artifício da soletração. O mais novo é muito desenvolvido para a idade, mas só faz chorar, sorrir, mamar, sujar fraldas, querer colo e dormir.

Cuidar de duas crianças em momentos tão diferentes está sendo mais difícil do que imaginei. Quando o mais novo está calmo no meu colo, vem o mais velho fazer birra (a la novela mexicana, com direito a se jogar no chão e tudo), e vice versa. Eu pensava que estava imune a esse drama, já que ajudei durante alguns meses duas educadoras a monitorar mais de 20 crianças, de uma só vez, na creche na qual fui voluntária. Tolice.

Maldita a hora que, na entrevista por telefone com os hosts, tentei ser a engraçadinha conhecedora dos ditos americanos e disse que achava que cuidar dos dois seria ‘piece of cake’.

Mas nem tudo está perdido e estou exercitando meu poder de copiação. Com o menino mais velho, pelo menos.

Um dia, enquanto tomava meus cereais no café da manhã, ele cismou que não queria mais o café da manhã dele e, sim, o meu. O pai dele olhou para mim e me ensinou o truque: pegou o pedaço de maçã do prato do menino e fingiu que tirava da minha tigela de cereais. O menino viu toda a cena, mas foi o suficiente: deduziu que eu estava comendo o mesmo que ele e terminou a refeição sem mais um 'a'. Agora, todo café da manhã é a mesma história, e ele sempre cai.

Já para os momentos de manha, quem me ensinou o truque foi a avó dos meninos. Um dia ela estava aqui me ajudando a familiarizar com os hábitos da casa e novamente o garoto mais velho começou um episódio de birra gratuita. Ela só gritou ‘Look at the squirl, boy!’. Foi como presenciar um milagre. O rosto deixou de ficar vermelho, as lágrimas secaram e ele foi correndo apontar para a rua, gritando 'uh, uh, uh' (ele só usa esse linguajar quando vê três coisas: caminhões grandes, balões de gás hélio e esquilos).

Aqui, aonde estou morando, você cruza com uma dúzia de esquilos a cada volta no quarteirão. Isso faz o artifício ter validade, pois as probabilidades são altas de que, na hora exata em que eu disser ‘olha o esquilo!’ realmente haja um na rua.

Fico pensando o que será de mim quando essas táticas perderem o efeito. Só saberei realmente do que sou capaz quando for obrigada a inventar meus próprios artifícios de distração. Mas ontem a avó do menino me deu outra dica: ele gosta mais de coelhos do que de esquilos.
 

CONTATO
Colaboradores Ana Carla Teixeira, Anderson Paes, Camila Rufine, Carlos Karan, Deyse Zarichta, Eduardo Daniel, Emanuela Silva, Emanuelle Querino,
Emmanuel Carvalho, Fabiano Bordignon, Fabrício Espíndola, Francine de Mattos, Gabriel Guedes, Germaá Oliveira, Guilherme Marcon, Isabel Cunha, Kellen Baesso, Manuela Prá, Patrícia Martins, Thiago Antunes, Thiago Schwartz, Tiago Tavares, Valter Ziantoni,Van Luchiari, Vanessa Feltrin, Vitor S. Castelo Branco, Viviany Pfleger

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